Foi preciso esperar longos 187 dias desde que o sorteio definiu a Croácia como primeira adversária do Brasil na Copa do Mundo, mas a ansiedade tem hora para acabar, quando a bola finalmente rolar às 17h00 desta quinta-feira, no Itaquerão, em São Paulo.
"Arrepiou. Chegou a hora, chegou o momento que todos os brasileiros e o mundo estão esperando", declarou Neymar em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira.
"Chegou a hora, vamos todos juntos, é o nosso Mundial", comentou por sua vez o técnico Luiz Felipe Scolari.
O palco do pontapé inicial deste Mundial também é o estádio que deu mais dor de cabeça à Fifa, por ter sido o mais atrasado entre os 12 que receberão partidas na Copa.
A Arena Corinthians não pôde ser testada com plena capacidade, mas mesmo assim deve receber 61.600 torcedores, que assistirão antes do jogo à cerimônia de abertura, uma exaltação à natureza, às pessoas e ao futebol do país.
O Brasil tentará dar o primeiro passo rumo ao hexacampeonato com sua força máxima, poupado de lesões que tiraram vários craques estrangeiros dessa Copa (Falcao García, Ribéry, Reus).
O técnico Luiz Felipe Scolari deve se manter fiel à equipe titular que superou a Espanha por 3 a 0 na Copa das Confederações.
O único que parece ter sua vaga ameaçada é Oscar, que viu crescer cada vez mais a sombra de dois companheiros de clube do Chelsea, Willian e Ramires.
Já a Croácia terá um desfalque de peso, o atacante Mario Mandzukic, vice-artilheiro da Bundesliga com 18 gols marcados com o Bayern de Munique, que cumprirá suspensão por ter sido expulso durante a repescagem europeia contra a Islândia.
Mesmo assim, a equipe balcânica promete ser osso duro de roer, com o 'trio de ouro' do meio de campo formado por Luka Modric, Ivan Rakitic e Mateo Kovacic.
As duas equipes já se enfrentaram numa estreia de Mundial, em 2006 na Alemanha. Na ocasião, a Croácia perdeu por 1 a 0, cedendo o gol num belo chute de fora da área de Kaká, que desta vez ficou fora da convocação de Felipão. Há oito anos, o treinador era Carlos Alberto Parreira, hoje coordenador técnico da seleção, enquanto Fred e Júlio César eram reservas.
Já a Croácia conta com três remanescentes daquela partida, o lateral Darijo Srna, o atacante Ivica Olic, que entrou no intervalo, e o meia Luka Modric, que permaneceu entre os reservas. Na verdade, Quatro se levar em conta o técnico atual, Nico Kovac, que era titular no meio de campo.
Olic, companheiro de clube de Luiz Gustavo no Wolfsburg, esbanjou confiança e usou um tom provocativo ao declarar que existiam "brechas" na defesa brasileira.
Daniel Alves rebateu em tom de brincadeira. "Ele está na Bahia, fala para ele ter cuidado, que eu sou de lá", disse o lateral, referindo-se ao fato da seleção croata estar hospedada na Praia do Forte, a cerca de 50 quilômetros ao norte de Salvador.
"É evidente que, se não tivéssemos defeitos, seríamos a equipe perfeita, e perfeição não existe. Tentamos ser uma equipe equilibrada para competir bem. Se ele viu espaço, a gente vai tentar tapar para ele não ver mais", analisou Daniel, mais sério.
"Na estreia, não depende do rival, é sempre muito complicado, muito difícil. Ela é tão difícil como é importante. Não estão em jogo apenas os três pontos, vale um recadinho também aos futuros rivais. É o jogo mais importante da Copa do Mundo, junto com a final", completou.
Já Modric, 'cérebro' da equipe croata, preferiu deixar as provocações de lado para elogiar Neymar, que carrega as esperanças de toda uma nação de conquistar o sexto título em casa, após o trauma de 1950.
"Neymar é muito bom jogador. Ele não teve uma grande temporada de estreia no Barcelona, mas parece um jogador diferente pelo Brasil. Muda mesmo. Mas muitos times já o pararam, e é o que vamos tentar fazer. Além disso, o Brasil não é só Neymar. Não é o único perigo", disse o meia do Real Madrid.
O próprio Neymar concordou com esta afirmação. "Estou preparado para ajudar meus companheiros. Não jogo sozinho. São 11 jogadores dentro de campo, fora os demais. Todo mundo sabe do seu papel, o que tem que fazer em campo. Se for assim, nosso time pode ir muito longe", resumiu.
"Espero que ele seja mais um e, sinceramente, conhecendo-o como conheço, sei que ele passa essa mensagem de coração. Ele sendo mais um e sendo o craque que é, sempre vai despontar e fazer diferença", elogiou Felipão nesta quarta-feira.
Depois da Croácia, o Brasil enfrentará o México, no dia 17 de junho em Fortaleza, e Camarões, no dia 23 em Brasília.
-Prováveis escalações:
Brasil: Júlio César - Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo - Luiz Gustavo, Paulinho - Hulk, Oscar, Neymar - Fred
T: Luiz Felipe Scolari
Croácia: Pletikosa - Vrsaljko, Lovren, Corluka, Srna - Modric, Rakitic, Kovacic - Perisic, Olic e Jelavic.
T: Niko Kovac
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