Espanha deixa o Brasil insatisfeita com a Fifa e preocupada com Copa do Mundo

Cartolas e jogadores não poupam críticas à experiência na Copa das Confederações

Astro espanhol Fernando Torres não poupou críticas ao que viu em sua passagem pelo Brasil
Astro espanhol Fernando Torres não poupou críticas ao que viu em sua passagem pelo Brasil Getty Images

A seleção espanhola retornou a seu país após a Copa das Confederações insatisfeita com a Fifa por ter sido impedida de estabelecer base em uma única cidade, por não ter podido viajar imediatamente após os jogos e por ter ficado hospedada em hotéis de menor qualidade do que os que alegou estar acostumada, o que se junta à sua surpresa com as manifestações no Brasil.

A entidade não permitiu que a Fúria escolhesse uma sede fixa, ao contrário do habitual em grandes competições, fazendo com que se deslocasse bastante para atuar em outras cidades durante a competição. Membros da Real Federação Espanhola de Futebol já pensaram em várias alternativas nos últimos 11 meses e gostaram da opção de ficar no Rio de Janeiro para a Copa.

A Espanha sofreu em Recife e Fortaleza, onde os jogadores se sentiram reclusos devido à falta de segurança e ficaram em hotéis de nível médio, com instalações antigas e muito longe do nível dos que costumam visitar neste tipo de competição. Em seus primeiros passos na Copa das Confederações, no Recife, os atletas espanhóis chegaram a treinar sem poder tomar banho depois e ainda tiveram uma hora de trânsito até o hotel.

As longas distâncias foram motivo de queixa. Na capital pernambucana, dois treinamentos do Uruguai foram cancelados, o primeiro por falta de luz e o segundo por dificuldades de acesso ao local da atividade devido à chuva. Além disso, seis jogadores espanhóis se disseram vítimas de furtos em seus quartos e teriam perdido mil euros, que estavam em envelopes fora de um cofre.

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O calor do Nordeste também foi visto como um problema. Temperaturas superiores a 30 graus nos primeiros dias de inverno provocaram cansaço. Nessas condições, foram disputadas na região a última partida da fase de grupos, contra a Nigéria, e as semifinais, diante da Itália.

— Foi complicado para todos, pelo clima e pelas instalações. Para a Copa do Mundo, dependeremos da sorte para saber a cidade para onde iremos. É preciso pensar no sorteio da Copa, já que ele pode fazer a diferença - disse Fernando Torres à Agência Efe.

— Já sabemos o que vamos encontrar: deslocamentos gigantescos para treinar e condições abaixo do esperado - acrescentou.

Além disso, a Fifa impediu a Espanha de viajar após seus jogos, o que permitiria aos atletas algumas horas de sono. Mesmo se dispondo a assumir os custos do transporte, a RFEF teve seu pedido negado, e a delegação se deslocava apenas no dia seguinte às partidas. A Fúria também não soube até em cima da hora se poderia reconhecer o gramado do Maracanã na véspera da final da Copa das Confederações.

— Temos que nos adaptar às condições e aceitar a realidade sem pedir mais do que nos oferecem. A Copa do Mundo será igual para todas as seleções. Não somos crianças mimadas e não vamos chorar exigindo as coisas. Viemos para jogar com as condições existentes para todos. É a Fifa que deve decidir a hora de se tomar as decisões - declarou Sergio Ramos.

Apesar de terem encontrado uma torcida contrária, os membros da seleção da Espanha nunca se queixaram e agradeceram o carinho com o qual foram tratados no país. Um ponto a favor considerado pela seleção espanhola foi o estado dos gramados, que estavam cortados com 22 milímetros de altura, como determina o padrão Fifa.