Técnico do Barcelona diz que Supercopa é disputada na Arábia Saudita por dinheiro

O técnico do Barcelona, Ernesto Valverde, não tentou encobrir as razões que levaram a Ral Federação Espanhola de Futebol a levar a Supercopa para a Arábia Saudita, reconhecendo nesta quarta-feira que os clubes estão lá por dinheiro.

Valverde fez seus comentários um dia antes de o Barcelona enfrentar o Atlético de Madri pelas semifinais da reformulada competição, que está sendo disputada pela primeira vez na Arábia Saudita graças a um lucrativo acordo de três anos firmado pela federação espanhola, apesar das críticas de ativistas de direitos humanos.

"Eu sei que muito se fala sobre o que acontece aqui, mas você precisa entender que hoje o futebol é uma indústria", afirmou Valverde. "Sempre existe a necessidade de se encontrar novas fontes de receita. É por isso que estamos aqui".

O treinador disse que preferia a manutenção do formato antigo da competição, quando apenas o campeão do Campeonato Espanhol e o vencedor da Copa do Rei participavam, com a final sendo realizada em jogos em casa e fora, na Espanha.

"Não é a mesma coisa que jogar em casa, mas aqui estamos nós", disse Valverde. "Se eu pudesse escolher, preferiria o formato antigo, mas é a federação que toma essas decisões".

A Supercopa também foi disputada no exterior na última temporada, quando o Barcelona venceu o Sevilha em Tânger, no Marrocos, em uma final de jogo único. Dessa vez, porém, envolve quatro times, sendo os finalistas da Copa do Rei e os outros dois times mais bem colocados no Campeonato Espanhol na temporada passada entre os clubes que não decidiram o torneio mata-mata.

O acordo fechado pela federação foi avaliado em 120 milhões de euros (aproximadamente R$ 540 milhões). Além disso, a entidade afirmou que o acordo ajudará a Espanha em sua tentativa de sediar a Copa do Mundo de 2030 em uma candidatura conjunta com Portugal.

A decisão de jogar na Arábia Saudita foi contra a indicação do Presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, para que os times de futebol europeus não jogassem em países "onde os direitos básicos das mulheres não são respeitados."

A Anistia Internacional organizou um pequeno protesto pacífico em frente à embaixada da Arábia Saudita em Madri nesta quarta-feira para pedir a libertação de mulheres ativistas que lutam por seus direitos no país asiático.