Esportes Clube inglês investiga posts racistas supostamente enviados por atletas da base

Clube inglês investiga posts racistas supostamente enviados por atletas da base

O Portsmouth, time da terceira divisão da Inglaterra, está investigando possíveis mensagens racistas enviadas por membros da equipe sub-18. Os atletas teriam cometido o ato após a Itália vencer a Inglaterra nos pênaltis na final da Eurocopa. Os alvos do abuso racial seriam Marcus Rashford, Jadon Sancho e Buyako Saka, jogadores que perderam penalidades na partida.

Em um comunicado oficial, a equipe de Portsmouth disse que "está ciente das imagens circulando nas redes sociais que supostamente se originam de um chat em grupo do sub-18 e que são discriminatórias por natureza". O clube adicionou que iniciou uma investigação e que dará atualizações assim que completá-la. "O Portsmouth Football Club condena veementemente o racismo e está totalmente comprometido com a eliminação de todas as formas de discriminação. Não há lugar para isso em nosso jogo ou na sociedade como um todo".

Quem comanda o inquérito é a alta gerência do Portsmouth, que se baseia em uma captura de tela disseminada em massa nas redes. Segundo o clube, eles não têm conhecimento de mais abuso dentro do chat.

A derrota da Inglaterra fez com que um grave problema no país (e no mundo) ganhasse os holofotes mais uma vez: o racismo. Pouco após a partida, o perfil no Instagram de Saka, que errou o último pênalti, foi tomado por racistas, que postavam comentários discriminatórios. Situações semelhantes aconteceram com Sancho e Rashford. O mural do último foi alvo de vândalos em Manchester, mas, em seguida, uma mulher cobriu os insultos com plásticos e desenhos de corações, o que mobilizou o apoio de mais pessoas. As mensagens traziam palavras como "herói", "exemplo" e "adorado".

Em resposta, as autoridades da cidade abriram uma investigação para tentar identificar os vândalos. A Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês), a Uefa, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson fizeram parte da corrente de apoio aos jogadores. "Voltem para suas cavernas", disse Johnson. "Estamos enojados que alguns de nosso elenco, que deram tudo pela camisa nesse verão, foram sujeitados a abuso discriminatório online depois da partida de hoje. Nós estamos com nossos jogadores", afirmou o perfil da seleção inglesa no Twitter.

O técnico Gareth Southgate, que assumiu a culpa pela escolha dos batedores nos pênaltis, afirmou que as ações racistas são "imperdoáveis". A origem dos jogadores também é material para os preconceituosos, tal como acontece na seleção francesa. Uma matéria da TV inglesa BBC mostrou que, segundo o Museu da Imigração Britânico, mais da metade dos 26 ingleses que integraram o elenco na Eurocopa tem pelo menos um dos pais ou avós que nasceram fora do Reino Unido.

Os pais de Saka, por exemplo, são nigerianos. Já os de Sancho são de Trinidad e Tobago. Por fim, a avó de Rashford viveu na ilha caribenha de Saint Kitts. Além disso, a bandeira da Inglaterra é vista como negativa, já que foi adotada por grupos de extrema-direita nos anos 70. A cruz de São Jorge, santo padroeiro do país, vem sendo associada desde então com a tensão racial e o nacionalismo branco existente em território inglês.

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