Cosme Rímoli Vasco da Gama. A deplorável guerra sem mocinhos

Vasco da Gama. A deplorável guerra sem mocinhos

Eurico e Brant, triste duelo. Clube parou no tempo e deve mais de R$ 500 milhões

Vasco da Gama. A deplorável guerra sem mocinhos

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O sentimento de profunda depressão domina o Vasco. Desde as eleições para presidente, com os votos dos sócios, no dia 7 de novembro de 2017. Eurico Miranda é o personagem principal. Mas com a participação decisiva do seu maior inimigo, o empresário Júlio Brandt, em situações que beiram o surreal. A começar por um urna que estava em São Januário, naquele deprimente noite. A de número sete.

Com a urna de número sete sendo contabilizada, a vitória foi de Eurico. 2.111 votos contra 1.975 de Brandt. Mas o empresário questionou os votos que saíram de lá. Foram Dos 475 sócios que foram à São Januário e votaram na Urna 7, a sob suspeita, 428 eram partidários de Eurico Miranda. Só 10% deles — exatos 42 cruz-maltinos — optaram por Brant.

Foram duas as suspeitas. A primeira que os votos foram fraudados, já que apenas nesta urna, Eurico teve 90% dos votos. A segunda desconfiança é que ela reuniu a esmagadora maioria dos 691 sócios deveriam votar separadamente. Eles foram incluídos no quadro social do Vasco entre novembro e dezembro de 2015, período limite para que pudessem participar do pleito. Eurico Miranda foi apontado como  o responsável pela entrada de tantos sócios, no prazo final para a admissão para a eleição.

Ambas as chapas comemoraram vitória. E quase se agrediram ao final do pleito em São Januário. A questão foi parar na justiça. E ela deu ganho de causa a Brandt. A urna foi considerada 'viciada'. E os votos de 475 sócios foram anulados. 

A eleição no Vasco acontece em duas etapas. A primeira, que costuma ser decisiva, é a dos sócios. O vencedor tem direito a indicar 120 conselheiros. No caso, Brandt. O segundo colocado, Eurico, pode sugerir 30 conselheiros. Eles se juntam na eleição a mais 150 conselheiros natos. São 300 os eleitores. 

Nunca na história vascaína, quem perdeu a eleição dos sócios, acabou se tornando presidente. Eurico Miranda deveria ter convocado as eleições, no dia 27 de dezembro, quando valeu a postura da juíza Maria Cecília Pinto Gonçalves, da 52ª Vara Cível do Tribunal de Justiça, que invalidou a urna 7.

Vasco

O mandato de Eurico Miranda termina na próxima terça-feira.

Ele não só não convocou as eleições como esta sexta-feira, 12 de janeiro, começou e terminou digna de envergonhar os vascaínos.

Viaturas policiais foram à São Januário pela manhã. Elas foram investigar acusações de pessoas ligadas a Brant. A PM foi avisada que teria havido saques nos materiais esportivos e camisas, calções, chuteiras, bolas estariam sendo distribuídos para funcionários. Assim como computadores. Uma verdadeira baderna.

Foram conferir a queixa, o Boletim de Ocorrência que foi lavrado por um pedido de Brant. Ele garantia que saques aconteceram em São Januário. Funcionários levaram material do clube.

O que não foi confirmado.

Mesmo assim, Brant havia convocado uma coletiva. E fez várias denúncias.

"Estamos vendo venda de jogadores. Empresários estão sendo chamados para aumentar o salário dos jogadores da base por valores fora de mercado. Mostra o quão maldosa é a intenção. A preocupação não é pelo Vasco. Mas vamos trabalhar para reverter isso. Qualquer negociação vil, claramente prejudicial, será revertida.

"Fica o recado para os empresários e os gestores de empresas que fazem negociações com o clube num momento como esse. É até antiético você fazer negociações deste tipo, desta monta, na situação que o clube vive hoje. Qualquer um que tenha ética se negaria a fazer."

Vasco

Para ele, Eurico negociou jogadores importantes como Matheus Vidal ao Corinthians e Madson ao Grêmio, como represália à oposição. E também estaria oferecendo Paulinho, atacante de 17 anos. E que foi considerado a revelação do Campeonato Brasileiro de 2017.

Só a tese é deplorável. O presidente sabotar o próprio clube, encaminhá-lo para o rebaixamento, só para prejudicar o vencedor da eleição.

No começo da tarde, o assessor de Eurico, Ricardo Vasconcelos, foi à polícia acusar Brant de espalhar boatos mentirosos sobre os saques, que prejudicam o Vasco. Novo boletim de ocorrência acabou sendo lavrado.

Ao mesmo tempo, no site oficial do clube, um vídeo mostrava todos os departamentos. E que não houve saque algum.

No início da noite, mais vergonha para os vascaínos. Eurico deu a sua coletiva. E declarou que as vendas foram autorizadas pelo treinador Zé Ricardo. 

"Vocês agora vão falar com o presidente do Vasco. Antes, falaram com um irresponsável. Tem que separar as coisas. Não gostaria de estar aqui, mas esse irresponsável, leviano... e mais outras coisas. Se pensa que me atingiu... não. Está denegrindo o Vasco. Lamento. Quando digo que é irresponsável... Atingiu o Vasco. Primeiro, eles que fomentam essas denúncias. Material do Vasco desviado, jogando no ar acusações fortes... Tenho mais de 600 funcionários, a maioria humildes. Acusados de vender material.

"Como é que alguém (Brandt) pode propor que ninguém negocie com o Vasco. As empresas, os patrocinadores. Essa pessoa só pode estar querendo o mal do clube."

A situação é lastimável.

Situação e oposição baixaram o nível como nunca.

Quem perde é o Vasco da Gama.

"Eu recebi com R$ 700 e tantos milhões (de dívida) e está com R$ 500 milhões", declarou Eurico, com orgulho, em novembro. Sim, dívidas de meio bilhão de reais.

Toda sua tradição naufragou. Tem patrocínios de apenas R$ 12 milhões anuais. 

O clube não tem sequer um Centro de Treinamento para o time principal. O estádio São Januário infelizmente ficou ultrapassado. Com capacidade para pouco mais de 21 mil pessoas. 

Mesmo com todos os atos de violência dos últimos anos, as organizadas seguem com todo espaço. Fazendo o que querem no clube. E pior que elas seguem ligadas tanto à situação quanto à oposição. 

O Vasco está sendo massacrado.

Em uma guerra sem mocinhos...

Vasco deve R$ 500 milhões. Nada a comemorar. Só lamentar

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