Diniz sabe. Daniel Alves pesou, de novo, na derrota para o Cruzeiro

Capitão da Seleção de 36 anos não aceita a lateral no São Paulo. Com ele como meia, o time não tem intensidade. Está virando um problema crônico

Thiago Neves comemora seu gol para o Cruzeiro. São Paulo fraco demais no meio

Thiago Neves comemora seu gol para o Cruzeiro. São Paulo fraco demais no meio

TELMO FERREIRA/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

São Paulo, Brasil

Felipe Diniz sabe. 

Tem a obrigação de classificar o time para a Libertadores, direto para a fase de grupos, para não dar chance ao vexame da eliminação na 'pré-Libertadores', como aconteceu no início deste ano.

2019 é mais um ano de fracasso para o inseguro Leco.

Outra vez não o clube não conseguiu nenhum título.

Caiu no Paulista, na 'pré-Libertadores', na Copa do Brasil e está a inalcançáveis 18 pontos de distância do líder Flamengo, faltando 12 rodadas para acabar o Brasileiro.

Já que o título não é possível, a Libertadores virou obrigação.

Fernando Diniz tem a chance da sua carreira, comandando o melhor elenco e o clube mais forte desde que decidiu ser técnico.

Só que, como Cuca, ele segue tendo um grave problema tático.

Luan, Lizeiro, Tchê Tchê, Hernanes e Vitor Bueno formaram meio de campo versátil na vitória contra o Corinthians. E melhorou quando entrou Igor Gomes. Ou seja, sobram atletas com intensidade, visão de jogo, modernos taticamente.

Mas acontece que Daniel Alves voltou dos amistosos inúteis da Seleção. Nos empates contra Senegal e Nigéria, ele atuou os 180 minutos. Como lateral direito.

Só que ao desembarcar no Brasil, no Morumbi, tem a sua vaga garantida como meia. 

Diniz sabe que é desejo do lateral. E a diretoria quer um clima de total entrosamento com Daniel Alves. Isso passa por ele jogar onde quiser.

Ter ido contra essa decisão que acabou por desgastar Cuca, a ponto dele não mais seguir no Morumbi.

O meia de armação pela direita é muito importante em qualquer equipe. Mas quando ele jogou a vida toda como lateral e já caminha para os 37 anos, tudo é pior.

Daniel Alves atrapalhou o São Paulo na derrota de ontem, diante do Cruzeiro. 

Lento, indeciso, sem criatividade, foi o ponto fraco do time.

Comprometeu a intensidade, a vibração, a velocidade nos contragolpes.

E veio a derrota para o time mineiro, que está atolado na zona do rebaixamento.

"Em relação ao Dani no meio não dá para especificar. O time estava meio travado pela marcação do Cruzeiro e pela falta de mobilidade. Saiu jogando atrás como de costume. Não pressionamos alto como era a intenção.

"Não rendemos não porque o Dani estava no meio ou na lateral.

"Jogamos abaixo do que deveríamos", resumiu, Diniz, de forma genérica.

Para não atingir o grande líder do São Paulo, que mais uma vez jogou mal no meio de campo.

A situação está complicada.

O São Paulo já está a dez pontos de distância do segundo colocado, o Palmeiras. A cinco do Santos, que joga hoje.

E a um do Corinthians, segue na quarta colocação, mas tem Grêmio e Bahia a dois pontos, no quinto e no sexto lugares.

Daniel Alves está se tornando um problema crônico no São Paulo.

E não a grande solução que parecia.

Sua obsessão por atuar no meio sabota o time.

Mas ele segue firme.

Inabalável.

Fernando Diniz sabe que está no cargo graças à indicação do veterano jogador a Raí, tinha certeza que a diretoria deveria contratar o técnico e não permanecer com Vagner Mancini.

O treinador sofreu sua primeira derrota comandando o São Paulo.

Sabe que tem apenas 12 jogos para garantir a Libertadores.

Para isso, é inevitável a conversa com Daniel Alves.

A posição do veterano é a lateral direita.

Juanfran que brigue para ser primeiro volante.

O que aconteceu ontem no Mineirão, com o time entregue, principalmente no segundo tempo, passou muito por Daniel Alves.

Chegou a hora de Fernando Diniz se impor.

E enfrentar o capitão da Seleção Brasileira.

Mandá-lo ocupar seu espaço.

Que é a lateral direita do São Paulo...