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Advogados avaliam que Messi deve sair do Barcelona sem precisar pagar multa

|Do R7

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Antes de Lionel Messi concretizar a provável saída do Barcelona terá de resolver uma polêmica com o clube. Segundo a agência de notícia Associated Press, na carta enviada à diretoria para comunicar a saída, o argentino poderia se valer de uma cláusula no contrato que o libera do acordo sem a necessidade de pagamento de multa. No entanto, para o time catalão, o camisa 10 perdeu o prazo estipulado.

A pendência tem como origem a renovação do vínculo, efetivada em 2017 e com validade até junho de 2021. O texto permite que Messi rescinda o contrato de forma unilateral logo depois do fim da temporada. Isso o libera de pagar a multa rescisória de R$ 4,6 bilhões. Por outro lado, no entender do Barcelona, o argentino perdeu o prazo para fazer esse comunicado, pois no documento a data limite é 10 de junho.

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A grande divergência se concentra justamente nisso. Para o argentino e seus representantes, a pandemia do novo coronavírus e o adiamento das competições mexeram com o prazo. O 10 de junho havia sido colocado porque geralmente o calendário europeu termina em maio. Porém, nesta temporada os compromissos foram adiados e o encerramento dos torneios foi no último domingo com a final da Liga das Campeões.

Embora veículos da Argentina e da Espanha tragam informações sobre briga jurídica, especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que Messi tem fundamento no conteúdo da correspondência enviada ao clube para encerrar o acordo. "Ainda que se tenha uma data no contrato, tudo indica que essa data seja vinculada ao fim da temporada, dentro de um contexto. Não é uma data aleatória. Acredito que ele não terá problemas. Por tudo o que está acontecendo", disse o advogado Filipe Souza, mestre em Direito Desportivo Internacional.

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Na opinião do advogado, a própria Fifa indicou em diretrizes a alteração da data da janela de transferências e de prazos de flexibilização, atitudes que pesam a favor do argentino nesse caso. "O Messi teria vários argumentos jurídicos sobre o fim do acordo, que geralmente contemplam o calendário habitual. Não acredito que a discussão sobre quando terminou a temporada possa prejudicar", comentou.

O advogado especializado em direito desportivo Eduardo Carlezzo cita que, como o Barcelona jogou pela temporada 2019/2020 em datas entre julho até meados de agosto, a data limite de 10 de junho não se justifica. "Seguindo esse raciocínio, o prazo contratual para o Messi informar seu desejo de rescisão contaria a partir deste momento, e não do prazo previsto inicialmente em contrato", disse. O último jogo do clube na temporada foi em 14 de agosto.

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"A data constante no contrato não pode ser interpretada de forma literal, tendo em vista que estava relacionada ao término da temporada, que foi adiada, em quase todo o mundo, em razão da pandemia. Essa, portanto, deveria ser a finalidade do contrato e tal fato não pode ser ignorado", afirmou o advogado especialista em direito desportivo Mauricio Corrêa da Veiga, sócio do Corrêa da Veiga Advogados.

Veiga avalia que é possível até mesmo que o caso tenha como desdobramento um grande litígio, a ser decidido inicialmente pela Real Federação Espanhola de Futebol e em grau recursal poderia ser levado até mesmo à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês). É possível até mesmo que o próprio contrato preveja a indicação de um outro foro específico para resolver controvérsias.

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