Cosme Rímoli Apagar os rastros da passagem do problemático Ceni. Brigar por vaga na Libertadores. Missão de Dorival Júnior, novo técnico do São Paulo

Apagar os rastros da passagem do problemático Ceni. Brigar por vaga na Libertadores. Missão de Dorival Júnior, novo técnico do São Paulo

Depois de seis anos, o mesmo enredo: Dorival substitui Rogério Ceni, mas com o status de técnico campeão da Libertadores. Dorival vai ganhar R$ 800 mil mensais. A primeira tarefa é salvar o clube na Copa do Brasil

  • Cosme Rímoli | Do R7

A história se repete. Depois de seis anos, Dorival assume o lugar que era de Rogério Ceni

A história se repete. Depois de seis anos, Dorival assume o lugar que era de Rogério Ceni

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Fim da guerra de egos.

E impor um esquema tático definido, simples, que tire o melhor dos jogadores.

Nada de ficar adaptando uma forma de atuar para cada adversário, como se estivesse treinando o elenco do Manchester City, e não o do São Paulo.

Ou seja, Dorival Júnior, que foi contratado até o fim de 2023, chega para fazer tudo ao contrário em comparação ao egocêntrico Rogério Ceni.

As conversas para que o contrato fosse fechado foram diretas, sem clima tenso. Dorival Júnior foi direto nas suas pretensões salariais.

Ele quis receber o mesmo que Ceni ganhava: R$ 800 mil mensais, mais bônus por títulos.

Dorival chega com outro status ao Morumbi.

Na sua primeira passagem, entre 2017 e 2018, ele não era campeão da Libertadores da América, título que conquistou no ano passado, no Flamengo.

E perdeu o cargo por falta de apoio do ex-presidente Leco.

Dorival começou 2023 muito disposto a voltar a trabalhar.

Mas sabe que ocupa agora outro status como treinador.

Recebeu sondagens do Coritiba, era muito citado no Santos, no Vasco, no Botafogo.

Mas ele queria um clube mais estruturado, mais pronto para que pudesse fazer um trabalho buscando títulos. E não apenas escapar do rebaixamento.

Dorival ficou magoado na primeira passagem pelo São Paulo. 

Ele também substituiu Rogério Ceni. Alguns motivos se repetiam: o péssimo ambiente que Ceni criou com os dirigentes, os fracos resultados do time. E, para piorar, a equipe estava na zona de rebaixamento.

Leco não deu grande apoio a Dorival. E sua passagem pelo São Paulo foi breve e infrutífera
Leco não deu grande apoio a Dorival. E sua passagem pelo São Paulo foi breve e infrutífera Reprodução/Twitter

O então presidente Leco fez um desmanche no elenco, vendendo jogadores fundamentais para Ceni. O executivo de futebol do time, Raí, tentou apaziguar os dois lados. Não conseguiu. O ídolo Ceni, que serviu como cabo eleitoral para o presidente, foi mandado embora. E embolsou R$ 5 milhões de multa. E jurou que nunca mais trabalharia no São Paulo com Leco na presidência. Cumpriu o acordo.

Ceni foi novamente cabo eleitoral, só que, desta vez, de Julio Casares.

O desgaste foi intenso, com brigas com jogadores, indefinição de esquemas táticos, cobranças dos atletas e da diretoria pela imprensa. E, principalmente, resultados frustrantes.

O medo silencioso de Casares é que o São Paulo brigue neste Brasileiro para não ser rebaixado.

E, como seu relacionamento com Ceni estava deteriorado, decidiu mandá-lo embora e pagar a multa de R$ 1,6 milhão, ou dois salários.

O coordenador Muricy Ramalho, que poderia tentar acalmar os ânimos, estava fora de combate. Sua arritmia voltou, ele fez uma série de exames. E foi obrigado a descansar em casa.

Há até a possibilidade de que ele nem volte a trabalhar no São Paulo. E de que cuide da saúde. Embora pareça jovial, Muricy Ramalho já tem 67 anos.

Dorival começa a trabalhar hoje.

Vai ter seu primeiro contato com os atletas.

Perceber quão afetados psicologicamente estão com a cobrança para que o time jogue melhor, para que retomem a confiança e, de maneira prática, sobrevivam na Copa do Brasil, já na terça-feira (25), em Itu, depois de um frustrante 0 a 0 no Morumbi.

Dorival quer assumir o time na partida contra o América Mineiro, no sábado (22).

Casares está empolgado com a firmeza de Dorival.

O treinador está muito disposto a dar a volta por cima.

Ele ficou magoado demais com a dispensa do Flamengo, após ter sido campeão da Libertadores e da Copa do Brasil. Sentiu que o clube não queria renovar seu contrato porque já havia entrado em contato com Vítor Pereira.

Embora tenha assinado contrato apenas até dezembro deste ano, quando deveria acabar a passagem de Casares pelo São Paulo.

Dorival,  campeão da Libertadores. Apesar da dispensa do Flamengo, chega em outro patamar no Morumbi

Dorival, campeão da Libertadores. Apesar da dispensa do Flamengo, chega em outro patamar no Morumbi

Reprodução/Twitter

Mas o dirigente conseguiu a mudança nos estatutos e é mais do que favorito à reeleição, ficando no cargo até dezembro de 2026.

Daí o acordo verbal para a renovação automática de contrato de Dorival para dezembro de 2024. Desde que o treinador e o clube queiram, evidentemente.

Mal foi anunciada a contratação de Dorival Júnior, o clima mudou.

Até as organizadas, principalmente a atuante Independente, estão mais calmas.

E garantem que vão apoiar o novo treinador.

O objetivo de Casares passou de sobreviver ao rebaixamento a conquistar uma das vagas na Libertadores de 2024. O que nem Rogério Ceni conseguiu, além de não ter ganhado nenhum título.

Amigos garantem que Dorival está "mais animado do que nunca".

A esperança da direção é começar uma nova era no sofrido Morumbi...

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