R7 Só Esportes Ceni 'se apequena' ao ir ao Fla. E explica 'repulsa' a técnicos do Brasil

Ceni 'se apequena' ao ir ao Fla. E explica 'repulsa' a técnicos do Brasil

Técnico optou por 'abandonar' o Fortaleza pela segunda vez em dois anos. Se ele pode fazer isso, por que times são criticados ao demitirem treinadores?

  • R7 Só Esportes | Felippe Scozzafave, do R7

Rogério Ceni foi confirmado como técnico do Flamengo nesta terça-feira (10)

Rogério Ceni foi confirmado como técnico do Flamengo nesta terça-feira (10)

Felipe Duest/Estadão Conteúdo - 10.11.2020

"Hoje, cumpriria meu contrato com o Fortaleza independentemente de qualquer coisa. Ano passado tive uma experiência e achei que, sempre falo que quando você muda de time no meio de uma temporada, não tem mais condições de reclamar quando te mandam embora. Apesar de ter cumprido o contrato, foi feito isso. Você vai aprendendo com o passar do tempo. Pretendo finalizar a temporada no Fortaleza, independente de proposta e depois sentar e conversar."

Foram essas as palavras de Rogério Ceni durante o programa "Bem, Amigos", do SporTV, ao ser questionado se aceitaria mudar de time já com a temporada em andamento.

Discurso bonito, mas que, na prática, se provou uma grande mentira.

Ceni conquistou quatro títulos e virou ídolo no Fortaleza

Ceni conquistou quatro títulos e virou ídolo no Fortaleza

Fortaleza

Um técnico que, apesar da pouca experiência, já é considerado um dos maiores da história do Fortaleza, não poderia virar as costas para o time que o projetou como treinador pela segunda vez em dois anos.

Não bastasse a traumática ida ao Cruzeiro, em 2019, trabalho em que argumenta ter sido sabotado e que, por isso, durou pouco mais de um mês. Como "recompensa" por essa suposta "puxada de pano", Ceni recebeu mais uma chance no Fortaleza.

Não decepcionou e, se em sua primeira passagem conquistou três títulos, na segunda voltou a levantar uma taça e, o mais importante, fez a equipe escapar sem qualquer tipo de susto do rebaixamento em 2019, algo que vinha repetindo em 2020.

No Cruzeiro, Ceni foi muito mal

No Cruzeiro, Ceni foi muito mal

Vinnicius Silva/Cruzeiro

Vinha, já que ele optou por mais uma vez por "abandonar o barco" para um desafio bem mais complexo. Bem diferente do que aceitou no ano passado, quando fracassou em evitar o rebaixamento do Cruzeiro. Agora, ele tem a missão (e até mesmo a obrigação) de conquistar títulos.

Assume um Flamengo que pouca gente tem dúvidas de que é o melhor time do Brasil, campeão nacional e da América. E com totais condições de repetir o que conseguiu Jorge Jesus em 2019. Mas que parece ter um vestiário ainda mais complicado do que o Cruzeiro tinha no ano passado, quando foi muito mal.

Mas mesmo que levante as três taças ainda possíveis na temporada, caso o Fortaleza termine o Brasileirão rebaixado, uma grande marca negativa será escrita na história do ex-goleiro. Mesmo que sua saída tenha sido "em comum acordo".

Aliás, com o clube em que ele brilhou "debaixo das traves", o São Paulo, Rogério não tem o que se preocupar, já que sequer recebeu um convite para assumir e dependia ainda da eleição presidencial para, aí sim, se tornar favorito a ser o técnico em 2021.

Isso se Fernando Diniz, o atual comandante tricolor, não conquistar nenhum título nos próximos meses. E aí que o cenário ficaria ainda melhor para ele. Idolatrado por 100% da torcida e apontado por muitos como o maior jogador da história do São Paulo, imagine o patamar que ele poderia atingir caso voltasse como técnico e fizesse seu time do coração encerrar uma incômoda fila de conquistas que perdura desde 2012.

Ex-goleiro era cotado para virar técnico por candidato à presidência do São Paulo

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Reprodução/Twitter

Mas ele escolheu um caminho diferente. Ao contrário de Muricy Ramalho, uma de suas grandes inspirações, que recusou até mesmo a seleção brasileira para não ter que romper seu contrato e, principalmente, sua palavra, Ceni aceita sim propostas maiores.

Nada que chegue a ser novidade no futebol, mas que, conforme as palavras dele próprio, "tira condições de reclamar quando te mandam embora". Se a cada oportunidade maior, ele aceita trocar, por que os clubes são tão criticados por mandarem seu técnicos embora quando enxergam também uma chance melhor? Talvez o fato dos estrangeiros estarem "tomando espaço" dos treinadores brasileiros não seja exatamente uma coincidência.

Como jogador, Rogério Ceni se tornou um ídolo maior do que qualquer clube brasileiro parece merecer. Como técnico, porém, ele se mostra "mais do mesmo".

É uma pena...

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