Silvio Lancellotti Harry Kane carrega a Inglaterra à final da Euro2020 contra a Itália

Harry Kane carrega a Inglaterra à final da Euro2020 contra a Itália

Domingo, dia 11, o cotejo decisivo. Nesta quarta-feira, dia 7, a seleção de Gareth Southgate sofreu para derrotar, numa prorrogação e na rebatida de um penal, a corajosa Dinamarca. 

A euforia dos pupilos de Southgate pelo seu desembarque na decisão de Wembley

A euforia dos pupilos de Southgate pelo seu desembarque na decisão de Wembley

@Euro2020

Em 1996, inusitadamente, três companheiros de seleção, na Inglaterra, estrelaram um super-bem-humorado comercial da rede Pizza Hut. No filme, enquanto Stuart Pearce e Chris Waddle saboreavam tranquilamente os seus pedaços, um terceiro personagem, de cabeça escondida em um saco de papel, penava para comer o dele. Até que tirou o saco e o seu rosto se revelou: Gareth Southgate. De comum, entre os três, um infortúnio. Pearce e Waddle tinham queimado penais, contra a Alemanha, na Copa da Itália/1990. E seu colega camuflado acabara de perder a batida que custaria a eliminação dos britânicos, diante dos mesmos tedescos, na EuroCopa daquele 1996, e lá dentro do seu Reino Unido.

O camuflado Southgate, um pênalti perdido e o pedaço de pizza

O camuflado Southgate, um pênalti perdido e o pedaço de pizza

Reprodução

Treinador da equipe dos “Três Leões” desde Setembro de 2016, nesta quarta-feira, 8 de Junho de 2021, Southgate desembarcou nas semis da Euro2020 depois de derrotar a “Mannshaft” por 2 X 0 e de a sua retaguarda não sofrer um único tento em cinco partidas. De novo em casa, e no estádio de Wembley, o templo enciclopédico da pátria na qual nasceu o Futebol, a Inglaterra permitiu um gol da rival mas se livrou da praga do pênalti e superou por 2 X 1 a Dinamarca e se credenciou a desafiar a Itália, domingo, dia 11, pelo troféu da competição. Dona de um bronze na Euro longínqua de 1968, logo depois de abiscoitar o Mundial caseiro de 1966, a Inglaterra também chegou às semis de 1996, quando não houve a disputa do terceiro lugar. Aliás, já não existia desde o ano de 1984.


Eis a ficha técnica e uma síntese da porfia:

Southgate, hoje, classificado à final da Euro2020

Southgate, hoje, classificado à final da Euro2020

@Euro2020

INGLATERRA 2 X 1 DINAMARCA
(1 X 1 no tempo normal, 1 X 0 na prorrogação)
Londres, Inglaterra, Wembley Stadium
Público: 64.950 presentes/72.000 ingressos à venda
Árbitro: Danny Makkelie (Neerlândia)

Gols: Kjaer/con, Harry Kane X Damsgaard

Ó Príncipe William, eufórico nas tribunas de Wembley

Ó Príncipe William, eufórico nas tribunas de Wembley

@Euro2020

Num Wembley que não superlotou apenas em respeito às regras de proteção anti-Covid-19, não faltaram o Príncipe William, herdeiro do trono do Reino Unido, e o primeiro-ministro Boris Johnson – este, devidamente uniformizado com a camisa dos “Três Leões”. E ambos sofreram muito com a dificuldade que o elenco de  Gareth Southgate teve para perfurar a fortaleza rubra da “Danamyte” de Kasper Hjulmland. Pior: depois dos inevitáveis estudos, o elenco de vermelho se mostrou capaz de perturbar, bastante, a Inglaterra.

Boris Johnson, o Premier do Reino Unido, com a camisa da sua seleção

Boris Johnson, o Premier do Reino Unido, com a camisa da sua seleção

@EURO2020

De fato, aos 30’, numa cobrança sensacional de infração, cerca de 30 metros, Mikkel Damsgaard desferiu um tiro em curva que a acrobacia elástica de Jordan Pickford foi incapaz de desviar, a Dinamarca à frente do placar, 1 X 0. Impossível mensurar um choque eventual nas expressões de Sua Alteza e do Premier. As câmeras de TV optaram, claro, por registrar a festa da torcida danesa, bem menor do que a local, e o contraste do desalento de Southgate na sua zona técnica da lateral do gramado. Impacto. A sua retaguarda fora enfim vazada e aquele fôra o único gol de falta, até então, em toda a Euro2020.

Detalhe do Gol de Damsgaard, Dinamarca 1 X 0 Inglaterra

Detalhe do Gol de Damsgaard, Dinamarca 1 X 0 Inglaterra

@Euro2020

Só que duraria pouco a euforia dos visitantes. Aos 39’, o ala Bukayo Saka investiu através do flanco direito e, na linha de fundo, cruzou rasteiro, no miolo da área pequena e na direção do artilheiro Raheem Sterling. A pelota não chegou a Sterling, porém. Na tentativa de impedir, Simon Kjaer, o capitão da “Danamyte”, desviou à própria meta. O arqueiro Kasper Schmeichel, o filho do Peter campeão da Euro1992, poderia ter se antecipado e desviado. De todo modo, 1 X 1. E a Inglaterra rumaria aliviada à conversa corretiva do intervalo.

O momento do tento contra de Kjaer, Inglaterra 1 X 1 Dinamarca

O momento do tento contra de Kjaer, Inglaterra 1 X 1 Dinamarca

@Euro2020

Permaneceu equilibradíssimo o jogo na etapa derradeira. Afortunadamente, nenhum trabalho para o árbitro Danny Makkelie, despercebido inclusive depois de o cronômetro se aproximar do desfecho do tempo regular. O mediador não se abalou, sequer, aos 74’, quando Harry Kane pediu um pênalti e Makkelie, corretamente, registrou uma falta anterior do atacante, no mesmo lance. E o neerlandês, um inspetor de polícia fora do Futebol, agiu com justo rigor, inclusive, ao determinar que haveria o acréscimo de seis nervosos minutos ao tempo normal. E, pior ainda, acabariam por ser sete os minutos da extensão.

O flagrante do momento em que Maehle derruba Sterling

O flagrante do momento em que Maehle derruba Sterling

@Euro2020

Inglaterra e Dinamarca ainda não tinham disputado uma prorrogação na Euro2020. Impossível especular de que maneira se comportariam num sétimo suplementar dentre catorze mata-matas na competição. Os “Três Leões”, de todo modo, retornaram ao prélio com a disposição além de multiplicada. E acuaram a “Danamyte” na sua metade do campo. Aos 104’, então, aconteceria uma situação que se desdobraria em três segmentos.

O momento em que Harry Kane desfruta a rebatida de Schmeichel

O momento em que Harry Kane desfruta a rebatida de Schmeichel

@Euro2020

Um) Como de costume, Sterling avançou, pela direita, perto da linha de fundo, e foi chargeado por Maehle. O mediador apontou a marca penal, infração que o VAR confirmaria mas que pareceu razoavelmente duvidosa. Dois? Harry Kane cobrou, Schmeichel saltou no canto certo e defendeu. Três) Infelizmente, todavia, para o arqueiro, a bola retornou até Kane, Inglaterra 2 X 1. À Dinamarca, logicamente, apenas sobraria a alternativa arriscada de se escancarar na retaguarda e de galopar atrás da igualdade a qualquer custo.

Phil Foden e Harry Kane, a comemoração dos 2 X 1

Phil Foden e Harry Kane, a comemoração dos 2 X 1

@Euro2020

Faltou potência, faltaram pernas e pulmões. Faltou-lhe alguém como Raheem Sterling, indubitavelmente o melhor da sua seleção e, talvez, o melhor da Euroa2020. Triunfo dos “Leões”, de fato dignos da simbologia. E honras, ainda, à Dinamarca, que sobrepujou dignamente o rude golpe da sua estreia, a parada cardíaca que acometeu o seu capitão Christian Eriksen em pleno gramado. Para o domingo, dia 11, fica a promessa de um combate fantástico entre a Inglaterra e a “Azzurra” de Roberto Mancini, que carrega uma preciosa invencibilidade de 33 porfias. Um clássico digno desta empolgante Euro2020.


A outra das semifinais, dia 6 de Julho:

Itália, a "Aquadra Azzurra", e a taça da EuroCopa

Itália, a "Aquadra Azzurra", e a taça da EuroCopa

@Euro2020

ITÁLIA 1 X 1 ESPANHA
(0 X 0 na prorrogação, 4 X 2 nos penais)
Londres, Inglaterra, Wembley Stadium
Público: 57.811 presentes/63.000 ingressos à venda
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)

Gols: Chiesa X Morata

Até na Euro2020 a presença da Covid-19

Até na Euro2020 a presença da Covid-19

@Euro2020

Acumuladas as pré-eliminatórias, uma primeira etapa de chaves, uma fase inicial de mata-matas, mais uma fase de grupos, os duelos das oitavas, os confrontos das quartas e ambas as semis, esta Euro2020 já apresentou 312 cotejos e registrou 966 gols, a média de 3,10. Edição de número 16 desde a sua criação em 1960, deveria ter-se encerrado em 12 de Julho de 2020. A pandemia a comprometeria. E, sem opção, a UEFA suspendeu a competição.

Wembley, o palco majestoso da grande decisão

Wembley, o palco majestoso da grande decisão

@Euro2020

Consequência lamentavelmente inevitável da atrapalhação que aconteceu, a Covid-19 empurrou as porfias da Euro2020 até 2021. Ainda assim, todavia, 6.201.405 pessoas, protegidas por radicais protocolos de segurança, puderam freqüentar os estádios, na média de 19.876. E, em relação ao batismo da competição, a UEFA adotou a solução mais lógica e mais justa, equivalente à da Olimpíada de Tóquio: nada melhor do que a Euro preservar o 2020 no sobrenome. A grande decisão desta edição ocorrerá no próximo domingo, dia 11 de Julho, no antológico Wembley Stadium de Londres, na Inglaterra.

A Inglaterra, agora em casa na sua primeira decisão

A Inglaterra, agora em casa na sua primeira decisão

@Euro2020

Artilheiros:
5 gols – Cristiano Ronaldo (Portugal), Patrick Schick (República Tcheca)
4 gols – Benzema (França), Forsberg (Suécia), Lukaku (Bélgica), Harry Kane (Inglaterra)
3 gols – Georginio Wijnaldum (Neerlândia), Robert Lewandowski (Polônia), Raheem Sterling (Inglaterra), Kasper Dolberg (Dinamarca), Haris Seferovic e Xherdan Shaqiri (Suíça)

Árbitros que mais apitaram:
4 jogos – Felix Brych (Alemanha) e Danny Makkelie (Neerlândia)
3 jogos – Antonio Mateu Lahoz (Espanha), Daniel Siebert (Alemanha), Anthony Taylor (Inglaterra), Sergei Karasev (Rússia), Cuneyt Çakir (Turquia), Fernando Rapallini (Argentina), Bjoern Kujpers (Neerlândia), Daniele Orsato (Itália), Michael Oliver (Inglaterra), Slavko Vincic (Eslovênia)


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