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Cosme Rímoli - Blogs
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O maior fracasso da década no Flamengo: Vidal. Da euforia pela chegada do midiático chileno à saída pela porta dos fundos

Aos 35 anos,o chileno não teve vigor físico para ser o grande líder bicampeão da Copa América e que brilhou na Juventus, no Bayern. A expectativa se transformou na mais profunda desilusão. Foi para o Athletico Paranaense

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli


A falta de explosão muscular fez com que Vidal não fosse o líder que o Flamengo esperava. Tremenda desilusão
A falta de explosão muscular fez com que Vidal não fosse o líder que o Flamengo esperava. Tremenda desilusão

São Paulo, Brasil

O Flamengo bem que tentou.

Mas não houve como disfarçar seu maior fracasso nos últimos anos.

A contratação que deveria ter sido midiática, trazer um grande ídolo mundial, capaz de se tornar o líder inquestionável do bilionário elenco, que montou para dominar a América do Sul e ser bicampeão mundial.

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Só que os dirigentes pensaram muito mais no impacto do nome e não consultaram treinador nenhum. E o contrataram, esperançosos.

O problema básico é que o carisma, o porte atlético, a personalidade e o corte de cabelo moicano continuavam os mesmos.

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Mas o rendimento físico, a explosão muscular, a intensidade do futebol, que o levaram do Colo-Colo para Bayer Leverkusen, Juventus, Bayern de Munique, Barcelona e Inter de Milão, não existiam mais.

A contratação deveria ter sido feita, se o Flamengo pudesse, quando Vidal se apaixonou pelo Flamengo. Na Copa do Mundo de 2014. Ou seja, nove anos atrás. Não no ano passado. Ela foi feita com oito anos de atraso.

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"Estive no Maracanã na Copa de 2014, seria lindo estar lá com a torcida do Flamengo. Sim, eu gosto disso [do calor da torcida]. Espero poder jogar no Flamengo, seria um sonho", declarou o volante, em 2018, em entrevista ao canal Pilhado.

Só que, no Mundial do Brasil, era jogador da Juventus, comprado por 10,5 milhões de euros, atuais R$ 56,4 milhões. Apesar dos 27 anos, era desejado pelo Bayern de Munique, que acabou por contratá-lo por 37 milhões de euros, cerca de R$ 198 milhões.

Vidal foi o líder da melhor geração do Chile na história. Bicampeã da Copa América
Vidal foi o líder da melhor geração do Chile na história. Bicampeã da Copa América

O Barcelona investiu 20 milhões de euros, R$ 107 milhões, e o contratou, aos 31 anos. O rendimento já não foi o mesmo. O chileno foi para a Inter de Milão pelo valor "simbólico" de 1 milhão de euros, cerca de R$ 5,3 milhões.

Aos 33 anos, sua queda técnica drástica ficou evidenciada. Ele sempre dependeu de sua força física e não conseguia render no exigente futebol europeu.

A personalidade, no entanto, continuava a mesma, forte, contestadora. Não aceitava o banco de reservas. 

Os conflitos eram imensos entre ele e a direção da Inter.

Até que o Flamengo resolveu buscá-lo. 

Ideia do vice-presidente Marcos Braz e aceita, imediatamente, pelo presidente Rodolfo Landim. A diretoria em geral ficou entusiasmada. Assim como grande parte da mídia carioca. E, principalmente, a torcida.

Não houve um acompanhamento detalhado dos seus últimos desempenhos na Itália.

A imagem que ele deixou grudada na retina dos dirigentes flamenguistas, a do grande líder do Chile, bicampeão da Copa América, e de pentacampeão italiano, tricampeão alemão e campeão espanhol, não correspondia à realidade.

Vidal conseguia liderar um Bayern histórico, fantástico. Tricampeão da Alemanha
Vidal conseguia liderar um Bayern histórico, fantástico. Tricampeão da Alemanha

Toda a felicidade de Landim e Braz passou rapidamente, orgulhosos por terem vencido o leilão com o Boca Juniors.

Fernando Felicevich, empresário argentino, e André Cury, agente brasileiro, fecharam a transação. Entre contrato, luvas e bônus, Vidal receberia, de julho de 2022 a dezembro deste ano, R$ 1,2 milhão a cada 30 dias. Com multa rescisória do valor devido, se o clube decidisse dispensá-lo. Ou ele ir embora.

Festa apoteótica na apresentação.

"Hoje se torna realidade um sonho que tive por toda a minha vida. Agora sou Mengão", postou o chileno em julho de 2022.

Mas bastou um ano e toda a expectativa virou frustração.

Dorival Jr., Vitor Pereira até que foram ao limite. Tentaram de todas as formas encontrar um esquema que favorecesse o carismático veterano. Só que era evidente que o time perdia força, ficava espaçado, Vidal não conseguia preencher seu espaço delimitado, não ajudava, com a intensidade necessária, à zaga. E não armava. Muito menos era aquela presença surpreendente na área adversária, que tanto marcou sua carreira.

A esperança do chileno foi a contratação do argentino Jorge Sampaoli. O treinador que fez do Chile bicampeão da América. Com Vidal fundamental.

Mas foi aí que a comparação ficou mais cruel.

Sampaoli assumiu um elenco de estrelas, mas desequilibrado, sem confiança, com quatro títulos perdidos em seguida.

Conversou com Vidal, o queria líder do elenco, como havia feito com o Chile em 2015 e 2016. Fez um programa especial de preparação física para o chileno. Só que ele não conseguia render. Sampaoli foi sincero.

Vidal estava atrás de Victor Hugo, Pulgar e, principalmente, Allan, contratado para ser titular absoluto. 

Viraria, de vez, reserva dos reservas.

Vidal, irritado com a reserva, atira a chuteira no chão. O chileno não suportava mais ficar sem jogar
Vidal, irritado com a reserva, atira a chuteira no chão. O chileno não suportava mais ficar sem jogar

Uma figura surgiu para evitar mais uma briga pública de Vidal com dirigentes e treinadores. Alexandre Mattos. O executivo do Athletico soube da situação.

O chileno atuou apenas em seis jogos no Brasileiro, não poderia atuar em sete partidas, o que inviabilizaria sua negociação com clubes do país. Ou seja, estava apto a atuar no Campeonato Nacional. Na Libertadores, o Athletico pode fazer até cinco trocas de atletas nas oitavas. O único impedimento estava na Copa do Brasil.

Mas o investimento valeria a pena.

A aposta foi feita.

O Athletico Paranaense pagará salários de R$ 250 mil até dezembro deste ano.

Vidal saiu discretamente do Rio.

E já está em Curitiba.

Os dirigentes cariocas evitam falar sobre o chileno.

Admitir que ele foi o maior fracasso da atual diretoria.

Esse é o grande problema quando contratações são feitas apenas por lembranças, por expectativa de quase uma década atrás.

No clube, ele fez apenas 51 partidas, a esmagadora maioria saindo do banco de reservas. Marcou três gols e deu duas assistências.

Pouco ou quase nada contribuiu para a conquista da Libertadores e da Copa do Brasil de 2022.

O Vidal que o Flamengo esperava ter era o de 2014.

Não o de 2023...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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