International Champions Cup 2018
Silvio Lancellotti A ICC e a chance de a Internazionale de Milão enfim levantar uma taça

A ICC e a chance de a Internazionale de Milão enfim levantar uma taça

Sem um título desde 2011, a esquadra italiana necessita, neste sábado, quatro gols de vantagem sobre o Atlético, em Madrid. Missão complicada...

A taça da International Champions Cup

A taça da International Champions Cup

ICC

Com o duelo entre a Internazionale de Milão e o Atlético de Madrid, termina neste sábado, dia 11 de Agosto, no Metropolitan Wanda da capital da Espanha, capacidade para 67.829 espectadores, a sexta edição da International Champions Cup, uma nova competição de pré-temporada que tem, no Brasil, a cobertura exclusiva, transmissões ao vivo, da Record News. Para arrebatar o título da ICC, a “Biscione” da Lombardia precisa bater os “Colchoneros” da Ibéria por uma diferença de quatro tentos. Claro, nada simples e nada fácil, tarefa quase impossível. O Futebol, de todo modo, conforme dizem por aí, costuma ser uma caixinha de surpresas.

O Wanda Metropolitan

O Wanda Metropolitan

Atlético de Madrid

Distribuída por 15 cidades dos EUA, por 7 da Europa e mais Singapura, a ICC congregou 18 clubes, 4 da Itália e 3 da Espanha, 1 de Portugal, 6 da Inglaterra, 2 da França e 2 da Alemanha. Numa formatação peculiar, com apenas 27 partidas, a cada time coube participar de 3 pelejas. Ao vencedor, os 3 pontos de praxe. No caso de igualdade em qualquer cotejo, o regulamento determinou que a decisão surgisse da disputa de penais, com 2 pontos ao ganhador e o restante ao perdedor. A soma dos pontos, numa tabela geral de classificação, definirá, nesta rodada derradeira, o conquistador do troféu. Mantém-se na ponta o Tottenham da Inglaterra, com 7 pontos e um saldo de 4 gols. A Inter soma 4 pontos com o saldo de um tento. Daí necessitar de um triunfo sobre o Atlético e da folga, coisa complicada, dos tais 4 gols.

A "Biscione". serpente mitológica da Inter

A "Biscione". serpente mitológica da Inter

Divulgação Internazionale

Fundada em 1908, por dissidência do Milan, mais antigo, datado de 1899 e cujos próceres, italianos muito radicais, repudiavam os não nativos da Bota, na sua história a Inter acumulou 18 scudetto, tantos como o “Diavolo”, bastante atrás, porém, dos 34 da Juventus de Turim. A “Senhora” do Piemonte, aliás, acabou de celebrar um inédito hepta, os sete troféus consecutivos. A “Biscione”, uma serpente mitológica, se orgulhava do seu penta, de 2006 até 2010. Ainda levantou a Coppa Italia em 2011. Todavia, desde então a Inter desconhece o prazer de qualquer galardão. A ICC talvez possa representar, no mínimo, um bom agouro, no mínimo alguma consolação.

Angelo Moratti, nos tempos áureos de 1964/65

Angelo Moratti, nos tempos áureos de 1964/65

Site Internazionale

No plano universal, em três ocasiões a Inter abiscoitou a Champions League da Europa: 1964, 1965 e 2010. Em duas, a Intercontinental de Clubes, 1964 e 1965. E ainda arrebatou o Mundial da FIFA em 2010. Sempre sob um único comando, aquele de família Moratti. De 1955 até 1968, o patriarca Angelo. E, de 1995 a 2013, o seu filho Massimo. Embora um potentado da indústria do petróleo, Massimo então deparou com uma proposta absurdamente alentada de um certo Erick Tohir, o correspondente a 1,5 bilhão de Reais. Sim, uma bagatela. Convenhamos, quem resistiria a essa rara tentação?

Erick Tohir

Erick Tohir

Site Internazionale

Indonésio, o irmão mais novo de Garibaldi Tohir, é, isso mesmo, um indonésio hoje com 53 de idade, batizado em honra de um herói da Itália, Erick tinha 43 e uma fortuna pessoal avaliada em 1,5 bi de dólares. A sua família era a dona da Adard Energy, uma empresa de raiz australiana, responsável pela maior usina hidrelétrica da Ásia. Erick, na verdade um playboy, oficialmente presidia o Manaka Group, um enorme conglomerado de mídia na sua pátria, e ainda brincava com esportes, proprietário do DC United da Major Soccer League e chefe de missão da delegação da Indonésia à Olimpíada de Londres/2012.

Zhang Jindong

Zhang Jindong

Site Internazionale

Efetivamente, Erick apenas havia aquecido o trono para a entrada em ação de um outro personagem insólito, Zhang Jindong, um patrimônio de 6 bi de dólares em uma China de administração, na teoria, comunista, graças ao sucesso descomunal da sua Suning Holdings, que fermentou, por exemplo, com a especulação imobiliária. Jindong possui 68,55% das cotas acionárias da “Biscione”. Erick possui os 31,45% sobrantes. Durante a sua gestão, desastrosa no Futebol, nove treinadores passaram pela agremiação até o desembarque, em 2017, de Luciano Spalletti, um antigo meio-campista meramente utilitário que se tornou mister em 1993, com o Empoli, no qual estacionou até 98.

Spalletti, no meio, em seus idos de La Spezia

Spalletti, no meio, em seus idos de La Spezia

Arquivo Pessoal SL

Em sua carreira como maestro de atletas, Spalletti subiu ao topo do pódio com a Roma, duas vezes a Coppa Italia em 2005 e em 2009, e fez um bom sucesso no Zenit de São Petersburgo, Rússia. Entre 2009 a 2014, conquistou o campeonato três vezes, a Copa em duas oportunidades. Daí voltou à Roma para o certame de 2016/17, e assumiu a Inter logo em seguida para se contentar com um quarto lugar na Série A e ao menos uma vaga na próxima CL. E o seu plantel é mesmo ultra-internacional. Dos 25 atletas que brigam por um posto dentre os titulares só existem quatro italianos: o beque Ranocchia, os armadores Gagliarini e Candreva, o avante Policano.

Spalletti, hoje, com o artilheiro Icardi

Spalletti, hoje, com o artilheiro Icardi

Site Internazionale

No chamado mercado de Verão a “Biscione” adquiriu os serviços de vários destaques do recente Mundial: o lateral Vrsaljko (Croácia), o volante Naingollan (Bélgica), mais o jovem atacante Lautaro Martínez (21, grande revelação da Argentina), o ala-coringa Kwadko Asamoah (de Gana, ex-Juventus), sem falar na pressão que exerce sobre Luka Modric, do Real Madrid, capitão da Croácia, eleito como o craque da Copa da Rússia. Spalletti também garantiu as continuidades de Miranda, beque da seleção de Tite, do artilheiro Icardi e do volante Brozovic, outro da Croácia, presenteado com um apê bem diante do estádio em que a Inter manda suas pugnas, o Giuseppe Meazza.

Brozovic, um apartamento bem pertinho do Meazza

Brozovic, um apartamento bem pertinho do Meazza

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