A seleção brasileira vai tentar manter a escrita neste sábado no Mineirão no duelo com o Chile, freguês em Copas do Mundo, mas que chegou às oitavas de final credenciado por ótimas atuações na primeira fase.
Por ironia do destino, os últimos dois confrontos com a 'Roja' chilena em Mundiais foram justamente nas oitavas. Resultado: duas goleadas brasileiras (4-1 na França, em 1998 e 3-0 na África do Sul em 2010). Em 1962, as duas equipes também se enfrentaram, no Chile, onde Garrincha teve uma atuação memorável, marcando dois dos quatro gols da vitória por 4 a 2 do Brasil sobre os anfitriões nas semifinais.
O retrospecto geral não deixa dúvidas quanto à superioridade 'canarinha': em 67 partidas, foram 47 vitórias, 13 empates e apenas sete derrotas.
Com um histórico como esse, era de se imaginar que o técnico Luiz Felipe Scolari fosse esfregar as mãos quando soube do adversário das oitavas de final, mas aconteceu justamente o contrário.
"Se pudesse escolher, escolheria outro adversário porque é ainda mais difícil por eles serem sul-americanos. Catimba, qualidade, tudo isso o Chile tem", justificou Felipão, que desde o sorteio dos grupos da Copa vem alertando sobre os perigos da seleção chilena.
O treinador sabe muito bem o quanto o rival pode ser indigesto, já que enfrentou a 'Roja' duas vezes em 2013, com empate em 2 a 2 em abril, justamente no Mineirão, palco do jogo de sábado, e vitória apertada por 2 a 1 em novembro, em Toronto.
Diante de um adversário tão qualificado, o Brasil precisa jogar melhor do que na primeira fase. Contra Croácia (3-1), México (0-0) e Camarões (4-1), os comandados de Felipão tiveram dificuldade para se impor, mostrando menos pegada do que no ano passado, quando atropelaram seus adversários na Copa das Confederações.
"A equipe, neste momento, apresenta 80% das condições que tínhamos na Copa das Confederações. Através do trabalho realizado, a evolução foi notada no sentido que podemos dizer que nesse primeiro jogo da fase de mata-mata, temos quase as condições ideais", avaliou Felipão.
Uma solução para dar mais peso ao meio de campo pode ser a entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho, que rendeu muito abaixo do esperado. A troca aconteceu no intervalo do duelo com os camaroneses e mudou a cara do jogo, com o volante do Manchester City iniciando a jogada do terceiro gol e anotando o quarto.
Fernandinho treinou entre os titulares na quinta-feira, no último coletivo antes do embarque para Belo Horizonte, deixando Paulinho pela primeira vez entre os reservas. Outra possível alteração é a entrada de Maicon no lugar de Daniel Alves na lateral, mas Felipão não deixou nenhuma pista na entrevista coletiva desta sexta-feira.
Não sei o time que vai jogar jogar amanhã (sábado). Não vou passar (a escalação) antecipadamente. Vou entrar com 11, pode acreditar", brincou.
Outra dúvida é sobre o zagueiro David Luiz, que sentiu um dores nas costas e foi poupado da parte final do treino de sexta-feira.
A assessoria de imprensa da CBF informou que o zagueiro tinha feito uma exame de ressonância magnética, mas nenhuma lesão foi detectada. O jogador segue e tratamento a comissão técnica avaliará no sábado se ele terá condições de atuar contra o Chile.
Com a 'Roja' chilena pela frente nas oitavas de final e o vencedor de Colômbia-Uruguai nas quartas se avançar, o Brasil se prepara para disputar uma verdadeira Copa América dentro do Mundial.
"Seleções sul-americanas gostam de catimba, e nós não temos que cair. Temos jogadores experientes aqui, temos que jogar futebol, fazer nosso jogo, o que a gente sabe, jogar com alegria. Vamos respeitar muito a equipe do Chile, que tem qualidade também, e vamos pensar em jogar futebol", avisou Willian.
Comandado pelo argentino Jorge Sampaoli, discípulo do seu compatriota Marcelo 'El Loco' Bielsa, seu antecessor no cargo, o Chile já mostrou que não vive apenas de catimba. Pratica um jogo vistoso, com atletas talentosos como Alexis Sánchez, companheiro de clube de Neymar no Barcelona ou Charles Aranguiz, do Internacional, além de Valdivia, do Palmeiras.
No difícil grupo B, estreou com vitória difícil por 3 a 1 sobre a Austrália e em seguida conseguiu um triunfo histórico por 2 a 0 sobre outra 'Roja, a atual campeã mundial Espanha, que eliminou da competição.
Na terceira rodada, decidiram o primeiro lugar com a Holanda, que teve menos posse de bola, mas aproveitou bem os contra-ataques para vencer por 2 a 0, o que obrigou os chilenos a enfrentar seu 'carrasco' em Copas.
O árbitro da partida será o inglês Howard Webb, que apitou a final do último Mundial, na África do Sul, e também traz boas recordações ao torcedor brasileiro, já que atuou na vitória por 3 a 0 sobre os chilenos nas oitavas de final daquela edição.
Prováveis escalações:
Brasil: Julio César - Dani Alves, Thiago Silva (C), David Luiz, Marcelo - Fernandinho (Paulinho), Luiz Gustavo- Hulk, Oscar, Neymar - Fred. T: Luiz Felipe Scolari.
Chile: Claudio Bravo (cap) - Mauricio Isla, Francisco Silva, Gonzalo Jara, Eugenio Mena - Charles Aránguiz, Marcelo Díaz, Felipe Gutiérrez - Arturo Vidal - Alexis Sánchez e Eduardo Vargas. T: Jorge Sampaoli (ARG). T: Jorge Sampaoli (ARG).
Árbitro: Howard Web (ING)
lg/dm
