'Não sou vagabunda'. Como a mãe, Allana Brittes processa jornalistas

Um ano e cinco meses depois da morte cruel do jogador Daniel, ainda não foi marcado julgamento. Mulher e filha do assassino processam jornalistas

São Paulo, Brasil

Daniel Correa foi brutamente assassinado no dia 27 de outubro de 2018.

Morreu em São José dos Pinhais, cidade-satélite de Curitiba.

Tinha 24 anos.

Foram meses de investigações até as acusações finais.

O jogador do São Paulo estava completamente bêbado, com 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue, o que o deixava indefeso.

Foi espancado brutalmente.

Por quatro homens.

Socos, pontapés, pisões na cabeça.

Seu rosto sangrava pelo nariz, boca.

Os olhos inchados pelos violentíssimos socos.

Até que com uma faca de churrasco, o empresário Edison Brittes confessou ter cortado o pescoço de Daniel.

Ele queria decapitá-lo.

Não conseguiu, mas o matou com o corte na jugular.

Não satisfeito, cortou seu órgão genital e o atirou em cima de uma árvore.

Arrastou o cadáver até uma plantação de pinus, espécie de pinheiro, e foi embora.

No dia seguinte, Edison, a esposa e a filha foram a um shopping conversar com os autores do crime e testemunhas. 

Propôs um pacto.

Que ninguém falasse à polícia sobre o que havia acontecido.

A filha, Allana, já havia até trocado mensagens com a mãe de Daniel, garantindo que ele havia saído vivo, saudável da sua casa, onde havia começado o massacre do jogador. 

Como é público, o jogador foi morto por, na comemoração dos 18 anos de Allana, ter invadido o quarto de Edison.

E ter deitado na cama com a esposa Cristiana, que estaria dormindo.

Cristiana teria começado a gritar ao perceber Daniel ao seu lado. 

O que desencadeou o espancamento.

Tudo ficou pior quando o jogador decidiu tirar fotos ao lado de Cristiana, na cama, pouco antes dela acordar.

E as mandou no seu grupo de amigos, no whatsapp.

Foi o que teria decretado sua morte.

Quando as viu, Edison decidiu que Daniel seria decapitado e castrado.

As informações todas são da Polícia Civil do Paraná.

Edison, Cristiana, Allana e mais três amigos de Allana, Eduardo, Igor e David, foram presos.

Daniel pertencia ao São Paulo. Brutal assassinato no Paraná

Daniel pertencia ao São Paulo. Brutal assassinato no Paraná

Reprodução/Twitter

Um ano e cinco meses, depois do brutal assassinato, a justiça brasileira mostra toda sua lentidão.

O julgamento ainda não aconteceu.

Apenas Edison continua na cadeia.

A sequência de libertação dos acusados é impressionante.

07/08/2019 – Allana Brittes
12/09/2019 – Cristiana Brittes
09/10/2019 – Eduardo Henrique Ribeiro da Silva
09/10/2019 – Ygor King
09/10/2019 – David Willian Vollero

Vale relembrar os crimes que são acusados.

Edison Brittes: homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver; fraude processual; corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
Cristiana Brittes: homicídio qualificado por motivo torpe; fraude processual; corrupção de adolescente e coações no curso do processo;
Allana Brittes: fraude processual; corrupção de adolescente; coações no curso do processo;
David Willian Vollero: homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver e fraude processual;
Ygor King: homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver e fraude processual;
Eduardo Henrique Ribeiro da Silva: homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver; fraude processual e corrupção de adolescente;
Evellyn Brisola Perusso (amiga de Allana): fraude processual.

Além de o julgamento não ter acontecido, a situação se inverteu.

Allana foi ontem ao 3º Distrito Policial de Curitiba para registrar Boletim de Ocorrência contra um jornalista. Ele a teria ofendido em um grupo de whatsapp, a  qualificado como 'vagabunda'.

Ela lembrou que trabalha como influenciadora digital.

Tem 87 mil seguidores.

No seu Instragram, fez até sorteio de alongamento de unhas.

Além disso, abriu a Brittestore, loja virtual que vende roupas.

Sua mãe, Cristiana, pivô do assassinato, também procurou a justiça.

Para processar mais jornalistas.

Lavrou dois Boletins de Ocorrência.

Um por injúria e difamação por ter sido acusada do homicídio de Daniel.

E o segundo pela divulgação de uma foto íntima.

Cristiana estaria nua em cima de uma moto.

Advogados de Edison Brittes tentaram a liberdade do assassino confesso de Daniel. Não conseguiram.

Allana. Influenciadora digital e dona de loja virtual fora da cadeia

Allana. Influenciadora digital e dona de loja virtual fora da cadeia

Reprodução/Instagram

E tiveram de lidar com outro problema.

A justiça determinou que Edison pague pensão de R$ 5 mil à filha do jogador assassinado. Até que ela, que tem dois anos, complete 25 anos.

O assassino não pagou por quatro meses.

E teve seu carro e sua casa bloqueados pela justiça.

Edison, Allana e Cristiana. No dia seguinte à morte de Daniel. Risada no shopping

Edison, Allana e Cristiana. No dia seguinte à morte de Daniel. Risada no shopping

Reprodução/Twitter

Enquanto isso, o julgamento ainda não foi marcado.

Um ano e cinco meses após o bárbaro assassinato.

Assim caminha a justiça neste país...

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