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Brasileira mais rápida do atletismo, Vitória Rosa mira vaga em final olímpica

|Do R7

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Mulher mais rápida do Brasil na atualidade, com as melhores marcas nos 100m e 200m, a atleta Vitória Rosa sonha com uma final olímpica nos Jogos de Tóquio. O feito seria inédito na história do País. "A expectativa é pegar uma final olímpica. Não sei se vai ser nos 100m ou 200m, mas esse é o meu sonho", afirma a corredora que já obteve o índice para 200m, sua prova preferida, e está classificada para os 100m pela tabela de pontos da World Athletics, a federação internacional da modalidade.

Para realizar o objetivo, Vitória Rosa precisa melhorar suas marcas. Nos 200m, ela anotou 22s62, o melhor tempo de sua vida e conquistou a prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima. A título de comparação, a última atleta classificada para a final olímpica nos Jogos do Rio, em 2016, foi a inglesa Dina Asher Smith. Ela cravou 22s49. Portanto, Vitória tem de melhorar 0s13.

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Na prova dos 100m, Vitória tem uma diferença maior para superar. Ela marcou 11s65 enquanto o tempo da marfinense Marie-Josée Ta Lou, última finalista nos Jogos Rio 2016, foi de 10s94. A diferença, portanto, é de 0s71. O melhor tempo da história de uma brasileira na prova mais rápida do atletismo é de Rosângela Santos. Em 2017, ela foi a sétima colocada do Mundial de Londres ao anotar 10s91, recorde sul-americano.

Para Cleberson Yamada, especialista em atletismo pela Universidade de Leipzig, na Alemanha, Vitoria tem boas chances. "Certamente a Vitória e a mais rápida do País hoje. Acredito que ela tenha plenas condições de ir a uma semifinal nos 200m. Caso corra abaixo de 22s4 na semifinal, ela poderá ir até para a final. Com a marca de 22s62 no Pan, isso me parece dentro do alvo", afirma Yamada, que também é comentarista do canal BandSports. "Nos 100m, a tarefa é mais difícil."

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A atleta do Pinheiros ainda não definiu qual provar vai correr, mas não esconde a predileção pelos 200m. "Meu objetivo é correr os 200m, minha melhor prova, embora corra também os 100m. É tudo muito rápido nos 100m. A gente não pode errar. Nos 200m, a gente consegue consertar alguns pequenos erros. Temos mais tempo para fazer ajustes dentro da prova", compara a atleta de 24 anos.

Vitória fala sobre marcas e objetivos de um jeito leve e descontraído. A pedido do Estado, ela faz seu próprio retrato. "Quem é a Vitória Rosa? É uma menina alegre, divertida. Estou sempre na minha, sempre sorridente. O mundo está caindo e estou sorrindo", brinca. Diante da pergunta "O que significa ser a mulher mais rápida do Brasil?", ela repete o sorriso. "Eu encaro isso sem pressão. O reconhecimento é prazeroso. As pessoas pedem para tirar fotos e conversar. As pessoas enviam mensagens e dizem que se inspiram em mim. Ao mesmo tempo, eu me inspiro nas pessoas. Eu transmito a Vitória que eu sou."

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INÍCIO - A menina começou no atletismo aos 14 anos, em 2010, quando foi descoberta por uma professora de Educação Física no Rio de Janeiro. Aos 17, já disputava o seu primeiro Mundial Juvenil, na Ucrânia. O primeiro Pan foi em 2015, em Toronto, quando não subiu ao pódio. Na Rio-2016, não conseguiu chegar às semifinais dos 200m. No Mundial de 2017, em Londres, foi às semifinais e participou da final do revezamento 4x100m.

O ano de 2019 foi o melhor de sua carreira. "Foi a temporada que eu mais me surpreendi. Pela temporada, pelos resultados e pelos sonhos que tinha que consegui realizar. Eu queria entrar em uma etapa da Diamond League na prova individual. Eu consegui fazer cinco etapas."

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Embora tenha de melhorar suas marcas nas provas individuais de velocidade para chegar à sonhada final olímpica, Vitória Rosa também tem a chance na prova do revezamento 4x100m. As brasileiras conquistaram o ouro no Pan de Lima com o melhor tempo da temporada: 43s04. O time teve a própria Vitória Rosa, Rosangela Santos, Lorraine Martins e Andressa Moreira Fidelis. "No revezamento, acho que a gente também pode chegar à final e correr atrás da medalha. Um passo pequeno e de cada vez."

O melhor resultado da história do País no revezamento foi o bronze nos Jogos de Pequim-2008, herdados após doping da equipe russa. A Bélgica recebeu o ouro, a prata ficou com a Nigéria e o Brasil, com o terceiro lugar.

RECORDE - A jamaicana Shelly-Ann Fraser Pryce ostenta a posição de mulher mais rápida do mundo. Nos 100m, a velocista cravou 10s71 no Mundial de Atletismo, em setembro do ano passado, no Catar. A marca representou um triunfo pessoal, pois foi obtida dois anos depois do nascimento do seu filho, Zyon. Shelly-Ann foi duas vezes campeã olímpica (2008 e 2012). Em 2012, nos Jogos de Londres, ela não competiu devido ao nascimento de seu filho. Fraser-Pryce contou em várias entrevistas como se sentiu arrasada quando descobriu que estava grávida, porque temeu pelo fim da sua carreira. A título de comparação, a marca atual da jamaicana é 0s45 mais rápida que o melhor tempo de Vitória Rosa.

A segunda melhor marca da temporada é da também jamaicana Elaine Thompson, que conquistou ouro nos Jogos do Rio, em 2016. O recorde mundial é à norte-americana Florence Griffith-Joyner (10s49).

Nos 200 metros, novos nomes estão surpreendendo. Shaunae Miller-Uibo, atleta do Bahrein e campeã mundial nos 400m, conquistou a melhor marca de 2019 (21s74). A britânica Dina Asher-Smith, prata no Mundial do Catar, tem a segunda melhor marca da última temporada (21s88).

A prova também mostra a distância da realidade brasileira. O melhor tempo de Vitória Rosa na temporada foi de 22s62. O recorde pertence também a Florence Griffith-Joyner e foi conquistada nos Jogos de Seul (1988) quando ela marcou 21s34. Resumidamente, corredoras jamaicanas e norte-americanas, com algumas exceções, dominam as provas femininas de velocidade.

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