Cosme Rímoli O Palmeiras fez o que quis do São Paulo. Mal escalado e sem alma

O Palmeiras fez o que quis do São Paulo. Mal escalado e sem alma

O time de Scolari se isolou na liderança do Brasileiro. Venceu em pleno Morumbi por 2 a 0. E acabou com um tabu de 16 anos

O Palmeiras teve vibração, estratégia. Sem dificuldade em derrotar o São Paulo

O Palmeiras teve vibração, estratégia. Sem dificuldade em derrotar o São Paulo

Agência Palmeiras

São Paulo, Brasil

Com apenas três titulares e semifinalista da Libertadores, o Palmeiras não teve a menor dificuldade em se isolar na liderança do Campeonato Brasileiro.

Se impôs sem riscos contra o São Paulo e acabou com um tabu de 16 anos. Venceu por 2 a 0, em pleno Morumbi. Gols de Gustavo Gómez e Deyverson. Ambos de cabeça.

O clássico foi fácil demais. Se caprichasse um pouco mais nas finalizações, os palmeirenses conseguiriam golear.

É impressionante a queda de rendimento do São Paulo. O time se mostra inseguro, sem novas soluções diante dos adversários. Os erros táticos chegam a ser infantis.

De nada adiantou o apoio de mais de 56 mil torcedores. O time de Diego Aguirre foi uma enorme decepção. Muito mal escalado, lento e sem personalidade. Já despencou para quarta colocação.

Foram impressionantes as reações da torcida são paulina. Primeiro apoiou, incentivou. Depois, quando viu o time dominado fez um conhecido coro. "Raça, raça, raça..."

No final da partida, vaias, muitas vaias.

Foi a primeira derrota do São Paulo no Morumbi, neste Brasileiro.

O sonho de nova conquista do Brasileiro, depois de dez anos, começa a morrer.

Pela péssima fase do time e de seu treinador, Aguirre.

Psicologicamente, a equipe se mostra arrasada.

Gustavo Gómez marcou o primeiro gol do clássico. E desestabilizou de vez o São Paulo

Gustavo Gómez marcou o primeiro gol do clássico. E desestabilizou de vez o São Paulo

Agência Palmeiras

Com a vitória, o time de Luiz Felipe Scolari disparou na frente. Está com 56 pontos. Além de vencer o rival, a equipe ainda foi beneficiada com a derrota do Internacional para o Sport, em Recife.

Aguirre foi muito infeliz em escalar seu time no 4-5-1. Ao colocar Rodrigo Caio na lateral direita e Bruno Peres no meio de campo, o uruguaio deixou frouxo o ataque e ainda ofereceu o lado direito do campo, que Felipão aproveitou. Rodrigo Caio, há muito tempo, vive péssima fase. 

Apesar de tantos jogadores nas intermediárias, o meio de campo estava aberto. Ótimo para os palmeirenses se divertirem tocando bola. E explorando contragolpes. Chegou a ser vergonhosa a falta de gana, de velocidade, de vontade dos são paulinos na recomposição, quando perdiam a bola no ataque. Muitos andavam em campo.

No segundo tempo, o treinador uruguaio seguiu errando feio. Tirou Nenê e o meio de campo ofensivo desapareceu de sua equipe. Diego Souza e Carneiro, jogadores com físico de pesos pesados no MMA, ficavam isolados, dando trombadas, esperando chuveirinhos da intermediária, de costas para a zaga.

Everton entrou no segundo tempo, no sacrifício. Visivelmente com medo de sua contratura voltar a romper. Não colaborou em nada para evitar a derrota.

Alguns torcedores do São Paulo não perdoaram o treinador. 

E ele teve de ouvir os gritos de "Burro, burro, burrro."

O time líder do primeiro turno degringolou.

"Tomamos um gol na bola parada, um erro de marcação e depois um gol de contra-ataque, sabíamos que a equipe deles sera forte no contra ataque", lamentava Reinaldo, que também jogou muito mal.

"Acho que já tinha passado da hora (vencer no Morumbi). Sabemos que o São Paulo é um adversário duro. Fizemos um jogo taticamente perfeito no que o Felipe e o Turra pediram", comemorava Dudu, um dos raros titulares que atuaram do lado palmeirense.

E o plano tático de Scolari não foi brilhante. Muito pelo contrário. Simples, até. Tratou de colocar seu time atrás da linha do meio de campo, compacto, sem dar o mínimo espaço para o São Paulo. Tocar a bola, só seus zagueiros. O técnico sabia que, jogando em casa, o time de Aguirre seria pressionado pela torcida que lotou o Morumbi. Teria um adversário afobado pela frente.

Mas Felipão não esperava os presentes que vieram com a péssima escalação são paulina. O Palmeiras em instante algum correu risco. E foi só se aproveitando da péssima postura do adversário.

Os contragolpes entravam com toda facilidade.

Jucilei segue sendo um dos volantes mais lentos deste país. Sacrificando, e muito, Hudson. Reinado segue pensando que é a reencarnação de Canhoteiro. E só reclama e ameaça bater nos adversários. Rojas corre muito e pensa pouco. 

Além de toda insegurança contagiante de Sidão.

Com a pressão da reta final do Brasileiro, as falhas individuais dos jogadores do São Paulo ficam mais evidentes.

O Palmeiras entrou para a partida com o espírito de decisão e com seus atletas muito bem distribuídos. 

Aos nove minutos de jogo, Wilton Pereira Sampaio fez questão de lembrar a todos o quanto é fraco o nível da arbitragem neste país. Deyverson atrapalhou a reposição de bola de Sidão, que largou a bola. Falta em todo lugar do mundo, menos no Morumbi. O juiz deixou o lance seguir. O atacante do Palmeiras bateu para o gol. Sidão espalmou fora da área. O que seria expulsão em qualquer lugar do mundo. Menos no Morumbi. Wilton fez como se ele estivesse dentro da grande área e o jogo seguiu. Erro grave em cima de erro grave.

Wilton só não pode atrapalhar quando, aos 33 minutos, Dudu cobrou escanteio. E se aproveitando de falha de posicionamento de Anderson Martins, que perdeu o tempo da bola, Gustavo Gómez completou para as redes. 1 a 0, Palmeiras. 

O gol abalou os nervos do São Paulo que não conseguia atacar. E saía perdendo no placar. O segundo golpe veio em seguida. Em um dos vários contragolpes em velocidade, Mayke serviu Dudu, livre diante de Sidão, o chute acertou a trave. No rebote, os jogadores de Aguirre andavam. Os de Felipão correram. E Mayke cruzou na cabeça de Deyverson. 2 a 0, aos 37 minutos. 

O jogo estava decidido.

E todos sabiam disso.

Dentro e fora do Morumbi.

Aguirre e os primeiros gritos de 'burro'. Torcida não perdoou o time mal montado

Aguirre e os primeiros gritos de 'burro'. Torcida não perdoou o time mal montado

Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress - 21.07.2018

No intervalo, Aguirre cometeu uma heresia. Tirou Nenê, seu principal articulador, cérebro do time. E a equipe passou a ter volantes e atacantes. Ou seja, facilitou a marcação palmeirense.

E com o São Paulo aberto, o time de Felipão perdeu a chance de golear.

Egoísta, Dudu estragou pelo menos quatro contragolpes básicos, com a defesa do São Paulo escancarada.

Lucas Lima foi muito bem. Tocando, lançando e brigando pela bola no meio de campo. Com muita garra. Foi o melhor jogador em campo. Parece outro atleta nas mãos do Felipão. Não lembra nem de longe o apático meia com Roger.

Com a vitória definida, o Palmeiras tocou a bola, fez o tempo passar.

Se isolou na liderança.

E atirou o rival em um princípio de crise.

"Não ouvi (os gritos de burro). Ainda temos muitos jogos pela frente e não vamos desistir de tentar ganhar a maior quantidade de pontos para ver o que acontece, isso é a primeira coisa. É verdade que não foi um bom jogo. Tomamos um gol de bola parada. A estratégia que tínhamos para o jogo era segurar e tentar, na segunda parte, com as mudanças, encontrar situações ofensivas. Mas mudou tudo. Esse gol foi na primeira situação de risco para nós".

"Assim como eu falo quando o time ganha, é um trabalho que é compartilhado por todos. Não é mérito de um, ou só dos jogadores, só do treinador... Agora é a mesma coisa. Não fizemos um bom jogo e era uma decisão, isso é verdade. Temos que assumir esse momento e reverter rapidamente. Estamos todos doídos, entendo que a torcida esteja um pouco brava, porque todos esperávamos outra coisa hoje. Mas temos que renovar a ilusão", dizia, abatido Aguirre.

O uruguaio era o retrato da desilusão são paulina...

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