Cosme Rímoli Mais importante do que vencer o Equador. Time não quer Copa América

Mais importante do que vencer o Equador. Time não quer Copa América

A seleção não jogou futebol empolgante. Mas venceu quando o time foi mais agressivo, no segundo tempo. Marcante foi o apoio dos atletas em relação a Tite. Todos contra a Copa América

  • Cosme Rímoli | Do R7

A união dos jogadores com Tite na comemoração. Contra o presidente Caboclo

A união dos jogadores com Tite na comemoração. Contra o presidente Caboclo

RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO 04.06.21

São Paulo, Brasil

Em plena crise, por conta da acusação de assédio sexual do presidente da CBF, Rogério Caboclo, a seleção brasileira venceu o Equador por 2 a 0, em Porto Alegre.

O futebol foi fraco, sem empolgar. 

Fazia 200 dias que time de Tite não jogava, por conta da pandemia.

Foi a quinta vitória em cinco jogos nas Eliminatórias Sul-Americanas, deixando evidente a superioridade técnica do Brasil na América do Sul. 

Muito mais importante do que a liderança absoluta, o que marcou o jogo foi a união dos jogadores em relação a Tite.

E a certeza que eles não querem disputar a Copa América no Brasil.

"Nosso posicionamento todo mundo sabe. Mais claro impossível. E não são só os 'europeus', não. Queremos expressar nossa opinião, mas será no momento oportuno", disse Casemiro, o capitão, hoje em Porto Alegre.

Ficou clara, no entanto, a rejeição do time. Não aceitam a competição no país com mais de 470 mil mortos no país, infectados pela pandemia.

Richarlison e Neymar marcaram.

LANCELLOTTI: Uma análise comportamental da atuação do Brasil contra o Equador

No gol de Richarlison, o treinador brasileiro acabou mais celebrado do que o atacante. Havia motivo.

Tite ficou ao lado dos jogadores, em uma áspera discussão com o presidente Rogério Caboclo. Os atletas não querem jogar a Copa América no Brasil. Caboclo quis usar uma linguagem áspera, exigindo respeito à hierarquia, querendo forçar que todos jogassem a competição.

Neymar não jogou bem, mas foi fundamental para a vitória do Brasil

Neymar não jogou bem, mas foi fundamental para a vitória do Brasil

CBF

Tite enfrentou Caboclo, ganhando a raiva do presidente e o apoio total dos atletas, principalmente, os que atuam na Europa. 

Havia até o medo de que, após a partida contra o Paraguai, o treinador peça demissão.

O clima na seleção brasileira segue tenso.

A denúncia de assédio, com o provável pedido de licença ou até mesmo já a renúncia de Caboclo, pode mudar o rumo da seleção.

Com os atletas unidos, sem querer jogar o torneio sul-americano, em plena pandemia.

Quanto à partida, o time montado por Tite deixou a desejar. Principalmente enquanto teve Fred no meio. A tentativa do 4-3-3 não deu certo. O Brasil teve domínio improdutivo da bola. Chegou no auge do jogo a 75%. Mas não conseguia passar pelas linhas muito bem definidas do treinador argentino Gustavo Alfaro. 5-4-1. Sonhando com o 0 a 0.

Zaga do Brasil teve pouco trabalho contra o Equador

Zaga do Brasil teve pouco trabalho contra o Equador

EFE/ Ricardo Rímoli

Tite escalou, de forma tão surpreendente quanto errada, Alex Sandro na lateral-esquerda. Deixando o produtivo Renan Lodi fora. O time ficou torto, porque só Danilo apoiava.

Neymar ficou centralizado tentando articular os ataques. Principalmente pela esquerda, graças ao espaço oferecido por Tite ao colocar um lateral defensivo. Richarlison não conseguia render bom futebol. E Gabigol, titular do Brasil depois de cinco anos, estava nervoso, afobado, aflito para marcar.

O pior foi Fred. Totalmente perdido em campo.

O 0 a 0 no primeiro tempo foi tão justo quanto monótono.

Na segunda etapa, o time equatoriano cansou. A marcação não estava ajustada.

Aos 15 minutos houve um lance fundamental que poderia mudar o destino do jogo. Fred, com cartão amarelo, foi para a dividida e acertou Enner Valencia. Deveria ter sido expulso. Mas o árbitro venezuelano Alexis Herrera não teve coragem de mostrar o vermelho.

Tite iria tirar Richarlison para a entrada de Gabriel Jesus. Mas, esperto, percebeu que Fred estava cansado e poderia ser expulso. O treinador mudou a substituição, tirou o meio-campista.

E o Brasil ficou mais ofensivo, marcando sob pressão os equatorianos. Aos 19 minutos, Paquetá tomou a bola de Arreaga. E serviu Neymar. Com excelente visão de jogo, o passe chegou até Richarlison. 1 a 0, Brasil.

Os equatorianos foram obrigados a abandonar a postura defensiva, para tentar o empate. E foi aí que a seleção foi melhor, tendo os contragolpes à disposição.

Foi assim que chegou ao gol que definiu o jogo. Ángelo Preciado, um dos piores equatorinos, cometeu pênalti infantil, tolo em Gabriel Jesus, aos 42 minutos.

Neymar foi para cobrança. Perdeu. Só que o goleiro Domínguez tirou os dois pés do chão. Se adiantou. O VAR mandou, com justiça, repetir a cobrança.

Desta vez, Neymar fez o gol. Brasil 2 a 0.

Jogo decidido.

Vitória obrigatória conquistada.

E muita festa para o líder do time.

Tite...

Deyverson está de volta ao Brasil, com direito a casamento e festa

Últimas