Esportes Após Abel Ferreira falar de 'vizinho chato', assunto mobiliza prédio dele

Após Abel Ferreira falar de 'vizinho chato', assunto mobiliza prédio dele

Abel Ferreira deu uma de suas entrevistas mais curiosas depois de conduzir o Palmeiras à final da Libertadores. Incomodado com questionamentos a respeito de seu trabalho, o técnico português enviou um recado a um suposto vizinho "chato", em tom de desabafo. Mas quem seria esse indivíduo tão irritante que incomoda o comandante palmeirense dessa maneira? O episódio mobilizou o condomínio onde mora Abel.

O Estadão conversou com pessoas ligadas a Abel e com moradores do prédio onde o português reside na zona oeste de São Paulo, próximo ao CT do Palmeiras, para entender a questão. A reportagem descobriu que, na verdade, o suposto vizinho seria uma metáfora criada pelo treinador para rebater os críticos de seu trabalho. O recado seria direcionado à imprensa e parte da torcida que criticam suas escolhas e estratégias no comando da equipe.

O português se exaltou muito quando Dudu marcou o gol de empate com o Atlético Mineiro que garantiu o Palmeiras em mais uma decisão do torneio continental, a sexta na história do clube, e teve de ser contido pelo gerente de futebol, Cícero Souza, e o auxiliar Vitor Castanheira, quando gritava em direção a uma das câmeras da transmissão da partida no Mineirão.

"Quando apontei pra câmera, não foi pra nenhum jogador ou o treinador do Atlético-MG. Tenho um vizinho que mora no meu prédio que é um chato. Foi diretamente ao meu vizinho, porque quem manda na minha casa sou eu. Está calado! Quem trabalha dentro do CT sou eu e meus jogadores. Defendo meus jogadores porque são meus nas vitórias e derrotas. Ao meu vizinho, xiu", esbravejou o técnico.

A reportagem consultou pessoas que moram no mesmo condomínio de Abel. Segundo os vizinhos, o português é discreto, comedido, introspectivo e não frequenta tanto o local, visto que dedica boa parte de seus dias ao trabalho, nos treinos na Academia de Futebol ou em jogos com o Palmeiras. Em suas primeiras semanas de Palmeiras, quis morar no CT para se ambientar. Está perto de completar 11 meses no comando palmeirense e é o segundo técnico mais longevo do futebol brasileiro.

Nesta quarta, dia seguinte à classificação palmeirense, o técnico ganhou folga, bem como o elenco. Foi visto saindo de seu carro da garagem de seu prédio e acenou rapidamente para quem passava por ali.

Um dos vizinhos de Abel no condomínio na capital paulista exerceu por muito tempo a mesma profissão do português e também trabalhou no Palmeiras. É Candinho, ex-jogador, técnico e dirigente do time alviverde. "Eu me dou muito bem com ele. Já almoçou e jantou em casa. Conheci a família dele quando veio de Portugal. Já jantamos juntos algumas vezes", conta ao Estadão o ex-treinador, de 76 anos.

Candinho diz nunca ter ouvido alguma reclamação sobre Abel no condomínio, nem o contrário. "É simpático e uma pessoa até difícil de encontrar. O pessoal do prédio sempre diz que ele sai cedo e volta muito tarde. É um cara que trabalha demais no Palmeiras. Ninguém reclama dele aqui", descreve.

A menção de Abel ao suposto vizinho desagradável repercutiu no conjunto residencial, onde também mora o técnico do São Paulo, Hernán Crespo. Alguns jogadores de Palmeiras e São Paulo moram em prédios no mesmo bairro. O assunto dominou as discussões em grupos de mensagens de moradores do local. "Falou-se muito sobre isso", resume um morador, em referência à insólita entrevista. O síndico deve conversar com o treinador para discutir a questão. Fato é que o "vizinho chato" serviu de combustível para o Palmeiras ir à sua segunda final de Libertadores consecutiva.

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