Esportes Carta de fã mirim motiva ciclista Jaqueline Mourão em sua 7ª Olimpíada

Carta de fã mirim motiva ciclista Jaqueline Mourão em sua 7ª Olimpíada

Jaqueline Mourão vai bater um recorde em Tóquio e se juntar ao seleto grupo de atletas com sete edições olímpicas no currículo. Mas a curiosidade é que ela disputa Jogos de Verão e de Inverno, alternando sua preparação. No Japão, ela vai pedalar no ciclismo mountain bike motivada pela carta que um garoto enviou para ela, com palavras de apoio e um desenho. "Isso vale mais que a medalha, ser inspiração para os mais novos", disse ao Estadão.

Na carta, o menino Gustavo desenhou uma bicicleta, os anéis olímpicos e a bandeira do Brasil. E escreveu de próprio punho para a atleta. "Estou escrevendo para te desejar uma ótima competição e dizer que estou na torcida para uma medalha", afirmou o garoto, que é de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Para Jaqueline, esse é um combustível para fazer sua bicicleta andar mais rápido. "Sou conhecida como atleta bem acessível, gosto de conversar de igual pra igual. As pessoas já me conhecem como alguém assim. O Gugu escreveu a carta, é uma criança apaixonada por mountain bike e tem eu e o Avancini como ídolos. Esse é meu combustível, quero inspirar as pessoas."

Aos 45 anos, ela compete na terça-feira às 3h (horário de Brasília). "Estar no esporte por tanto tempo é por amor. Enquanto tem isso, aquela vontade de ter uma performance, você continua em alto rendimento. Tem pesquisas que mostram que fisiologicamente a mulher perde muito pouco até os 50 anos. Então nunca pensei na minha idade como se fosse algo que pudesse me limitar."

A atleta chega à sua sétima Olimpíada igualando o recorde de participações de Robert Scheidt (vela), Formiga (futebol) e Rodrigo Pessoa (hipismo). Sua estreia foi em Atenas-2004 no MTB e participou em Pequim-2008. E esteve nos Jogos de Inverno de Turim-2006, Vancouver-2010, Sochi-2014 e PyeongChang-2018 no esqui cross-country (e em Sochi também no biatlo).

"Eu tenho tanta felicidade de poder representar meu país em sete Olimpíadas. É fazer história e festejar minha trajetória de abrir portas, de encarar o desconhecido. Minha presença aqui coroa a versatilidade e a vontade de romper barreiras. Eu tenho muita admiração por todos os atletas que estão indo para a sétima Olimpíada. Cada um tem sua história, é uma honra estar neste grupo", comentou.

Para ela, esta será uma edição olímpica com muitas restrições e cheia de peculiaridades. "É uma Olimpíada bem diferente das que eu pude participar. Tem a pandemia, tive dificuldade de conseguir fazer o treinamento, precisei me adaptar a tudo. Acredito que vai ser a Olimpíada da esperança, mas estamos aqui para lutar. Muitos atletas não tiveram condições de treinar. Eu mesma não tive acesso à sala de musculação, precisei equilibrar o calendário. Mas tudo isso mostra resiliência dos atletas, que lutam contra todos os imprevistos."

A prova de mountain bike é bastante física e até por isso Jaqueline precisou se reinventar para poder chegar a mais uma edição dos Jogos, ainda mais que sua última participação na modalidade foi 13 anos atrás. "Eu terminei minha carreira em 2008, magoada e chateada. Aí em 2018 resolvi voltar, foi pessoal. Consegui os pontos e de repente estava largando na Copa do Mundo para tirar esse 'se' da cabeça."

Para além do esporte, Jaqueline escreveu um livro infantil, A menina que sonhava seguir o pôr do sol, no qual relata suas experiências olímpicas. Agora, espera ter mais histórias para contar.

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