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No jogo da caxumba e dos penais, o Brasil elimina o Paraguai por 4 X 3

Sem Richarlison, isolado por causa da "papeira", o ataque de Tite desperdiça inúmeras chances mas, no sufoco, Alisson espalma logo a cobrança inicial

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Alisson Becker e a defesa, nos penais, que salvou o Brasil do tombo
Alisson Becker e a defesa, nos penais, que salvou o Brasil do tombo Alisson Becker e a defesa, nos penais, que salvou o Brasil do tombo

Inacreditável que, em 2019, um profissional do Futebol, na Inglaterra desde 2017, titular da seleção do Brasil, em plena véspera de uma partida crucial, diante do Paraguai, nas quartas-de-final da Copa América, seja diagnosticado como paciente de caxumba. Isso mesmo, a caxumba, uma doença vulgarmente chamada de “papeira”, oficialmente erradicada no País desde a imunização obrigatória, datada de 1996. Uma doença transmitida por vírus. E onde terá o indigitado atleta, Richarlison, contraído a tal caxumba?

A caxumba, numa gravura do século XVIX
A caxumba, numa gravura do século XVIX A caxumba, numa gravura do século XVIX

Particularmente contagiosa a “papeira”. Com um período de incubação de 15 até 25 dias. E a transmissão acontece, habitualmente, pela saliva, via perdigotos, exatamente nos últimos dias da incubação e/ou nos primeiros da eclosão da moléstia. Ou seja: é probabilíssimo que, inclusive, nas brincadeiras dos treinamentos, nos abraços de celebração dos gols do Brasil, Richarlison já tenha contaminado uma fartura dos seus companheiros de elenco. Pior: é possível que vários de seus colegas, ainda assintomáticos, já tenham passado a caxumba adiante. Uma epidemia? A palavra "incrível" não exprime...

Richarlison, o desalento pelo ataque de uma doença de antigamente
Richarlison, o desalento pelo ataque de uma doença de antigamente Richarlison, o desalento pelo ataque de uma doença de antigamente

Imediatamente, o comando médico da delegação da CBF irrompeu atrás de uma solução paliativa, a pós-vacina. De acordo com a Fiocruz e o seu Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos de Manguinhos/RJ, se trata, porém, de um expediente apenas capaz de controlar a disseminação dos riscos. No máximo, a pós-vacina evita a proliferação dos suscetíveis e protege a comunidade-alvo de eventuais exposições no futuro. Tradução: foi com um olho na bola, e até mais preocupados com um certo Paramyxovirus, que os pupilos de Adenor Tite Bacchi aterrissaram, nesta noite de 27 de Junho, na Arena do Grêmio, para um duelo com a “Albirroja”, cuja havia despachado o Brasil, numa mesma fase de quartas, nos penais, nas duas edições anteriores da competição.

Paraguai, a união antes de o jogo principar
Paraguai, a união antes de o jogo principar Paraguai, a união antes de o jogo principar

Bastou a divulgação da escalação dos onze comandados de Eduardo Berizzo para se vislumbrar de que maneira a “Albirroja” se comportaria. A estruturação num sistema 4-5-1, a equipe fechadíssima na sua meia-cancha, chutes esporádicos à frente, na procura da velocidade de Derlís González – que, aliás, atua pelo Santos. No caso de uma igualdade no tempo normal, o presente regulamento da Copa apenas prevê uma prorrogação das semis em diante. E, assim, Berizzo se empenhou em arrastar o placar de 0 X 0 até os acréscimos de praxe. Buscar o gol, somente na chance extemporânea de uma falha da “Canarinho”. E o Brasil generosamente colaborou com o Paraguai.

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Tite, a falta de pontaria e um sofrimento desnecessário
Tite, a falta de pontaria e um sofrimento desnecessário Tite, a falta de pontaria e um sofrimento desnecessário

Primeiro, exagerou nos erros de passe e nos toquezinhos inúteis à frente da meia-lua na “Albirroja”. Depois, numa distração conjunta de Marquinhos e de Thiago Silva, aos 29’, pelota que caiu com Derlís, que desferiu um torpedo quase cara-a-cara, que Alisson espalmou praticamente no susto, a vigésima tentativa de arremate contra a sua meta desde a estréia diante da Bolívia, e a única de fato perigosa. Enquanto isso, a ofensiva de Tite & Cia. esbarrava no seu próprio trança-trança e numa sólida muralha de guaranis.

Gatito Fernández, o herói do Paraguai no tempo normal
Gatito Fernández, o herói do Paraguai no tempo normal Gatito Fernández, o herói do Paraguai no tempo normal

O arqueiro Gatito Fernández, do Botafogo do Rio, catava tiros sem potência. Então, aos 54’, num instante inspirado de penetração, uma enfiada de Philippe Coutinho, sobre a linha da área o ex-corinthiano Balbuena aterrou Roberto Firmino. Depois da sua inevitável verificação, no VAR, o árbitro Roberto Tobar, do Chile, acertadamente indicou que havia acontecido uma falta, não um pênalti. Mas, expulsou o becão. Na tribuna, Neymar remoía: estivesse no jogo, seria ele o encarregado. Daniel Alves cobrou mal. O drama se exacerbou, a “Albirroja” inteirinha concentrada na proteção de Gatito. E Tite se obrigou a trocar Allan, que substituía o suspenso Casemiro, pelo mais ofensivo Willian.

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Neymar, carra amarrada na tribuna
Neymar, carra amarrada na tribuna Neymar, carra amarrada na tribuna

Aos 73’, Gabriel Jesus desperdiçou o tento salvador a três metros de Fernández. Aos 76, Éverton Cebolinha perdeu do bico da área pequena. Aos 83’, Tite trocou Dani Alves por Lucas Paquetá. Ou uma aposta feliz ou um disparo no pé. Nova intervenção maravilhosa do arqueiro aos 88’, o bólido cruzado de Paquetá. Aos 90’, bólido de Willian na base do poste direito. Por causa do VAR, ainda sobrariam outros oito minutos de sufoco. Mas de 0 X 0. À loteria cruel das onze jardas. E às estatísticas que, de repente, passavam a favorecer Gatito: pelo Botafogo, 7 defesas em 19 oportunidades.

A celebração, depois da cobrança decisiva de Gabriel Jesus
A celebração, depois da cobrança decisiva de Gabriel Jesus A celebração, depois da cobrança decisiva de Gabriel Jesus

Alisson aliviou ao espalmar logo a cobrança inicial de Gustavo Gómez. Uma tolice de Roberto Firmino, que atirou a bola em Liverpool, na sede do seu clube, na Inglaterra, ainda propiciou esperanças à "Albirroja". Derlís, porém, bateu mal, Gabriel Jesus bateu bem, e o Brasil se safou, 4 X 3. Agora, que venha o vencedor de Argentina X Venezuela. Melhor do que a caxumba.

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