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A volta por cima da 'guerreira' Rafaela Silva

|Do R7

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A medalha de ouro conquistada 'em casa' por Rafaela Silva no Mundial do Rio de Janeiro, além de ser a primeira da história do judô feminino brasileiro, tem um valor simbólico por acontecer um ano depois da grande desilusão que sofreu nos Jogos Olímpicos de Londres.

Na capital britânica, a atleta foi desclassificada na sua segunda luta em função de um golpe nas pernas considerado ilegal pela arbitragem. Após se derramar em lágrimas por causa da eliminação, ela se abateu ainda mais quando recebeu críticas e até ofensas racistas na internet.


"Criaram vários 'fakes' (perfis falsos) nas redes sociais e começaram a me criticar. Quando cheguei no meu quarto e peguei meu celular para falar com minha família, apareceram mensagens falando que eu era vergonha para minha família, que lugar de macaco não era na Olimpíada, era na jaula. Eles criaram 'fakes', não foram nem capazes de falar com o próprio nome", disparou Rafaela, ainda revoltada com o episódio depois de ter conquistado o título mundial.

"É muito bom mostrar ao pessoal que me criticou, que me mandou procurar outra coisa para fazer. Hoje estou aqui para mostrar que não depende da cor de pele nem do dinheiro, depende da vontade e da garra que você tem", sentenciou.


Hoje com 21 anos, tem noção de todo o caminho que percorreu desde que seu pai levou ela pela primeira vez para praticar judô.

"Tinha apenas 5 anos, só estava no tatame para brincar. Nunca imaginava que iria participar de uma competição na minha cidade e ser campeã mundial, então agradeço muito meus pais por ter aberto esse caminho para mim", se emocionou a campeã.


"Comecei o judô na associação dos moradores da Cidade de Deus, fiquei dois anos treinando lá e depois abriu agora a academia do Instituto Reação. Fomos as primeiras do bairro a treinar lá e chamamos as crianças da rua para treinar judô conosco. Muitos abandonaram o esporte, mas a gente sempre continuou", lembra Rafaela.

Geraldo Bernardes, seu primeiro técnico no Instituto Reação, se lembra muito bem da primeira vez em que viu a menina agitada pisar no tatame.


"Quando ela chegou no Instituto com a irmã, ela era uma 'moleca' de rua, jogava bola, soltava pipa, era expulsa da escola... Não tinha uma diretriz. A partir do momento que ela passou a treinar judô vi que ela tinha uma agressividade grande, um grande talento e uma força natural, embora ela viesse de uma comunidade humilde em que as vezes a alimentação faltasse", explicou o treinador.

"Quando comecei, era faixa cinza, não sabia nada, mas Geraldo Bernardes, chamou meu pai para a janela e disse: 'traga sempre suas filhas porque ainda vou colocá-las na seleção brasileira'. A gente era criança, nem sabia o que era seleção brasileira, mas hoje sou da seleção e sou campeã mundial então agradeço muito ao meu professor por ter acreditado em mim", lembrou a judoca.

Rosicleia Campos, técnica da seleção feminina, também teve motivos especiais para comemorar a medalha de Rafaela.

"Desde as Olimpíadas, ela vinha com este gostinho da medalha engasgada então teve um estímulo a parte para chegar onde chegou. É um exemplo para todo mundo, mostra que na vida, tem que perseverar, não pode ser engolido por uma derrota", elogiou a treinadora.

Depois da desilusão de Londres, Rafaela conseguiu dar a volta por cima, reencontrando a motivação, após ter cogitado mudar de categoria (de até 57 kg para até 63 kg). "Vim para este Mundial com um objetivo claro. Já tinha a prata (no mundial de Paris-2011) então falei para mim mesma: 'esse ouro, ninguém vai tirar de mim', não queria bater na trave de novo", completou.

Depois do ouro 'em casa' no Rio de Janeiro, resta a Rafaela se sagrar campeã olímpica em 2016, novamente na Cidade Maravilhosa.

lg

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