Seleção brasileira

Cosme Rímoli Festa vazia pela classificação para o Catar. O time de Tite não tem padrão. Adversários são fracos demais

Festa vazia pela classificação para o Catar. O time de Tite não tem padrão. Adversários são fracos demais

Classificação antecipada para o Mundial do Catar, com seis rodadas de antecedência, só demonstra o baixo nível técnico das seleções sul-americanas. Faltam confrontos com europeus para avaliar o real potencial do Brasil

  • Cosme Rímoli | Do R7

Jogadores do Brasil comemoram a classificação para a Copa. Fácil demais as Eliminatórias

Jogadores do Brasil comemoram a classificação para a Copa. Fácil demais as Eliminatórias

Lucas Figueiredo/CBF

São Paulo, Brasil

26 minutos do segundo tempo.

Um clima de impaciência já dominava a arena corintiana, apesar dos 68% de posse de bola. Mesmo com parte da torcida, oito mil pessoas, tendo entrado de graça, já que os paulistas rejeitaram pagar entre R$ 300,00 e R$ 800,00 para ver o jogo.

Foi quando Marquinhos cortou lançamento de Tesillo. O zagueiro conhece muito bem a movimentação de Neymar, companheiro do PSG, e o descobre na entrada da área. A assistência, de primeira, encontra Paquetá no meio da zaga. O meia canhoto, bate de direita, colocado, sem muita força. Ospina se estica, toca na bola, mas ela entra.

1 a 0 contra a Colômbia.

Brasil classificado com seis rodadas de antecedência para o Mundial do Catar. Está confirmado como o único país a disputar todas as Copas do Mundo. 

Chegou a 11 vitórias e um empate em 12 partidas das Eliminatórias Sul-Americanas. Com 27 gols a favor e quatro contra. Aproveitamento de 94% dos pontos.

A classificação chega de maneira empolgante apenas nas estatísticas. Como ficou evidente, Tite não conseguiu ainda dar padrão de jogo.

O treinador montou seu sistema defensivo, com exceção da lateral direita, já que ele ainda espera o veterano Daniel Alves encontrar um clube em 2022.

Mas do meio para a frente, o treinador tem imensas dúvidas. Não só relacionadas aos nomes dos jogadores, mas pela maneira com que o Brasil atacará seus adversários.

Tite não sabe nem se Neymar será meia ou atacante pela esquerda.

Não há definição em relação a Gabriel Jesus, Raphinha, Matheus Cunha. Vinicius Júnior só foi convocado por contusão de Roberto Firmino.

A insegurança de Tite não atrapalha tanto porque o nível dos adversários na América do Sul é fraco demais. Está bem abaixo do talento dos jogadores brasileiros. E já deixaram de ser parâmetro para a Copa do Mundo há muito tempo.

Não é por acaso que o Brasil vem sendo eliminado dos Mundiais por europeus, desde 2006. Foi a França, depois a Holanda, a Alemanha, e a Bélgica.

O intercâmbio com as seleções do Velho Continente quase não existe. O calendário prejudica. Sim, há a Liga das Nações, as Eliminatórias europeias. Mas também enorme incompetência da CBF em arrumar amistosos com as seleções que dominam o jogo tático no mundo: França, Itália, Inglaterra, Bélgica, Espanha. Ou mesmo com a Alemanha renascendo.

Enfrentar esses adversários seria fundamental até 2022. Mas o próprio Tite não tem esperanças. 

Daí a festa pela classificação nas Eliminatórias Su-Americanas ser vazia.

"A classificação é fruto de um trabalho que a gente vem construindo desde muito tempo. Esse era o nosso principal objetivo, classificar o Brasil para a Copa do Mundo e, graças a Deus, a gente conseguiu fazer isso", comemorava Lucas Paquetá, que até chorou, após marcar o gol decisivo.

"É um choro de felicidade pelo momento que eu tenho vivido. Estou muito feliz de estar vivendo esse momento com a camisa da Seleção Brasileira e com a camisa do Lyon. Então, foi uma emoção de muita alegria e eu espero continuar fazendo o meu trabalho bem feito."

Mas na análise fria do jogo, o Brasil teve dificuldade até exagerada para passar pelas duas linhas de cinco, organizada e prevista por Reinaldo Rueda. O treinador colombiano repetiu o erro que os outros treinadores que enfrentaram o time de Tite cometeram. Respeitaram demais a Seleção, como se tivessem diante do time de 1970, não o instável de 2021.

A Colômbia segue a sina dos outros países sul-americanos, com uma safra de poucos recursos técnicos. Rueda sonhava com um modesto 0 a 0, em Itaquera. Medo constrangedor de atacar e abrir espaço para contragolpes. 

Não deu campo para o Brasil fazer o que quis, como o goleado Uruguai. Raphinha e Neymar estiveram muito vigiados. Paquetá conseguiu se destacar, pela movimentação constante, e técnico. Foi assustador o desempenho de Gabriel Jesus. Incompreensível a insistência do treinador com o atacante. Chega a ser uma tortura para o time e para o atacante. As vaias na sua substituição foram mais do que compreensível.

Tite é inteligente e sabe que seleções fortes europeias jamais terão postura tão acovardada.

Mas o Brasil cumpriu sua obrigação. 

Se classificou para a Copa, com seis rodadas de antecedência. Só que as Eliminatórias não enganam mais como aconteceu na prévia da Copa do Mundo da Rússia. O treinador e os jogadores estão longe de serem unanimidades, Pelo contrário até.

A Seleção se impõe no fraco cenário sul-americano.

Segue longe do futebol convicente para enfrentar os principais times europeus.

A classificação para a Copa do Catar não foi mais do que obrigação.

Mas o time está longe de ser confiável para ganhar o Mundial.

Muito longe...

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