Silvio Lancellotti Por que foi boa a reeleição de Paulo Wanderley para presidente do COB

Por que foi boa a reeleição de Paulo Wanderley para presidente do COB

Por 26 votos a 20, o atual mandatário ganha a sua recondução ao cargo. PW cometeu os seus erros. Os seus adversários, porém, poderiam ser piores.

La Porta e PW. já reeleitos, em foto oficial do COB

La Porta e PW. já reeleitos, em foto oficial do COB

Miriam Jeske/COB

No começo do ano, na condição de antigo esportista e de sempre cidadão, com a mais íntegra das transparências e sem o menor constrangimento por me antecipar tanto, antes que eclodisse a Covid-19 e antes que se adiassem os Jogos de Tóquio, manifestei simpatia pela candidatura de Alberto Murray à presidência do Comitê Olímpico do Brasil. Ele, neto de Sylvio de Magalhães Padilha e ex-presidente do Conselho de Ética do COB. Parecia cedo demais. A eleição ocorreria neste dia 7 de Outubro. De todo modo, me impressionou o projeto de Murray, a sua Agenda Positiva de conduta e de ações, a intenção exclusiva de valorizar os atletas acima das confederações, as confederações acima do COB. Sem dizer que fôra ele um implacável opositor dos desmandos do imperial e arbitrário Carlos Arthur Nuzman no trono da entidade.

Alberto Murray e o avô Padilha

Alberto Murray e o avô Padilha

Arquivo Pessoal AM

Murray batalhou insanamente nestes últimos meses, por todos os meios possíveis, do prosaico boca-a-boca até os modernosos zooms e quetais. Congregou apoios, obteve a promessa de um suposto carreador de votos, que seria o seu vice, Mauro José da Silva, do Pugilismo. Um ingênuo equívoco, aceitar como parceiro um homem que dirige a sua entidade como um feitor de serviçais alvos de sovas. Registrou a sua chapa e, catapimba!, minutinhos depois do horário limite, o tal do Mauro jogou a própria toalha, se declarou sem condições de lutar e largou um Murray, atônito e perplexo, no beco da amargura. A postura vil, no entanto, apenas serviu para contaminar uma eleição que já prometia polêmicas. Pois ainda havia na contenda outras duas chapas. Além da natural tentativa de recondução da dupla Paulo Wanderley Teixeira e Marco La Porta, já no timão desde 23 de Março de 2018.

Um momento da votação

Um momento da votação

COB

Ofereceram seus nomes, ainda, Helio Meirelles Cardoso, do Pentatlo Moderno, ao lado do antigo velocista Róbson Caetano; e Rafael Westrupp, do Tênis, ao lado do antigo voleibolista de praia Emanuel Rego, Secretário Nacional do Esporte do Governo Federal, ironicamente demitido em Junho depois de sua esposa Leila Barros, voleibolista e agora senadora pelo PSB do Distrito Federal, criticar uma Medida Provisória efetivamente absurda, tanto que foi logo descartada. Nesse, perdão pelo vocábulo, rolo descomunal, Helio ostentava chances reduzidíssimas e, ao contrário, Westrupp fermentava. Se Paulo Wanderley, o PW, recebia muitas críticas por sofrer uma auditoria no departamento de Informática do COB, o súbito rival Rafel Westrupp advinha de uma administração terrível, no Tênis, aquela de Jorge Lacerda, inclusive condenado à prisão, numa instância inicial, por desvio de verbas.

Reprodução COB + FORTE

Verdade que Westrupp pareceu uma alternativa jovem e renovadora. Verdade que, depois de assumir o Tênis, as sujeiras desapareceram, ainda que várias apenas debaixo do tapete. Não foram bem digeridas, porém, suas ligações com a Família Picciani, da política fluminense, devastada pela “Operação Cadeia Velha”, da Lava Jato, que levou o patriarca Jorge a morar por um tempo na prisão. Cenário nebuloso, que se tornou fervilhante nos últimos dias, um chorrilho de idas e vindas e de inesperadas punhaladas nas costas. O PW já trotava, o vencedor, na reta final do páreo. Mas, acuado pelo RW, que desandou a acumular os chamados trânsfugas de última hora, teve que esporear a sua montaria para vencer de 26 votos a 20. Menos mal, menos mal, dirão os esperançosos partidários do “Jogo do Contente”. Como eu.


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