Ex-candidatos a títulos importantes, Portuguesa e São Caetano jogam em nova realidade 

Times já disputaram finais de Brasileiro e de Libertadores e agora duelam sem divisão nacional

Portuguesa surpreendeu grandes times e chegou à final do Campeonato Brasileiro de 1996
Portuguesa surpreendeu grandes times e chegou à final do Campeonato Brasileiro de 1996 Rogério Assis/Folhapress

Quem não se lembra da trajetória épica do modesto São Caetano até a final da Libertadores em 2002? Ou da Portuguesa que ficou com o vice-campeonato brasileiro de 1996? A história dos dois clubes de São Paulo está marcada por esses momentos na história recente. Mas hoje, a situação é diferente. Neste domingo (23), Lusa e Azulão se enfrentam pela Copa Paulista, campeonato que dá uma vaga na Série D, a quarta divisão do Campeonato Brasileiro.

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Em 2002, o São Caetano alcançou um feito até então inimaginável para sua condição. A caminhada até a final da Libertadores foi um marco na história do clube do ABC Paulista e uniu as torcidas de outros times brasileiros no Pacaembu para empurrar o Azulão rumo ao título da América, contra o Olímpia-PAR. A conquista não veio, mas aquele elenco ficou eternizado na história do futebol nacional.

A Lusa, por sua vez, já tinha vivido momentos importantes, como o tri campeonato da fita azul, na década de 1950, e o título paulista de 1973 dividido com o Santos de Pelé. Mais recentemente, o ápice do clube do Canindé veio na forma de uma surpreendente campanha no Brasileirão de 1996. O time, que contava com Clemer, Zé Roberto, Alex Alves e outros destaques, se classificou no sufoco e desbancou os favoritos até o duelo decisivo, quando acabou perdendo o troféu para o Grêmio.

Segundo André Carlos Zorzi, autor do livro “Para Nós És Sempre O Time Campeão”, aquele time foi feliz em reunir jogadores promissores ou em boa fase. “Basta ver que muitos se destacaram depois. Clemer, Rodrigo Fabri, Capitão, Zé Roberto, Alex Alves”, cita o escritor.

Na ocasião, a Portuguesa se classificou para a fase eliminatória de maneira quase inesperada. Precisando vencer na última rodada e torcer por uma combinação de três resultados, a Lusa garantiu a vaga por conta de tropeços de rivais. Logo de cara, teve pela frente o líder Cruzeiro, que voava naquele ano. O 3 a 0 na partida de ida deu tranquilidade para o time paulista assegurar a classificação para a semifinal.

Depois disso, a Portuguesa eliminou o Atlético-MG de Taffarel e partiu para a decisão contra o Grêmio. A Lusa venceu o primeiro duelo, mas o placar de 2 a 0 na ida se repetiu na volta, só que para o adversário, e os gaúchos faturaram a taça. “Apesar de tudo, a torcida sentia-se bastante orgulhosa e respeitada pelos rivais”, comenta Zorzi.

O feito está eternizado nas páginas da história lusa. Mas o que levou o elenco de 1996 àquela final? “Diversos jogadores fizeram questão de ressaltar o fator 'vestiário', valorizando o bom relacionamento e entrosamento existente entre os jogadores. Também ressaltam que a Portuguesa era um clube bom de se jogar à época, por disputar os principais campeonatos, assim como as grandes equipes, com uma pressão um pouco menor.”

“Ver que jornais, rádios e TVs tratavam jogos dos outros grandes paulistas contra a Lusa como 'clássico', a Portuguesa negociando atletas com grandes times do Brasil ou do exterior, como o Real Madrid, e o próprio respeito que ex-jogadores e até torcedores de outros times tinham pela Lusa foi muito interessante”, destacou Zorzi.

Hoje, o que se vê nos campos da Copa Paulista é um futebol muito diferente daquele apresentado em 1996 ou 2002. O torneio é a única chance de Lusa e São Caetano terem um campeonato de nível nacional para disputar na próxima temporada. O patamar em que os dois clubes se encontram em nada lembra os alegres momentos recentes vividos por eles.

“O grande medo da torcida é o clube acabar. Logo atrás, vem a possível venda do Canindé”, diz o autor, em referência aos problemas enfrentados pelo time, afundado em dívidas e problemas judiciais.

“Há quatro anos, a gente via a Lusa fazer 4 a 0 no Corinthians campeão mundial fora de casa. Há alguns meses, estávamos levando 5 a 0 do Botafogo-SP no Canindé. É natural que o torcedor se sinta desmotivado, principalmente pela forma como o clube foi rebaixado da Série A”, concluiu.

Em uma nova condição e com novos e mais modestos objetivos, a Portuguesa recebe o São Caetano no Canindé, neste domingo (23), às 16 horas. A esperança, como tem sido desde o polêmico rebaixamento da Série A em 2013, é que a torcida compareça e abrace o time para reverter a dura realidade.

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7