Cosme Rímoli Fome, salários atrasados. O que faz os jogadores quererem atuar na pandemia

Fome, salários atrasados. O que faz os jogadores quererem atuar na pandemia

A realidade da maioria dos atletas foi mostrada por Marcão, goleiro do Sergipe. A necessidade faz os jogadores entrarem em campo em pleno surto de covid

  • Cosme Rímoli | Do R7

Marcão ficou quatro meses sem salário. A necessidade obriga os atletas a seguirem atuando

Marcão ficou quatro meses sem salário. A necessidade obriga os atletas a seguirem atuando

Arquivo Pessoal

São Paulo, Brasil

Nenhum sindicato de jogadores se posicionou a favor da paralisação do futebol no Brasil.

Mesmo com os números terríveis da pandemia de covid-19.

Em todos os estados, o silêncio é o mesmo.

O motivo é simples.

Os atletas querem seguir entrando em campo, trabalhando.

E recebendo.

Principalmente os de clubes pequenos, que recebem salários muito mais baixos que os atletas das principais equipes do país. 

E que já sofreram muito com as paralisações do futebol no Brasil.

Desde que a pandemia se instalou, há exatamente um ano.

O depoimento de Marcão, goleiro do Sergipe, que empatou em 0 a 0 com o Cuiabá, e foi eliminado da Copa do Brasil, é simbólico.

Em Aracaju, ele deixou claro o sofrimento, a agonia, com a perspectiva de ficar sem poder atuar. Sem poder trabalhar.

Mesmo vendo o Brasil quebrar terríveis recordes de mortes e contaminação.

"Quem tem um salário alto, está na primeira ou segunda divisão e recebe em dia é muito fácil falar para parar o campeonato."

"A gente que joga uma Série D, tiveram jogadores que no ano passado passaram fome, famílias que passaram fome, se não fosse a ajuda de outras pessoas."

"Eu sei que é uma situação delicada para o país, lamento pelas mortes que estão acontecendo. A gente torce para que a vacina chegue logo, que possa liberar o público no estádio, mas eu não concordo com a paralisação do campeonato em si."

Belivaldo Chagas já fechou as praias de Sergipe. E, por enquanto, autoriza o futebol

Belivaldo Chagas já fechou as praias de Sergipe. E, por enquanto, autoriza o futebol

Reprodução/Instagram

Por terrível coincidência, Aracaju suspendeu ontem a aplicação da vacina. Porque, de acordo com dados do governo estadual, a capital já tinha usado 98% do total de vacinas que recebeu.

O governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, já instituiu medidas restritivas. Mas elas não chegaram ao futebol, ainda.

Para alívio momentâneo de Marcão.

"Tem muito jogador de time pequeno que precisa muito disso aqui. E não só jogador não, tem muita gente envolvida no futebol, que são os funcionários do clube, roupeiros, massagistas, que ganham pouco e precisam disso."

"Ano passado a gente passou por uma situação de quatro meses sem receber salário. Quem está em time grande ganha R$ 100, R$ 150 mil e consegue manter isso tranquilo, mas e nós? Nós que ganhamos aqui pouco mais que um salário mínimo sofremos muito mesmo."

Com a eliminação da Copa do Brasil, o Sergipe perdeu a chance de embolsar R$ 560 mil.

O clube disputa a quarta divisão do futebol do país, a Série D.

A folha salarial do Sergipe é cerca de R$ 150 mil.

Marcão sentiu no elenco do time a força da infecção da covid-19.

No banco, apenas seis atletas.

Três deles eram goleiros.

Por conta do surto que domina o Sergipe.

E atingiu nove atletas e o treinador Paulo Foiani, que não puderam trabalhar na partida diante do Cuiabá.

Marcão deixou claro o lado dos jogadores.

Porque eles querem que os campeonatos continuem.

Mesmo com o Brasil chegando a  2.798 mortes pela covid-19 ontem.

São 282.400 brasileiros que perderam a vida pela doença. 

Mas o goleiro do Sergipe, como inúmeros atletas de clubes com poderio financeiro pequeno, não aceita parar de jogar.

Porque quer ter o direito de todo trabalhador.

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