Seleção brasileira

Cosme Rímoli Para salvar Tite, só manifesto. Time recua e deve jogar Copa América

Para salvar Tite, só manifesto. Time recua e deve jogar Copa América

Em vez de boicotar a competição, os jogadores principais já articulam apenas um manifesto contra o torneio. Para preservar Tite. Renato Gaúcho estaria na mira da CBF

  • Cosme Rímoli | Do R7

Os jogadores perceberam. Se boicotarem a Copa América, Tite não fica na seleção

Os jogadores perceberam. Se boicotarem a Copa América, Tite não fica na seleção

CBF

São Paulo, Brasil

A pressão está muito maior do que os jogadores da seleção supunham.

O governo brasileiro voltou a reiterar que acontecerá a Copa América, em uma reunião por teleconferência na noite de ontem, sábado, com o Conselho da Conmebol. O próprio presidente Jair Bolsonaro confirmou a realização da competição, marcada para começar daqui uma semana.

Os nomes dos líderes do time que exigiram reunião com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, foram 'vazados' para a imprensa. 

Neymar, Casemiro, Thiago Silva, Alisson, Marquinhos e Danilo.

Tite foi taxado, nas redes sociais, por apoiadores do presidente Bolsonaro, como o grande 'sabotador' da Copa América. Com a suposta intenção de prejudicar o governo. Os ataques ao treinador são muito fortes e o exigem fora da seleção.

O tricampeão do mundo, Clodoaldo, acompanha a delegação em Porto Alegre, o campeão da Copa América de 1997, Cesar Sampaio, auxiliar fixo de Tite. E o coordenador Juninho. Todos de perfis moderados, recomendaram aos jogadores.

Em vez de não disputarem a Copa América, recuarem.

Nada de confronto.

Divulgar apenas um manifesto, assinado por todos os jogadores, para os líderes não serem penalizados. Nele deixaram claro que não concordam com a realização da competição, com o Brasil no auge da pandemia, com mais de 470 mil mortos e 16.904.986 contaminados.

Não entendem motivo para celebrações.

Além do risco de as mil pessoas que fazem parte das dez delegações, expostas, viajando pelo Brasil. Fora o fato de vários jogadores do exterior terem passado por países em que a cepa indiana da covid-19, de mais efetiva contaminação e mortalidade, virem ao país para jogar contra a seleção.

O manifesto seria lido pelo capitão da partida contra o Paraguai, em Assunção, na terça-feira.

E os atletas disputariam a Copa América sob protesto.

Podendo usar uma faixa preta, de luto, em homenagem aos brasileiros mortos pela covid.

Talvez sem dar entrevistas durante toda a competição.

Greve de silêncio para marcar posição e não se comprometerem individualmente.

Mas jogariam.

"Marcariam suas posições", mas não fariam com que o Brasil fosse ridicularizado internacionalmente, por ter oferecido para organizar o torneio que a Colômbia e a Argentina desistiram. E depois, sua própria seleção deixasse de disputar.

Grupo tem profunda cumplicidade com Tite. Não querem perder o técnico para a Copa

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CBF

Os jogadores entenderam. 

Se eles mantiverem a postura inicial de não atuar, de maneira nenhuma, na Copa América, o grande prejudicado será Tite.

Não é o presidente da CBF, Rogério Caboclo, ameaçado de perder o cargo, pela acusação de assédios sexual e moral a uma funcionária da entidade, que vê Tite como o responsável pela crise. Por não ter enfrentado os jogadores. Toda a cúpula da CBF. 

Se Caboclo sair de licença, o coronel Antônio Nunes, vice mais velho da entidade, assume o cargo, tem a mesma opinião.

Os atletas têm analisado que, se não jogarem a Copa América, Tite será demitido.

E já até surgem boatos que Renato Gaúcho poderia ficar com seu lugar.

Além disso, todas as nove seleções virão ao Brasil, nenhuma delas aderirá a uma possível desistência. Por conta dos 4 milhões de dólares, cerca de R$ 20 milhões, que a Conmebol se comprometeu a pagar pela participação. A entidade já até antecipou um milhão de dólares, cerca de R$ 5 milhões, a cada uma.

Suárez, Neymar e Messi não lideraram boicote. Uruguai e Argentina estarão na Copa América

Suárez, Neymar e Messi não lideraram boicote. Uruguai e Argentina estarão na Copa América

Reprodução/Instagram

Não há o sonho que Messi, Suárez e Cavani convencessem a Argentina e o Uruguai a não jogarem.

Seus times estarão no Brasil.

Daí, nas últimas horas, a possibilidade crescente de um recuo do time principal brasileiro.

Para preservar o treinador.

E não mais tomarem a atitude histórica que sonhavam.

Virar as costas à Copa América, protestarem e descansarem.  

Os europeus estão desgastados por estarem no final de duas temporadas que se juntaram, por conta da pandemia.

Esse é o atual cenário.

O que seria uma vitória para o governo brasileiro.

Para a Conmebol.

Para Rogério Caboclo.

O que deveria ser firmeza, tomada de atitude, dos jogadores, passaria para a história como um mero protesto, sem validade prática, já que disputariam a Copa América.

E Tite seria mantido no cargo.

Ou seja, 'muito barulho por nada'.

Mas se os atletas decidirem realmente não entrar em campo, tudo mudaria.

Outro treinador chegaria.

Renato Gaúcho teria grande chance.

Convocaria jogadores que atuam no Brasil.

E o Brasileiro seria paralisado, como quer, por exemplo, o Flamengo.

Se eles seriam ou não chamados para a Copa do Mundo do Qatar, seria outra questão delicadíssima.

Clodoaldo e Sampaio foram líderes. Mas de temperamento contidos. Têm acalmado os atletas

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CBF

O quadro atual, nesta manhã de domingo, é de recuo.

Não será surpresa se prevalecer o manifesto.

E o time principal jogar, sob protesto, a Copa América de 2021.

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