Campeonato Brasileiro

Cosme Rímoli Vitória do Corinthians não serve para disfarçar fracassadas invenções de Sylvinho. Técnico segue questionado

Vitória do Corinthians não serve para disfarçar fracassadas invenções de Sylvinho. Técnico segue questionado

Técnico segue dependendo do talento dos jogadores para colecionar vitórias. Contra o Fortaleza, abusou. Colocou Renato Augusto como atacante. Apesar de o Corinthians chegar ao sexto lugar, as críticas só crescem

  • Cosme Rímoli | Do R7

Sylvinho. A vitória contra o Fortaleza não escondeu o fracasso de mais uma improvisação

Sylvinho. A vitória contra o Fortaleza não escondeu o fracasso de mais uma improvisação

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

"Nós estamos conhecendo o elenco."

Esta frase de Sylvinho foi a mais comentada entre jornalistas e conselheiros importantes do Corinthians, após a sofrida vitória do time diante do Fortaleza, em Itaquera.

As críticas são porque ele assumiu a equipe em maio e, até agora, em novembro, não há o menor padrão tático. Nem com as chegadas de Renato Augusto, Roger Guedes, Willian e Giuliano, jogadores com grande potencial, o treinador não conseguiu dar estrutura tática confiável ao clube.

As vitórias ainda seguem dependendo de jogadas individuais dos atletas.

Sylvinho segue fazendo apostas, mudanças radicais sem aprofundamento nos treinamentos. Os testes se sucedem, transmitindo insegurança ao time, nítida. 

A da vez, ontem, foi Renato Augusto, segundo volante, como atacante adiantado, como referência no ataque, como um pivô. Enorme desperdício. E que não funcionou. Está claro que Jô não é mais o artilheiro que o Corinthians precisa. A idade chegou. Mas não tem cabimento escalar um segundo volante, talentoso, como atacante. 

O resultado foi um fracasso, tanto que o time melhorou muito quando o veterano Jô entrou. E mostrou como se atua como pivô, ao receber e deixar Cantillo à vontade para marcar o gol da vitória corintiana, aos 41 minutos do segundo tempo.

Tem sido constante. O Corinthians faz o primeiro tempo fraquíssimo, com as 'inovações do treinador'. E melhora no segundo, quando retoma sua estratégia convencional, com os atletas atuando nas suas posições. E resolvem a partida.

Sylvinho ficou irritadíssimo quando foi questionado sobre mais essa 'invenção' tática, desta vez contra o Fortaleza, que não deu certo.

"Eu tenho o entendimento, e muita gente com quem converso também, que o Renato pode fazer o falso 9, um tripé pelo lado esquerdo. São as características que o atleta empresta ao clube. Não vou negligenciar nenhuma. Eu coloco amanhã o Renato num time como atacante, ele faz dois gols, então ele serviu, agora valeu. Não acredito que seja só adaptação, é uma conexão inteira do time.

"O Renato empresta muita coisa, como os demais, cada um em seu talento. Enquanto enxergar possibilidades de potencializar o time dessa maneira, sim (pode usar). Não vamos fazer de colocar o Renato de lateral-esquerdo ou colocar o Giuliano de zagueiro. Vamos fazer como as coisas nos propiciam. Duas ou três funções que podem fazer. Quanto mais conhecermos o atleta, o clube, melhor.

"Temos cinco meses de trabalho."

O discurso do treinador não convence, assim como o futebol do Corinthians.

Cantillo comemora o gol decisivo. Depois de tabela com Jô, ele sim, atacante que atua como pivô

Cantillo comemora o gol decisivo. Depois de tabela com Jô, ele sim, atacante que atua como pivô

ETTORE CHIEREGUINI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente Duilio Monteiro Alves e o diretor de futebol, Roberto de Andrade, usam como desculpa para proteger o treinador, o fato de o clube, depois da vitória de ontem, ter chegado à sexta colocação no Brasileiro, encaminhando cada vez mais a conquista de uma vaga para a Libertadores.

Os conselheiros rebatem que os resultados estão chegando pelos jogadores, não pelo técnico. E que nem pensam em trocar Sylvinho, apesar da pressão externa.

E ganharam mais força, com o fraco futebol mostrado pelo Fortaleza. A explicação: o argentino Juan Pablo Vojvoda é defendido como um treinador com maior potencial para assumir o Corinthians. Só que ontem, mesmo com as experiências de Sylvinho, o time nordestino não jogou nada bem. Apesar da desigualdade nos elencos, faltou coragem para atacar. 

O Fortaleza, equipe sensação do Brasileiro, que chegou a ser vice líder, despencou, com a terceira derrota seguida, ontem. E já está em quinto. Mas luta pela inédita vaga na Libertadores.

Mesmo com a vitória, Sylvinho segue sua sina.

Questionado desde que chegou.

'Inovando' taticamente em cada partida.

Como o fracasso que foi o Corinthians ter Renato Augusto, excelente meio-campista, improvisado como atacante.

O que é desanimador, em relação à perspectiva de 2022.

Com o Corinthians mostrando futebol irregular, mesmo muito reforçado.

Mas o treinador segue defendido pela diretoria.

E, pelo fato de ser um ídolo corintiano.

Algo que ninguém pode negar...

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