Defesa de Robinho volta a negar que atacante cometeu violência sexual 

Jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida, dizem advogados 

Defesa de Robinho volta a negar que atacante seja culpado por crime

Defesa de Robinho volta a negar que atacante seja culpado por crime

Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo - 11.5.2010

A defesa de Robinho se posicionou a respeito dos detalhes do processo em que o jogador foi condenado a nove anos de prisão em primeira instância na Itália por estupro coletivo contra uma jovem de origem albanesa. Os advogados do atleta, anunciado como reforço do Santos e que teve o contrato suspenso após repercussão negativa, afirmaram que houve um "equívoco de interpretação" em relação às conversas gravadas com autorização judicial e voltaram a negar que o atacante seja culpado pelo crime.

Transcrições de interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial mostraram que Robinho revelou ter participado do ato que levou uma mulher albanesa a acusar o jogador e cinco amigos de estupro coletivo, em Milão, na Itália. Em 2017, a Justiça italiana se baseou principalmente nessas gravações para condenar o atacante em primeira instância.

De acordo com a investigação, Robinho e outros cinco amigos, incluindo Ricardo Falco, que também foi condenado, levaram a mulher ao camarim de uma boate chamada Sio Café, em Milão, e lá abusaram sexualmente dela. O caso aconteceu em 22 de janeiro de 2013, quando o atleta defendia o Milan. Os outros suspeitos deixaram a Itália ao longo da investigação, e por isso a participação deles no ato é alvo de outro processo.

Segundo os advogados de Robinho, Alexander Guttieres, Franco Moretti e Marisa Alija, ele não é culpado pelo crime e a relação sexual foi consentida. "O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida", diz trecho da nota oficial.

A defesa do jogador afirmou que "não houve violência sexual, tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas", disse que "há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho" e que existem "outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana que certamente levarão à sua absolvição".

Além da interceptação telefônica com autorização da Justiça, a polícia italiana instalou grampo no carro utilizado por Robinho no país. Em um dos diálogos com o músico Jairo Chagas, que tocou na boate em Milão na noite do episódio, o jogador revelou que a vítima estava alcoolizada.

Para os advogados, houve um erro de interpretação da Justiça na tradução dos diálogos para o idioma italiano. "Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação", afirma o comunicado.

A decisão do Tribunal de Milão, proferida em 2017, ainda não é definitiva e foi alvo de contestação das defesas do jogador do Santos e de Ricardo Falco, o outro amigo condenado. Os advogados dos dois apresentaram recurso e ambos respondem em liberdade. Há mais duas instâncias na Itália até o trânsito em julgado da ação, isto é, até se esgotarem os recursos. O caso será apreciado em segunda instância pela corte de apelação de Milão em dezembro.

"Confiamos plenamente na Justiça italiana, no sucesso do recurso defensivo e na reforma da decisão, conscientes de que a submissão do feito às instâncias superiores permite justamente evitar erros judiciários e condenações injustas", conclui os defensores.

A repatriação de Robinho pelo Santos gerou repercussão muito negativa nas redes sociais. Torcedores protestaram e a Orthopride já rompeu o contrato de patrocínio com o clube. Além disso, outras patrocinadores, como Tekbond e Kicaldo, ameaçaram deixar de apoiar financeiramente a equipe se o atleta fosse mantido no elenco. O presidente Orlando Rollo pediu prudência em relação ao caso e defendeu o atacante, mesma postura do técnico Cuca. O treinador ressaltou que ele é "uma pessoa maravilhosa e "exemplo de jogador".

Leia na íntegra o comunicado dos advogados de Robinho:

"Com relação às gravações do caso Robinho na Justiça italiana, os advogados do jogador Robson de Souza esclarecem:

1. O jogador reitera que não cometeu o crime do qual é acusado e que sempre que se relacionou sexualmente foi de maneira consentida;

2. Taxativamente não houve violência sexual tampouco admissão de culpa nas interceptações telefônicas, o que fica claro quando analisadas na integralidade e no contexto correto;

3. Por se tratar de processo sigiloso e ainda em curso, estamos impedidos de falar sobre o mérito das acusações. Entretanto, sobre a divulgação em si, deve ser esclarecido que há nos autos provas suficientes da inocência de Robinho - as quais infelizmente não foram divulgadas na matéria - e outras que ainda serão apresentadas à Justiça italiana, que certamente levarão à sua absolvição. Há diversas conversas interceptadas que não foram corretamente traduzidas para o idioma italiano, o que levou ao equívoco de interpretação.

4. Confiamos plenamente na Justiça italiana, no sucesso do recurso defensivo e na reforma da decisão, conscientes de que a submissão do feito às instâncias superiores permite justamente evitar erros judiciários e condenações injustas.

5. Por fim, Robinho agradece o apoio da torcida do Santos Futebol Clube e, como pai de família e atleta, faz questão de ressaltar que repudia todas as formas de violência."