Cosme Rímoli "Não dei 100% ao futebol. Com a cocaína dei vantagem aos outros"

"Não dei 100% ao futebol. Com a cocaína dei vantagem aos outros"

Maradona fez o que quis na vida. Não ficaria triste no seu velório anárquico, com briga entre a polícia e torcedores. Sua tristeza foi a cocaína

  • Cosme Rímoli | Do R7

Maradona na sua melhor entrevista. A ele mesmo. A coragem de assumir sua vida

Maradona na sua melhor entrevista. A ele mesmo. A coragem de assumir sua vida

Reprodução

São Paulo, Brasil

Policiais trocando empurrões com fãs alucinados para dar o último adeus.

Confusão, xingamentos.

Desordem.

Foi como amanheceu hoje em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino.

Se pudesse decidir, seria o velório que Diego Armando Maradona gostaria de ter. 

Movido pela emoção, anárquico, sincero.

De verdade.

Não como os ídolos do futebol atuais.

Sem opinião, sinceridade.

De isopor.

Manipulados por assessores de imprensa. 

Nunca houve um velório de qualquer jogador com tanta devoção.

Cruijff, Garrincha, Euzébio, Dí Stéfano, Puskás, Yashin não tiveram.

Torcedores queriam romper a fila imensa. Para ver o caixão de Maradona

Torcedores queriam romper a fila imensa. Para ver o caixão de Maradona

Ronaldo Schemidt/AFP - 2000

Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldo não terão.

Maradona conseguiu ser universal, maior que a própria Argentina.

Refletiu o homem verdadeiro, com acertos e erros.

Vitórias e derrotas vividas com toda intensidade.

Refletiu a fábula do menino pobre, que o talento para o futebol fez rico.

Com direito a devaneios como Ferrari preta, com estofado branco. Cinco filhos dentro dos casamentos e três fora.

Castigou seu corpo com cocaína e álcool.

Fez cirurgia bariátrica para tentar travar a tendência à obesidade.

Se expôs em todos os momentos da vida.

Até logo depois da cirurgia no cérebro, que fez há oito dias.

Muito provavelmente só não concordaria com o caixão fechado.

Sem a exposição do seu rosto.

Mas concordaria com suas duas paixões colocadas em cima do ataúde.

As bandeiras da Seleção Argentina e do Boca Juniors.

Maradona sempre foi tão Maradona, que a melhor entrevista que deu na vida foi para ele mesmo.

Há 15 anos, no talk show La Noche del Diez.

Entrevistou Fidel Castro, Ronaldo, Pelé, Mike Tyson e Zidane, entre outros.

Mas a 'exclusiva' que Diego Armando fez com Maradona conseguiu ficar para sempre.

A reprodução é obrigatória para quem deseja entender um pouco o mais visceral e talentoso jogador de todos os tempos. 

O caixão onde está o corpo de Diego Armando Maradona. Imagem inesquecível

O caixão onde está o corpo de Diego Armando Maradona. Imagem inesquecível

Juan Ignacio Roncoroni/EFE - 26.11.2020

Maradona (O que quero da vida é) Envelhecer com meus netos já seria ter uma morte tranquila.

Veja também: Jornais repercutem morte de Maradona, grande ídolo argentino

Diego Armando: Se tivesse de dizer algumas palavras no cemitério para Maradona, o que diria?

Maradona:Hahaha... O que diria? E você pergunta isso para mim?

Diego Armando: Foi você que veio com esse tema. Eu não falei de morte. Foi você.

Maradona: Graças por ter jogado futebol, porque é o esporte que me deu mais alegria, liberdade. É como tocar o céu com as mãos. Obrigado à bola. Sim, colocaria na lápide: "Obrigado à bola."

Diego Armando: E o que gostaria que dissesse Cláudia (na época, esposa), nessa despedida?

Maradona: Ainda que morto, sigo te amando.

Diego Armando: E o que gostaria que dissessem suas filhas (Dalma e Gianinna, filhas dele com Claudia)?

Maradona: Te amamos.

Diego Armando: Há algum arrependimento?

Maradona: Me arrependo de ter feito sofrer minha velha (mãe), meu velho (pai), a meus irmãos e os que gostam de mim. E não ter podido dar 100% no futebol. 

Porque com a cocaína, dei vantagem (aos adversários). E você sabe bem ('fala' Diego Armando). 

Nos drogávamos e depois íamos para campo jogar...

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Multidão de fãs e tumulto com polícia marcam adeus a Maradona

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