China

Silvio Lancellotti Tóquio dia -2 - No Futebol Feminino, uma estreia promissora do Brasil

Tóquio dia -2 - No Futebol Feminino, uma estreia promissora do Brasil

Venceu a China por 5 X 0. Começou arrasador, fez 2 X 0 em menos de 25', daí relaxou bastante e sofreu uma ameaça de reação. Mas, a treinadora Pia Sundhage mexeu no time e o sucesso foi merecido.

Final de jogo, alegria do Brasil e desalento da China

Final de jogo, alegria do Brasil e desalento da China

@seleçãofeminina

Pois é, dia -2. Ainda nem aconteceu a ansiada festa de abertura da XXXII Olimpíada da Era Moderna, com os Jogos de Tóquio, no Japão. Aqueles que a pandemia da Covid-19 impediu que ocorressem na data prevista de 2020. De todo modo, apesar dos quase cem infectados dentre os mais de 11.500 atletas inscritos, 5.600 damas e 5.900 cavalheiros de 206 afiliadas ao COI, a competição já começou neste dia 21 de Julho de 2021. E mesmo com o empenho da cartolagem, determinada a enxugá-los, em comparação ao Rio/2016 os Jogos de Tóquio se inflaram razoavelmente. No Rio, por exemplo, foram 306 eventos em relação aos 339 de agora. Os Esportes eram 26, com 41 modalidades embutidas, e se ampliaram para 33 e 50. 

A abertura dos Jogos do Rio/2016

A abertura dos Jogos do Rio/2016

cob

Dos Jogos do Rio, obviamente, realizados dentro de sua  casa e sem a necessidade de enfrentar eliminatórias de classificação, o Brasil havia participado com uma equipe recorde de atletas, 465, ou 209 mulheres e 256 homens. A Tóquio viajou a sua maior delegação numa Olimpíada distante do seu território, 301 no total, 161 rapazes e 140 moças. E foi para 22 dessas garotas, as onze titulares e as onze reservas do Futebol Feminino que a briga se iniciou, mas não na capital do Japão. No Estádio de Miyagi, uma cidade cerca de 400 quilômetros além, mesmo numa pugna bem irregular bateram a China por 5 X 0.

Pia Sundhage

Pia Sundhage

CBF

Na história dos Jogos, desde a estréia da versão feminina do Ludopédio em Atlanta/1996, o Brasil já conquistou a prata em Atenas/2004 e em Pequim/2008, vice atrás dos Estados Unidos da sua presente treinadora, Pia Sundhage, uma sueca hoje nos 60 de idade. Também numa Copa do Mundo nunca havia subido ao topo do pódio. Foi bronze nos EUA/1999 e prata na China/2007. Resumo da ópera: sonhava abiscoitar o ouro inédito no Rio2016. Perdeu, na loteria dos penais, 3 X 4, para a Suécia de Sundhage que, na final, perdeu da Alemanha, 1 X 2. Na luta pelo bronze, o Brasil perdeu do Canadá, 1 X 2. Uma frustração brutal, pois o elenco masculino então arrebatou a medalha tão sonhada.

O elenco dos rapazes do Brasil, ouro no Rio/2016

O elenco dos rapazes do Brasil, ouro no Rio/2016

COB

Com um time, me perdoem a expressão, exageradamente tosco, a China não disporia de talento, ou sequer de força, para enfrentar um elenco muitíssimo superior. Impecável, no meio-campo, a liderança da veterana Formiga, baiana de 43 anos, na sua sétima Olimpíada. Preciosa no ataque a atuação de Marta, alagoana de 35, cinco vezes a melhor do mundo pela FIFA, mais uma “Bola de Ouro”, na sua quinta edição. Antes dos 25’ o prélio já estava 2 X 0, gols de Marta e Debinha, e poderia ter duplicado não fosse o excesso de firulas das garotas de Sundhage, que trocaram bolas excessivamente, na grande área da China, ao invés de desfrutarem a insegurança da arqueira Shimeng Peng, mera rebatedora.

Marta, na celebração de Brasil 1 X 0

Marta, na celebração de Brasil 1 X 0

@seleçãofeminina

No primeiro tempo, a China só exigiu uma intervenção de Bárbara enquanto a ofensiva do Brasil arrematava 11 vezes à meta da rival. Mas o Brasil das firulas desandou a falhar também na retaguarda. E na etapa derradeira, ainda que atabalhoadamente, a adversária assustou. Sem fôlego Formiga, muitos passes errados de Duda e Andressinha, a pelota não mais chegava na frente. E Sundhage resolveu trocar Duda por Andressa. Em três ocasiões Bárbara e a trave salvaram o Brasil. Sufoco desnecessário. Sundhage trocou Formiga por Júlia. E alívio brotou aos 74’, e numa virada espetacular de Marta, quase sem ângulo.

Foto oficial das 22 do Brasil

Foto oficial das 22 do Brasil

@TimeBrasil

Aos 79, num lance individual, Andressa sofreu um penal que permitiu à mediadora Kateryna Monzul fazer a sua história paralela ao recorrer ao VAR, pela primeira vez numa Olimpíada. Incisiva, personalista, Andressa pegou a pelota e a levou à marca fatal. Nada de permitir que a capitã Marta batesse. Andressa perpetrou os 4 X 0. E Bia fez  os 5 X 0 que no resumo do jogo significaram justiça. Há três grupos, de quatro nações, no Futebol Feminino de Tóquio/2020. Da chave do Brasil participam Neerlândia e Zâmbia. E como se classificam as campeãs, as vices e as duas melhores terceiras, é basicamente impossível que a seleção de Sundhage não prossiga às quartas de final. Deve pegar Suécia ou Estados Unidos.

Um cartaz co COI, com a denominação oficial dos Jogos de Tóquio

Um cartaz co COI, com a denominação oficial dos Jogos de Tóquio

Reprodução

PS: Quem me acompanhar, com assiduidade ou não, seja do bem ou seja desafeto, constatará em que nenhum texto eu utilizarei a expressão “Olimpíadas”. Acontece que sou um radical da precisão e aprendi que a palavra Olimpíada se refere a um intervalo de quatro anos, entre uma edição dos Jogos e outra. Por isso, singelamente, os meus artigos chamarão o que transcorrerá de hoje até dia 8 de Agosto, no Japão, de Jogos de Tóquio, ou de Os Jogos da XXXII Olimpíada da Era Moderna. Exatamente como o COI oficialmente denomina em seus documentos.


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