Acusações de suborno na Fifa geram mais suspeitas sobre Copa no Qatar

Rumores há muito tempo cercam a votação de 2010 do comitê executivo da Fifa para entregar a Copa do Mundo de 2018 à Rússia e a de 2022 ao Qatar

Fifa não respondeu a pedido de comentário

Fifa não respondeu a pedido de comentário

Arnd Wiegmann/Reuters

A Copa do Mundo de 2022 no Qatar se tornou foco de novas alegações de corrupção na Fifa após acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que afirma que subornos foram pagos a dirigentes do futebol, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, para garantir votos na disputa para sediar a competição.

Suspeita e rumores há muito cercam a votação de 2010 do comitê executivo da Fifa para entregar a Copa do Mundo de 2018 à Rússia e a de 2022 ao Qatar. Mas na segunda-feira, pela primeira vez, os promotores mostraram alegações formais e diretas.

De acordo com os promotores, representantes que trabalhavam para Rússia e Qatar subornaram dirigentes do comitê executivo da Fifa para obter votos na decisão crucial da entidade que controla o futebol mundial.

A Fifa e os organizadores da Copa do Mundo do Qatar não responderam imediatamente a um pedido de comentário. As candidaturas de Qatar e Rússia para sediar a Copa do Mundo sempre negaram o pagamento de subornos.

Embora a Fifa tenha reagido a alegações anteriores da mídia sobre o processo de candidatura do Qatar, insistindo que o torneio não será afetado, as acusações dos EUA levarão a novas perguntas sobre o Mundial, que está programado para novembro e dezembro de 2022.

A acusação formal sustenta que os três integrantes sul-americanos do comitê executivo da Fifa em 2010 - o brasileiro Ricardo Teixeira, o falecido Nicolás Leoz, do Paraguai, e um co-conspirador sem identificação - aceitaram propinas para votar no Qatar como sede da Copa de 2022.

"Ricardo Teixeira, Nicolás Leoz e o co-conspirador número 1 receberam pagamentos de suborno em troca de seus votos a favor do Qatar para sediar a Copa do Mundo de 2022", diz o indiciamento.

Teixeira, ex-genro do ex-chefe da Fifa João Havelange e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, não estava imediatamente acessível para comentar.

O indiciamento também alega que o vice-presidente da Fifa Jack Warner recebeu 5 milhões de dólares através de várias empresas de fachada para votar na Rússia como sede da Copa do Mundo de 2018.

Warner foi acusado de vários crimes na investigação de longa data dos EUA e está lutando contra a extradição de sua terra natal, Trinidad e Tobago. Warner, que não estava imediatamente disponível para comentar, sempre negou qualquer irregularidade.

Alexei Sorokin, CEO do comitê organizador local da Copa do Mundo da Rússia em 2018, disse à agência de notícias Interfax: "Esta é apenas a opinião de advogados. Dissemos repetidamente que nossa candidatura era transparente”.

(Por Simon Evans. Reportagem adicional de Gabrielle Tetrault-Farber, Alexander Marrow e Maria Grabar)

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