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COI elogia Rio-2016, mas alerta para 'prazos muito apertados'

|Do R7

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O Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), que realizou sua quinta visita ao Rio de Janeiro para inspecionar os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016, elogiou nesta segunda-feira os "progressos obtidos nos últimos meses", mas lembrou que os "prazos continuam muito apertados".

"Ficamos impressionados com os progressos realizados nos últimos meses. Muito trabalho foi realizado desde a nossa última visita (em fevereiro), mas muita coisa precisa ser feita, e, em alguns aspectos, os prazos continuam, muito, muito apertados", declarou a marroquina Nawal El Moutawakel, presidente da Comissão de Avaliação do COI, em entrevista coletiva realizada na sede do Comitê Organizador dos Jogos.


"O Rio precisa continuar focando nas prioridades: a definição da matriz de responsabilidade, a entrega das instalações esportivas e associar a infraestrutura necessária para a realização dos Jogos", acrescentou a dirigente, que se disse, no entanto "feliz com o trabalho já realizado e confiante para o futuro".

Ao se referir ao relatório 'estritamente confidencial' ao qual o jornal Estado de São Paulo teve acesso, que apontou vários atrasos que colocam o evento em risco, Moutawakel tratou de colocar panos quentes na polêmica.


"O relatório que vazou é apenas um documento de trabalho, que evolui regularmente. Muda pelo menos todos os meses, às vezes, todos os dias. Um aspecto que aponta riscos hoje pode ser resolvido amanhã", disse a ex-atleta, que foi campeã olímpica dos 400 m com barreiras nos Jogos de Los Angeles-1984.

"Não estamos preocupados com o comprometimento, mas com o que acontece no dia a dia, a necessidade de não perder tempo para trabalhar juntos sobre alguns aspectos da organização", alertou por sua vez Gilbert Felli, diretor executivo do COI, que também participou a entrevista coletiva.


"Vimos com a visita do Papa que o próprio prefeito Eduardo Paes tinha lamentado a falta de coordenação do evento. Sempre falamos que na organização de Jogos Olímpicos, é preciso se preparar com muito mais antecedência do que se faz normalmente e testar, testar, com eventos importantes, até tirar todas as dúvidas", acrescentou.

O dirigente também mostrou-se preocupado com o atraso das obras do complexo de Deodoro, que receberá as provas de hipismo, tiro esportivo, pentatlo moderno, mountain bike, BMX e canoagem slalom.


"Sobre Deodoro, ficamos preocupados com a questão da matriz de responsabilidade. Primeiro, era da responsabilidade do Governo Federal, depois passou para o Governo do Estado e agora está com a prefeitura. Estamos perdendo tempo com este processo", explicou.

Felli também alertou para três modalidades que não têm suas instalações definidas: a canoagem slalom (foi mencionada a possibilidade de mudar a sede de Deodoro para Foz de Iguaçu, no Paraná), o polo aquático (que pode ser realizado no Parque Aquático Júlio Delamare, situado ao lado do Maracanã) e o ciclismo de estrada (cuja a linha de chegada pode ser deslocada do Aterro do Flamengo para Copacabana).

Entre as preocupações do diretor-executivo também ficou a questão do transporte público, principalmente a linha 4 do metrô, que chegará à Barra da Tijuca, bairro da zona oeste do Rio onde será localizada a maioria das instalações olímpicas e que hoje sofre com engarrafamentos diários.

"Pelas informações que temos, as obras não sofrem atrasos, mas como o prazo muito apertados, sabemos que tudo pode ser colocado em risco com qualquer problema de última hora", lamentou.

Em meio a essas preocupações, um dos pontos elogiados por El Moutawakel foi "o comprometimento da equipe de organização do Rio 2016 com a questão do legado, que precisa ser a base de tudo que está sendo feito, em termos de transporte, educação e do acesso de centenas de jovens à atividade física".

No entanto, Felli salientou que o poder público precisava implementar mais ações para envolver a população da cidade e do país com o projeto dos Jogos.

"Nesse contexto social, no qual o povo vai à rua para cobrar onde vai o dinheiro dos eventos esportivos, Governo precisa atuar mais para explicar para a população o que está fazendo com o projeto dos Jogos e explicar como a população pode fazer parte deste projeto. Em Londres-2012, isso deu certo e os moradores da cidade se envolveram muito com o evento", lembrou.

Nawal El Moutawakel frisou que vê com bons olhos os protestos que ocorreram no Brasil nos últimos meses "desde que sejam pacíficos".

"Acho ótimo o fato da população pedir mais saúde e educação e acredito inclusive que o esporte possa contribuir com isso", completou.

A quinta visita do Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) ao Rio de Janeiro começou no sábado, com reunião com os membros do Comitê Organizador no domingo e nesta segunda-feira. A próxima inspeção da comissão está marcada para março de 2014.

lg/dm

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