Cosme Rímoli Passou da hora: Neymar precisa de um empresário. E não do pai

Passou da hora: Neymar precisa de um empresário. E não do pai

A caminho dos 28 anos, Neymar deixa o pai tomar todas as decisões fora do campo sobre sua carreira. O envolvimento emocional é total

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Neymar da Silva. Além de pai, agente, investidor. Tudo para o filho

Neymar da Silva. Além de pai, agente, investidor. Tudo para o filho

Reprodução/Instagram

São Paulo, Brasil

"(Destacar) uma das maiores humilhações de seu próprio clube.

"Não há nenhuma dúvida de que essa partida foi absolutamente memorável para o Barcelona, mas daí para 'trollar' publicamente o PSG..."

" Um novo terremoto.  Uma nova declaração de guerra em um conflito em que ele (Neymar) parece cada vez mais decidido a sair."

"É um jogo perigoso. 

"Provocação, com falta de classe."

Esta foi a reação de veículos importantes da imprensa francesa: Le Parisien, France Football, Le Figaro. 

Viram um ataque gratuito afirmar que a melhor lembrança que tem no futebol é a vitória sobre o seu atual clube por 6 a 1, quando jogava no Barcelona.

Diante da péssima repercussão, eis que surge Neymar pai para defender o filho. E atacar os jornalistas franceses.

"Reportagens publicadas há anos, respostas ditas há anos, voltarão a falar como se fosse uma indireta? Repercutir com um outro contexto??? Meu filho em momento algum faltou com respeito ao PSG ou aos atletas que disputaram aquela partida em 2017, alguns deles, seus companheiros de clube atualmente no clube francês.

Atribuir esta manifestação ESPONTÂNEA E HONESTA a uma provocação ao seu atual clube é uma atitude maldosa, que não tem outra intenção senão a de querer encontrar polêmica onde ela não existe.

Não são poucos os jornalistas e torcedores em todo o mundo que consideram esta partida a mais marcante do atleta defendendo um clube, ele mesmo já manifestou considerar esta, se não a maior, uma de suas grandes atuações.
Então por que a polêmica desta vez ?

Por que trazer isso esta memória como provocação ?

Relembrar um marco em sua carreira não pode ser considerado desrespeito. Meu filho é atleta do PSG, mas não pode simplesmente ignorar sua história. História que o fez chegar ao clube francês."

Desde os primeiros passos no futebol, a presença firme de Neymar da Silva

Desde os primeiros passos no futebol, a presença firme de Neymar da Silva

Reprodução/Twitter

Sim, outra vez, o pai de Neymar defende o filho publicamente.

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“Reportagens publicadas há anos, respostas ditas há anos, voltarão a falar como se fosse uma indireta? Repercutir com um outro contexto??? Meu filho em momento algum faltou com respeito ao PSG ou aos atletas que disputaram aquela partida em 2017, alguns deles, seus companheiros de clube atualmente no clube francês. Desde o final daquele jogo até hoje hoje, ele sempre se recorda desta partida como uma das mais importantes da sua carreira, como mostram as imagens deste post. No último Sábado, em uma entrevista realizada durante as finais do @redbullneymarjrsfive , lhe foi perguntado: “Qual a melhor memória que você tem do vestiário?”. O atleta citou dois momentos, o vestiário do título olímpico de 2016 e o da Remontada em 2017, momentos icônicos de sua carreira. Atribuir esta manifestação ESPONTÂNEA E HONESTA a uma provocação ao seu atual clube é uma atitude maldosa, que não tem outra intenção senão a de querer encontrar polêmica onde ela não existe. Não são poucos os jornalistas e torcedores em todo o mundo que consideram esta partida a mais marcante do atleta defendendo um clube, ele mesmo já manifestou considerar esta, se não a maior, uma de suas grandes atuações. Então por que a polêmica desta vez ? Por que trazer isso esta memória como provocação ? Relembrar um marco em sua carreira não pode ser considerado desrespeito. Meu filho é atleta do PSG, mas não pode simplesmente ignorar sua história. História que o fez chegar ao clube francês. #neymar #neymarjr

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Como faz há 21 anos, quando Neymar começou a treinar, com seis, na Portuguesa Santista.

Desde então age como pai, empresário, agente financeiro, corretor de imóveis, vendedor de carros, orientador, conselheiro, melhor amigo, companheiro de viagens e festas.

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Psicólogo.

Absolutamente tudo.

Neymar da Silva foi um ex-jogador que não teve sucesso. E que no seu melhor momento na carreira, quando iria do Mogi Mirim para o Rio Branco, sofreu um grave acidente de carro. Luxou a bacia e nunca foi o mais o mesmo atacante veloz, rápido e ambidestro.

Cuidar da carreira do filho se tornou a sua razão de viver.

E há 21 anos tem sido assim.

Quando Neymar sofre críticas ou tem qualquer problema, o pai toma a frente. Afinal, tem controle absoluto sobre a vida do filho.

Neymar não esconde que a preocupação da sua vida financeira é toda do pai. É ele quem investe os cerca de R$ 40 milhões que recebe entre salários e publicidade, por mês. E destina o dinheiro que o filho precisar, como uma mesada.

Também na vida profissional. Os times que Neymar jogou até hoje foram escolha paterna. Desde quando o tirou da Portuguesa Santista, com oito anos. E o levou ao Santos. 

Em 2011, Neymar pai, semanas antes da final do Mundial de Clubes, recebeu 10 milhões de euros, cerca de R$ 42 milhões, de adiantamento do Barcelona. Justamente o clube decidiria o título com o Santos.

Nas transações financeiras, Neymar só assina o que o pai manda

Nas transações financeiras, Neymar só assina o que o pai manda

Reprodução/Twitter

Foi ele quem decidiu que o filho iria para o Barcelona em 2013.

Assim como foi o negociador da transferência ao PSG, em 2017.

Vagner Ribeiro, empresário que trabalhava com Neymar da Silva, foi afastado.

As decisões são do pai do atleta.

Neymar só diz sim.

Não se preocupa, diz que ama, confia e tem certeza que o pai faz o melhor para ele.

Neymar pai também é o responsável pelos problemas com o Fisco, com o imposto de Renda, que o jogador teve na Espanha e no Brasil. Ficou evidente nas audiências, que Neymar apenas assinava o que pai mandava assinar.

A relação com a imprensa também é coordenada por Neymar da Silva. Foi ele quem escolheu, por exemplo, assinar um contrato com a TV Globo durante a Copa de 2014. Seu filho recebia dinheiro para falar, com exclusividade, com a emissora carioca.

Também foi o pai quem decidiu afastar o filho da Globo, em 2016, pelas críticas de Galvão Bueno e Casagrande, na Olimpíada do Rio.

Chegou a se referir a Casagrande como abutre e oportunista.

O que só piorou as coisas.

Decidiu se aproximar da Band, pela amizade com José Luiz Datena e com Luiz Ernesto Lacombe. Qualquer problema que o filho precise esclarecer no Brasil, passou a ser na emissora paulista.

Não foi por acaso que o advogado José Edgard da Cunha Bueno Filho, primeiro representante da modelo Najila Trindade, pediu para o ex-repórter da Globo, Mauro Naves, o telefone do pai de Neymar.

José Edgar queria uma compensação financeira para Najila por conta de supostas agressões de Neymar, depois de uma relação sexual entre os dois. E ainda ameaçava acusar o atleta, como realmente aconteceu, de estupro.

Nem passou pela cabeça do advogado negociar diretamente com Neymar. Por saber que quem cuida de tudo de sua vida, menos jogar, é o pai do atleta.

O pai do jogador se sentiu chantageado e disse que só atendeu o advogado porque foi pedido de Mauro Naves. O que acabou resultando em demissão do jornalista, que não havia avisado a Globo sobre o que acontecia.

Na Seleção Brasileira, Neymar da Silva tem liberdade inédita. Jamais um pai se instalou, com sua família, em um hotel que deveria ser só da Seleção Brasileira, em Socchi. 

Os 'inimigos' de Neymar são cobrados, de maneira dura, por Neymar da Silva

Os 'inimigos' de Neymar são cobrados, de maneira dura, por Neymar da Silva

Reprodução/Twitter

E com todo espaço para acompanhar os treinos. Até os secretos.

O grande exemplo do espaço que Neymar da Silva tem foi quando o filho se contundiu no amistoso contra o Catar.

Ele foi convidado pelo ex-coordenador de Seleções, Edu Gaspar, a entrar no vestiário para saber como estava Neymar e consolá-lo.

Situação que nunca aconteceu no Brasil e nas grandes seleções do mundo.

Pai empresariar atleta de sucesso nem sempre dá certo. Pelo evidente envolvimento emocional nas decisões. Como, por exemplo, na atual situação envolvendo o PSG e o Barcelona.

O filho quer voltar à Catalunha.

Mas assinou contrato, que representa a sua palavra, de cinco anos com o clube francês.

Lewis Hamilton, grande amigo de Neymar, é o exemplo que a proximidade do pai, muitas vezes atrapalha.

A ponto que, em 2010, dispensou o pai, Anthony.

Escolheu um agente profissional.

Tinha 25 anos.

"Chegou um ponto em que eu falei: "Pai, eu só quero que você seja meu pai". Isso foi incrivelmente difícil para ele aceitar e também foi difícil de dizer. Foi algo difícil naquele momento. Isso colocou entre nós um espaço como o Grand Canyon. Mas tinha de fazer", revelou o piloto.

Amor em segundo plano. Lewis Hamilton não quis mais o pai como empresário

Amor em segundo plano. Lewis Hamilton não quis mais o pai como empresário

Reprodução/Twitter

Desde então, sua carreira explodiu.

Ele havia sido campeão mundial de Fórmula 1 em 2008. De 2014 a 2018, ganhou mais quatro títulos.

Virou uma lenda.

Neymar caminha para os 28 anos.

Mas não demonstra dar sinais de troca.

Segue obedecendo tudo o que seu pai decide.

É inquestionável o amor de Neymar da Silva.

Mas passou da hora de uma análise profunda.

Apesar de estar perto de se tornar o primeiro jogador bilionário brasileiro, a carreira de Neymar poderia estar muito melhor, pelo talento do jogador.

Sua imagem está desgastada.

As farras, inclusive com a perna imobilizada, com fratura no quinto metarso, repercutem.

O soco no torcedor, o envolvimento sexual com Najila.

As simulações ridículas na Copa da Rússia.

Se ele tivesse um agente de pulso firme, que ele respeitasse, será que se exporia dessa maneira infantil?

Neymar pai não dá o menor sinal que vai deixar de administrar a carreira, o dinheiro, as escolhas, a vida do jogador.

Um empresário sem envolvimento emocional faria bem a Neymar e a seu pai

Um empresário sem envolvimento emocional faria bem a Neymar e a seu pai

Reprodução/Instagram

Mas deveria, no mínimo, dividir com alguém isento, que não tenha envolvimento emocional com seu filho.

Faria bem aos dois.

Ao clube que ele jogar.

E, principalmente, à Seleção Brasileira...

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