O silêncio de um fim-de-semana sem esportes nos Estados Unidos

Pela primeira vez, em 107 anos, não acontecem os rituais do "Opening Day" do Beisebol. E também estão absolutamente paradas a NBA, a NFL e a NHL

LA Dodgers

Nascido em 1947, um jornalista desde 1969 e articulista de esportes do prestigioso “The Washington Post” desde 1984, no mesmo ano Thomas Boswell publicou um livro delicioso, e não apenas para os fãs do Beisebol. Intitulado “Why Time Begins on Opening Day”, literalmente “Por quê o Tempo Começa no Dia da Abertura”, o livro trata tal data, ritualística nos Estados Unidos, como um efetivo símbolo de renascimento. Os norte-americanos idolatram basicamente quatro esportes e o Beisebol é precisamente aquele com a mais larga duração, vai de Março ao Outubro seguinte.

Boswell, com um prêmio que recebeu pelo seu trabalho nos Esportes

Boswell, com um prêmio que recebeu pelo seu trabalho nos Esportes

TheWashingtonPostArchives

A temporada do Basquete geralmente se desenrola entre Outubro e Junho. A do Hóquei no Gelo, essencialmente no mesmo intervalo. A do Futebol Americano, um pouco mais curta, acontece de Agosto a Fevereiro. Facílimo de perceber que a “Baseball Season” é a única dos EUA que se superpõe a dos outros três esportes. Circunstância que amplifica o significado do “Opening Day”. E que torna, paralelamente, muito mais doloroso o fato de o Beisebol, de modo inédito na sua história além de secular, iniciada com a fundação na MLB em 1903, ou 107 anos atrás, não registrar a celebração, em 2020, da sua ansiada Abertura, programada para este último final de semana de Março.

Beisebol na China, antes da interrupção

Beisebol na China, antes da interrupção

Jornal da Record - R7

Nem mesmo as duas Grandes Guerras comprometeram a empolgação do Beisebol profissional. Curiosamente, em oito ocasiões agruras e conflitos atrapalharam a “Baseball Season”. Greves de jogadores encurtaram as temporadas de 1972, de 1981, e impediram a decisão de 1994. Houve ameaças não concretizadas em 1973, 1976, 1980, 1985 e 1990. Todavia, os canhões, os tanques, os bombardeios e mesmo o dinheiro não dispuseram da potência maléfica e deletéria de um microrganísmo, o SARS-Cov-2, também conhecido como o “Novo Coronavírus”, o propagador de uma pandemia que bloqueou todas as quadras e piscinas, todas as pistas, todos os ginásios e gramados do planeta, inclusive o Torneio dos Candidatos do Xadrez.

O estádio dos LA Dodgers, abora em absoluto silêncio

O estádio dos LA Dodgers, abora em absoluto silêncio

LA Dodgers

Em 2019, quando nem um escasso habitante do universo sequer vislumbrava a sombra da possibilidade de existir o SARS-Cov-2, neste mesmo período, em quinze estádios e diante de 30 milhões de aparelhos de TV, torcedores dos 30 times da MLB vibraram com os seus astros favoritos nos arremessos ou nas rebatidas. Em seu lugar, prevalece um silêncio que incomoda e às vezes até apavora. Nem o antológico espírito olímpico se mostrou suficientemente poderoso para impedir o adiamento dos ansiados Jogos de Tóquio, agora tentativamente marcados para 23 de Julho de 2021. Não havia alternativa, e não havia outra escolha, porém. Esportes são sinônimos de Saúde. E valem todos os seus sacrifícios para que se derrote, de vez, o SARS-Cov-2.


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