Morre Maradona

Cosme Rímoli Ninguém fez tanto sozinho como Maradona. Nem Pelé

Ninguém fez tanto sozinho como Maradona. Nem Pelé

O mundo percebe o gênio que perdeu. Por trás das polêmicas com drogas e álcool, foi quase tão fabuloso quanto Pelé. A diferença é que foi sozinho

  • Cosme Rímoli | Do R7

Maradona. Gênio indomável. Deu uma Copa do Mundo para a Argentina. Viveu como quis

Maradona. Gênio indomável. Deu uma Copa do Mundo para a Argentina. Viveu como quis

AFA

São Paulo, Brasil

Uma parada cardiorrespiratória.

Mal súbito.

Na sua casa, no bairro de San Andrés, em Buenos Aires, onde estava se recuperando de uma operação no cérebro.

Esta é a versão oficial da morte de Diego Armando Maradona.

Ele tinha 60 anos, completados no dia 30 de outubro.

Mal os principais jornais argentinos divulgaram a terrível notícia, já era manchete em todos os sites do mundo.

O futebol perde o gênio mais polêmico de todos os tempos.

Ninguém juntou tanto talento com uma personalidade indomável quanto o argentino.

Capaz de 'sozinho' dar um título mundial a um time medíocre, o da Seleção Argentina, em 1986, no México.

Vingar seu país, no gramado, uma guerra, a retomada das Ilhas Malvinas pela Inglaterra.

A conquista do título resgatou a autoestima não só do futebol, mas do povo argentino.

Por isso era tão amado.

Maradona é reverenciado no Napoli. Deu dois Italianos a um time desprezado

Maradona é reverenciado no Napoli. Deu dois Italianos a um time desprezado

Reprodução/Twitter

Ele foi capaz de fazer grande parte do povo italiano se voltar contra sua própria seleção, no Mundial de 1990. O lado pobre, o Sul, que era desprezado pela elite do Norte.

Não teve medo de enfrentar ditadura alguma.

Principalmente da Fifa.

Chamar presidentes da entidade que comanda o futebol no mundo de corruptos.

Assumir sua fixação em Fidel Castro, Cuba, e o regime comunista. 

Algo raro, diante do silêncio do medo e alienação, tão normais aos jogadores.

Superar a limitação, a tendência a engordar e, com sua perna esquerda, transformar um time esquecido e cercado de preconceito, bicampeão italiano, o Napoli.

Foi muito mais feliz lá do que no poderoso Barcelona e suas regras de comportamento.

Mesmo tendo parado de jogar pela Seleção Argentina, contra a Nigéria, em 1994, seguiu sendo uma sombra intransponível para Messi.

Tive a sorte de cobrir a Argentina na Copa do Mundo dos Estados Unidos. E, naquela época, acompanhar de perto toda a preparação. Ver seu talento fabuloso em cada treino, na concentração em Boston.

E perceber que estava diante de um gênio, mesmo lutando contra a balança.

Seu carisma ao tomar à frente do incompetente Alfio Basile e comandar a Argentina, que se tornava a grande surpresa daquela Copa do Mundo.

Maradona chorando, com o vice mundial, na Itália. Levou a Argentina além dos limites

Maradona chorando, com o vice mundial, na Itália. Levou a Argentina além dos limites

Reprodução/Twiiter

Até o mundo argentino ruir, com o doping de Maradona, pelo uso de medicação para emagrecer.

Se dizia inocente, vítima de um complô da Fifa, contra ele.

O poder de seu carisma, de sua imagem, o levou para o comando da Seleção Argentina, como treinador, mesmo estando brigado com a cúpula da Associação Argentina de Futebol.

Foi desta maneira absurda, técnico na Copa do Mundo em 2010, onde fracassou.

Maradona teve problemas graves com o fisco na Itália.

Inclusive foi acusado de ligação com a Máfia.

O assédio, a cobrança, a pressão se tornaram pesadas demais.

Sua saída foi mergulhar nas drogas.

Cocaína e álcool eram seus vícios.

Foi o caminho escolhido para suportar ser quem era.

Quase morreu algumas vezes.

Foi internado, desenganado, em 2004, com overdose de cocaína.

Seu coração e pulmões quase faliram.

Mas, por milagre, conseguiu se recuperar.

Decidiu se tornar homem de mídia.

Fez operação bariátrica.

Perdeu cerca de 48 quilos.

Virou dono de programa de televisão. 

Mas os escândalos não pararam de perseguir o ex-jogador.

Como o aparecimento de três filhos fora do casamento, em Cuba.

Tinha uma relação bipolar com Pelé.

O chamando de 'vendido' a Fifa e às corporações norte-americanas.

E outras vezes o beijando, dizendo que era seu 'irmão'.

Maradona e Pelé. Amizade cercada de rivalidade. O argentino se sentia melhor jogador

Maradona e Pelé. Amizade cercada de rivalidade. O argentino se sentia melhor jogador

Reprodução/Twitter

Ele não aceitava que o brasileiro tivesse o crédito de 'melhor jogador de futebol de todos os tempos'.

Maradona tinha razão sob um aspecto.

Pelé sempre teve companheiros sensacionais nas conquistas das Copas.

Didi, Garrincha, Zito, Tostão, Gerson, Jairzinho, Rivellino.

Quem era digno de Maradona no Mundial de 1986?

E no de 1990, que levou a Argentina ao vice?

Ninguém.

Incrível  foi seu talento com a bola nos pés.

Ele usava o corpo rechonchudo como centro de gravidade, para arrancadas espetaculares. Sem medo de pontapés, em um tempo que as regras do futebol eram muito menos rígidas que hoje.

O que fez pela Seleção Argentina e pelo Napoli, pelo futebol foi inesquecível.

Ele poderia ter feito muito mais.

Se não bebesse, usasse drogas, participasse de orgias.

Se dedicasse apenas ao futebol.

Mas não seria Diego Armando Maradona.

Um gênio com assumidos muitos defeitos.

Que levou seu corpo além do limite.

O preço para ele marcar 446 gols, em 588 jogos.

Sua precoce morte, hoje, aos 60 anos, entristece o mundo.

Mas não surpreende.

Esse flerte já durava décadas.

Os abusos já tinham reflexos.

As internações, desintoxicações.

Maradona vingou nos gramados, a guerra perdida para a Inglaterra, pelas Malvinas

Maradona vingou nos gramados, a guerra perdida para a Inglaterra, pelas Malvinas

Reprodução/Twitter

A operação no cérebro.

A Argentina está em prantos.

Perdeu um dos seu principais filhos, em todos os tempos.

Assim como o futebol ficará para sempre em luto.

Mas agradecido.

Por um dia o menino de Lanús, se apaixonar pela bola.

Diego Armando morreu.

Maradona ficará vivo para sempre...

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