Brasil pós-1994 teve pouco mais da metade das vitórias de Senna na Fórmula 1
Quando a comparação é poles, a situação fica ainda pior
Automobilismo|Do R7

“Depois que o Senna morreu, parei de acompanhar Fórmula 1”. A frase, bastante proferida Brasil afora nos últimos 20 anos, pode parecer exagerada. Afinal, quem gosta do esporte mesmo teve muitos motivos para se divertir com a categoria neste período, ainda que o ídolo tenha feito muita falta. Só para citar alguns grandes nomes que brilharam desde então, há Michael Schumacher, Fernando Alonso e Sebastian Vettel.
Para o Brasil, porém, os números mostram o tamanho da falta de Senna. Únicos pilotos nacionais a vencerem corridas desde então, Rubens Barrichello e Felipe Massa não chegaram nem perto de apresentarem um desempenho tão brilhante quanto o do tricampeão mundial. Juntos, eles tiveram 31 chances de levantar a taça, mas pararam no vice três vezes (2002 e 2004 pra Rubinho e 2008 pra Massa).
É bem verdade que o segundo lugar de Massa há seis anos tinha tudo pra ser título: depois de fazer uma temporada a melhor temporada de sua carreira, com seis vitórias, o paulista perdeu o título literalmente na última curva da última corrida, ironicamente disputada no Brasil. Na ocasião, Lewis Hamilton conseguiu uma ultrapassagem sobre o alemão Timo Glock e chegar ao quinto lugar, exatamente o resultado que ele precisava para triunfar.
Mas aquele ano foi uma exceção à regra: vivendo o auge de suas carreiras na poderosa Ferrari, tanto Barrichello quanto Massa ficaram conhecidos como “segundos pilotos” respectivamente de Michael Schumacher e Fernando Alonso. E ambos tiveram provas públicas de que o cargo deles eram este mesmo, com pedidos explícitos para favorecer os parceiros.
Muito por conta disso, os dois conseguiram somar somente pouco mais de metade das vitórias de Senna: 22 (11 de cada um), contra 41. Quando se comparam as poles, o maior ponto forte de Ayrton, a diferença é ainda mais absurda: 29 (15 de Massa) a 65.
No período, outros 12 brasileiros estiveram na Fórmula 1: Christian Fittipaldi, Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, Cristiano da Matta, Antonio Pizzonia, Nelsinho Piquet, Lucas di Grassi e o sobrinho de Ayrton, Bruno Senna.
Nenhum deles, no entanto, conseguiu vencer e só Nelsinho Piquer conseguiu um pódio, uma única vez. E as perspectivas não são nada boas: atualmente, o já veterano Massa é o único representante nacional no grid. As esperanças se concentram em Felipe Nasr, mas a história mostra que é prematuro fazer qualquer tipo de aposta. Independente do que aconteça, porém, uma coisa é certa: dificilmente um outro brasileiro ao menos se igualará com Senna.















