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Conheça o vovô veloz que ganha provas de kart depois dos 70 anos

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Para ser um bom piloto de automóvel é preciso ter coragem, reflexos e uma boa saúde. José Miguel Noronha Sacramento, aos 72 anos, tem tudo isso e prova sua condição nas corridas de kart que vence garotos de até 15 anos, que poderiam ser seus netos.

Mas a história deste doutor pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Administração de Empresas pela EAESP da Fundação Getúlio Vargas e engenheiro mecânico pela Escola Politécnica da USP começou no kart há seis décadas, sempre como hobby, mas que lhe permitiu ter amizade com Ayrton Senna e Nelson Piquet.

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Fã do escocês Jim Clark e de Emerson Fittipaldi, Miguel começou no kart em 1965, quando ia ver as competições que aconteciam em volta do prédio da Bienal. "Eu ia de ônibus até Interlagos e andava a pé pela pista, imaginando pilotar os carros", disse o apaixonado pela engenharia dos automóveis, que comprou seu primeiro kart em 1972. Com o dinheiro curto (era estagiário), a forma encontrada para seguir na cara modalidade foi montar e preparar o motor dentro de casa.

Em 1975, disputou o Campeonato Paulista, de 11 provas. Fez 11 poles. "Eu era fanático por tomada de tempos." No ano seguinte, com US$ 10 mil, comprou o motor usado pelo italiano Ricardo Patrese na conquista do mundial de Kart, em Estoril, Portugal. "Torrava tudo que tinha no kartismo."

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Com esse motor, teve uma bela disputa com Ayrton Senna, diz, e chegou a tocar rodas no kartódromo de Interlagos com o futuro tricampeão da F-1. Fez amizade com o "campineiro", apelido que Senna tinha por treinar em Campinas. "Ele era Beco para a família, mas nunca teve este apelido no kart", disse Miguel. "Tivemos uma boa relação a ponto de ele vir conversar comigo sobre o vice mundial no kart."

Em 1978, Miguel parou com o kart, mas continuou a acompanhar o automobilismo. Até que em 1991, foi trabalhar na empresa de roupas Pakalolo, onde um dos sócios era apaixonado pelos carrinhos. Criou-se então a ideia de se fazer uma competição da modalidade. Foi quando nasceu a Fórmula Pakalolo.

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"Voltei a ver corridas de kart, mas fiquei desanimado com o panorama de 30 pilotos em todas as categorias. Só alguns privilegiados participavam e ganhavam as provas", lembrou Miguel, que se filiou a parceiros e, com a intenção de revelar talentos, criou uma competição na qual os motores duravam a temporada toda e tinham manutenção grátis, com taxa de compressão mais baixa para não dar desgaste, além de poder ser comprado em dez vezes. "Fizemos até um pneu que durava o ano todo. A Pakalolo dava combustível e pagava as taxas para a federação de automobilismo. Subiu para 200 o número de participantes."

Com essa organização, pilotos como Gastão Fráguas, Rubens Carrapatoso (ambos campeões mundiais de kart), Luciano Burti, Felipe Massa, Nelsinho Piquet, Bia Figueiredo, Tony Kanaan surgiram e fizeram história. O Fórmula Pakalolo despertou o interesse de Nelson Piquet, em 1994, para levar a competição para Brasília. "O nome Pakalolo estava sempre presente e os pilotos falavam que corriam de Pakalolo. Marketing tupiniquim intensivo e eficiente", lembrou, orgulhoso.

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Três décadas depois, Miguel voltou a competir no kart e mostrou que a paixão por um esporte pode superar as dificuldades que a idade pode acarretar. "Fui campeão no ano passado e lidero o campeonato atual. A categoria é dividida acima de 35 anos e acima de 50. Já fui pole e venci na geral algumas vezes. Em outros campeonatos, enfrentei e venci garotos de 15 e 16 anos", afirmou o também professor da Fundação Getúlio Vargas.

Miguel não pretende parar por aí. Sua ideia é continuar na ativa sempre na busca de manter vivo o objetivo do kartismo, que é o de dar oportunidade a todos para iniciarem no automobilismo. "Eu estou ajudando os administradores do kartódromo de Interlagos a organizar torneios em novos moldes. Com certeza, estarei presente (mesmo que parcialmente) na organização quando forem lançados."

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