Jobson planeja tirar tornozeleira eletrônica e voltar a jogar futebol

Ex-Botafogo é acusado de estupro de vulnerável e está suspenso pela Fifa

Jobson, ex-Botafogo, está suspenso pela Fifa até março de 2018 por uso de cocaína
Jobson, ex-Botafogo, está suspenso pela Fifa até março de 2018 por uso de cocaína Fernando Soutelo/Estadão Conteúdo

A perna que tantos gols marcou pelo Botafogo hoje não veste mais caneleira, meião e chuteira. Acusado de estupro, Jobson tem a companhia de uma tornozeleira eletrônica. Nem isso, no entanto, o afasta do sonho de voltar a jogar futebol. Quem garante é o advogado do jogador que respondia em liberdade, mas foi preso por violar a condicional e deixar sua cidade durante o processo.

Jobson, de 29 anos, é acusado de abuso de vulnerável, em uma chácara na cidade de  Couto de Magalhães, no interior do Tocantins, onde mora com a família. O atacante se beneficiou da expiração da prisão cautelar, pagou uma multa de dez salários mínimos (o equivalente a R$ 9.370) e deixou a prisão em Colmeia, no mesmo Estado, depois de 70 dias detido.

Segundo o advogado Paulo Ricardo Rott Brazeiro, o atacante ficou abalado com a prisão, até com o rumo que sua carreira tomou, mas não descuidou do preparo físico em nenhum momento. O processo continua em trâmite normal, com desfecho previsto para até o fim deste ano, quando aí sim, terá uma sentença condenatória ou não.

“O Jobson está focado em voltar ao futebol”, disse Brazeiro, que comemorou a liberdade nas redes sociais ao som de “Let it go”, do filme Frozen, da Disney. “Ele é um futebolista nato. O que ele sabe fazer é jogar futebol. Evidentemente que ele pensa em voltar a jogar, não só porque sabe, mas é de onde provém a manutenção dele e da família.”

Suspensão da Fifa

Mas a tornozeleira eletrônica não é o único problema que atualmente impede Jobson de voltar a jogar. O atacante foi suspenso por quatro anos pela Fifa por ter se recusado a fazer exame antidoping em 2014, ainda quando atuava pelo Al-Ittihad, da Arábia Saudita. O gancho termina em março de 2018.

O staff de Jobson é otimista e garante que muitos clubes ainda estão interessados no futebol do jogador. Sua volta ao futebol também não seria apenas por dinheiro, mas sim pelo prazer de entrar em campo novamente.

No fim de 2009, Jobson admitiu pela primeira vez o uso de cocaína. O jogador foi flagrado em exame antidoping em dois jogos do Campeonato Brasileiro e, na época, assumiu que havia “ficado empolgado com uma atriz”. Na ocasião, foi suspenso por seis meses. Um novo flagrante o baniria para sempre do esporte de acordo com as leis antidoping.

Técnico no melhor momento da carreira de Jobson, no Botafogo em 2010, René Simões é um tanto mais cético quanto ao retorno do jogador. Mais do que isso, o hoje coach esportivo acredita que é preciso ter mais cuidado com a formação de jovens jogadores. Segundo René, falta orientação em casa, no clube e até nas federações.

“É toda uma estrutura que precisa ser repensada. O futebol atinge todas as camadas sociais e, claro, as mais pobres e as mais vulneráveis. Sabemos que os problemas sempre começam com o álcool e depois parte para drogas mais pesadas. O jovem vem de uma família sofrida, depois passou por clubes em sua formação que não puderam dar condições melhores e faltou suporte realmente. Foi um talento perdido.”

Carro de Jobson capota três vezes e cunhado do jogador morre no local

EsportesR7 no YouTube. Inscreva-se

 

 

/