Sampaoli aproveita demissão de Carille. E expõe dirigentes

O técnico argentino foi claro ao citar que só os treinadores pagam por fracos trabalhos. E que dirigentes correm, não assumem seus erros

Sampaoli não quer ficar no Santos em 2020. Mas deseja deixar legado

Sampaoli não quer ficar no Santos em 2020. Mas deseja deixar legado

@SantosFC

São Paulo, Brasil

Não é segredo em Santos.

Os dirigentes acreditam que será quase impossível a permanência de Jorge Sampaoli na Vila Belmiro.

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Ele segue muito decepcionado com o presidente José Carlos Peres. Esperava poder montar uma equipe para brigar para ser campeã da Liberadores.

Mas, com um elenco limitado, consegue fazer uma campanha empolgante no Brasileiro. A goleada por 4 a 1 no Botafogo ontem foi apenas mais um passo na direção da classifiicação do Santos para a Libertadores, na fase de grupos.

Está conduzindo o clube na terceira colocação isolada do Campeonato Nacional.

Mas terminará 2019 sem a conquista sequer de um título.

Sampaoli sabe que não dependeu dele. E sim da promessa não cumprida de ter um elenco com muito maior potencial que chegou às suas mãos.

Ele já procurou Peres para que o dirigente tire a multa de R$ 10 milhões, em caso do treinador ir embora antes de dezembro de 2020.

E qualquer situação que aconteça, ele aproveita para relembrar a participação fundamental dos dirigentes nos fracassos de treinadores. Como na demissão de Carille, ontem pelo Corinthians.

"Não acontece só no Brasil. Aqui um pouco mais, mas há muito movimento de treinadores.

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"Essa culpa aos treinadores como está acertada socialmente ou pelos meios de comunicação faz com que tudo fique sempre numa só pessoa.

"Às vezes os jogadores e dirigentes correm, porque sabem quem é o responsável pela adversidade."

A estocada foi certeira para Peres, quando ele diz que 'dirigentes correm'. Nas eliminações do Santos no Paulista, na Sul-Americana e na Copa do Brasil, o treinador deu muito mais explicações do que o presidente santista.

E Sampaoli foi fiel.

Não escancarou ter acreditado que teria um time fortíssimo.

"A difícil tarefa hoje, sobretudo dos técnicos na América do Sul, é que são os responsáveis absolutos pelo que acontece com um grupo de jogadores. Às vezes, na verdade acredito que não é tão assim. E também não são os grandes responsáveis pelos êxitos.

"Os grandes responsáveis sempre são os jogadores. Mas é um caso a mais de um colega que é demitido. Para mim, como técnicos, é amargo, porque amanhã seguramente será eu, nesse ritmo e com essa particularidade que somos descartáveis a todo tempo", desabafou.

Sampaoli dará o máximo nas últimas oito partidas do Santos no Brasileiro. E que, tudo indica, ele fará de tudo para serem as derradeiras na Vila Belmiro.

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A imprensa europeia e argentina garantem que ele tem sondagens de clubes espanhóis para 2020.

Mas, antes de ir, quer retribuir todo o carinho e apoio que recebeu da torcida e da população de Santos. E deixar o clube na Libertadores do próximo ano.

Depois, partir.

Não esperar ser mandado embora.

Como Fábio Carille...

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