Cosme Rímoli O Palmeiras fez história. Derrotou o Boca e calou a Bombonera

O Palmeiras fez história. Derrotou o Boca e calou a Bombonera

O time de Roger Machado é o primeiro classificado para as oitavas da Libertadores. 2 a 0 foi até pouco

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Keno foi decisivo na histórica vitória do Palmeiras na Bombonera

Keno foi decisivo na histórica vitória do Palmeiras na Bombonera

Reuters

O Palmeiras conseguiu um resultado histórico. Venceu pela primeira vez na história o Boca Juniors na Bombonera, pela Libertadores.

Jogando com sangue frio, raça e muita inteligência, o time de Roger Machado conseguiu travar o ímpeto argentino. Foi impressionante a concentração, a aplicação, a dedicação, a intensidade na marcação.

Sem precisar cair na catimba, dar pontapés. Nada disso. Bastou o posicionamento. Duas linhas defensivas. A primeira de cinco jogadores no meio de campo. E a segunda, dos zagueiros.

Com destaque para a eficiência de Felipe Melo e Bruno Henrique. Os volantes fizeram uma das melhores partidas atuando juntos. Protegeram como nunca a entrada da área. Evitaram que o Boca entrasse tabelando, buscando o chute ou faltas perigosas à entrada da área. 

Diogo Barbosa também foi muito competente. Tevez se arrependeu todas as vezes que tentou as jogadas individuais pela direita. Perdeu a bola e tempo. E Jailson mostrou com tranquilidade, segurança e arrojo o porquê de Weverton e Fernando Prass serem reservas conformados.

O time tocou a bola e controlou o ímpeto característico do Boca.

E ainda mais estarrecedora foi a eficiência nas chances de gol. As chances claras foram parar nas redes do Boca Juniors.

Keno foi o melhor jogador em campo. Desafogo do time nos contragolpes. E autor do primeiro gol, em uma cabeçada belíssima. E Lucas Lima, com muita inteligência, conseguiu encobrir Rossi, depois de uma saída desastrada de cabeça. 2 a 0, Palmeiras, com toda a justiça.

Com o resultado, o clube chega a dez pontos em quatro partidas. É o primeiro, entre todos os 32 times, a estar classificado para as oitavas de final. 

Tevez acabou travado pela marcação palmeirense. Nada fez em campo

Tevez acabou travado pela marcação palmeirense. Nada fez em campo

Site Boca Juniors

A firmeza palmeirense foi tão grande, que conseguiu o inimaginável.

Calou a Bombonera.

Diante do silêncio dos argentinos, os poucos palmeirenses festejaram.

O resultado dá confiança à uma equipe que estava jogando mal.

E merecia toda a cobrança.

"O resultado muito importante. Nosso time vem sempre crescendo, o ano todo. Às vezes as coisas não acontecem e somos bombardeados de críticas, mas o grupo se fechou e se fortaleceu cada vez mais. Fico feliz pelo empenho da equipe. Grande jogo", comemorava, Lucas Lima.

"A gente sabia que ia ser difícil, mas nada é impossível. O time deles tem muita qualidade, mas a gente se doou. Conseguimos nos impor, mesmo jogando aqui na Bombonera", admitia o inspirado Keno.

"A gente sabe da qualidade do nosso time, se a gente tiver vontade, se a gente tiver raça, se a gente jogar compactado, igual a gente fez hoje, a gente vai muito longe", reconheceu Dudu, que não foi egoísta. Finalmente, jogou para o time. Marcou, não enfeitou, deu vários passes de primeira. Ajudou a abrir a defesa argentina.

Roger Machado foi muito feliz na estratégia escolhida. Sabia que Guillermo Schelotto iria colocar o Boca Júniors todo no ataque. O time argentino precisava da vitória para tentar compensar o empate contra o fraquíssimo Alianza Lima. E diante do cantado 4-3-3, com muita pressão na saída de bola, o treinador brasileiro optou pelo 4-5-1. Não haveria espaço para o tradicional toque de bola argentino. Libertade só para os zagueiros. Os demais não tinham sequer oxigênio para respirar.

A proposta do Palmeiras era controlar o ritmo da partida. Frustar o Boca Juniors. Não deixar o time adversário incendiar a torcida mais vibrante da América Latina. Quem já teve a sorte para assistir a uma partida na Bombonera sabe a força que vem das arquibancadas. Um estádio nunca mereceu tanto o apelido de alçapão quanto o campo do Boca.

Só que, sem espaço para tocar a bola no campo brasileiro, e sem os jogadores do Palmeiras caírem nas provocações argentinas, o que se viu foi um time frustrado, irritado, diante do forte esquema de Roger Machado. Ele percebeu que se dominasse as intermediárias, voltaria ao Brasil com a vitória.

Dudu agradece a Keno pelo gol e atuação

Dudu agradece a Keno pelo gol e atuação

Site Palmeiras

O Palmeiras estava tão seguro e seus jogadores, concentrados, que não havia nem como o Boca apelar para a catimba. Era travado de forma leal. Aos poucos, a armadilha foi dando certo. A torcida argentina passou a pressionar o time de Schelotto a cada vez mais se abrir, atacar, buscar a vitória.

Keno conseguia, sozinho, desestruturar a violenta zaga argentina. Era a principal arma ofensiva de Roger. Conseguia, com sua velocidade e objetividade, derrubar psicologicamente todo o sistema defensivo do Boca.

Depois de inúmeras tentativas de ataque do Boca, o Palmeiras conseguiu articular um ótimo contragolpe. A bola chegou em Marcos Rocha. O cruzamento foi perfeito, atrás da zaga. Keno surgiu, de surpresa. Deu uma cabeçada no estilo de Leivinha. Indefensável para Rossi. 1 a 0, Palmeiras, aos 39 minutos.

O gol abalou o Boca Juniors. Seu grande jogador é o jovem Pavón. Ele atormentava Marcos Rocha. Mas seus companheiros se viam travado pelo meio de campo. E Pavón pagava todos seus pecados, jogando com Avila. Ele continua tão ineficiente quanto nos tempos de Cruzeiro. Pura força física, nenhum talento.

O Palmeiras não teve dificuldade em segurar a vantagem.

No segundo tempo, o  Boca Juniors se abriu de vez. Não podia perder o jogo nos seus domínios. O Palmeiras seguiu com muita responsabilidade na marcação. Os contragolpes começaram a entrar. E em um lançamento para a entrada da área, Rossi resolveu cabeçar, já que não poderia colocar a mão na bola.

A cabeçada caiu nos pés de Willan, a bola tocou em Vergini. Voltou para Lucas Lima. Ele tentou chutar uma vez, a bola voltou para seu joelho. Ele a dominou e deu um toque fulminante para as redes. 2 a 0, aos 21 minutos.

O Boca e sua torcida desistiram do jogo. 

E o Palmeiras não quis mais.

Apenas adminstrar o excelente resultado.

E sua classificação precoce para as oitava da Libertadores.

Com todo o mérito...

Keno e a cabeçada que Leivinha aprovaria. Golaço. O primeiro gol do Palmeiras

Keno e a cabeçada que Leivinha aprovaria. Golaço. O primeiro gol do Palmeiras

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