Crespo acabou com privilégio de Daniel Alves

Depois de 28 partidas, o veterano foi substituído. Acabou a aura de 'intocável'. O clube já gastou R$ 29 milhões com Juanfran e Orejuela

  • Cosme Rímoli | Do R7

Daniel Alves. Fez o São Paulo gastar R$ 29 milhões com jogadores para 'sua' posição

Daniel Alves. Fez o São Paulo gastar R$ 29 milhões com jogadores para 'sua' posição

Rubens Chiri/São Paulo

São Paulo, Brasil

26 minutos do segundo tempo.

Limeira, ontem.

Depois de 28 partidas, finalmente, Daniel Alves foi substituído.

Hernanes entrou no seu lugar.

Hernán Crespo teve coragem de fazer o que Fernando Diniz evitava.

Não tirava o jogador de 37 anos de jeito algum.

Mesmo sendo improdutivo, nada criativo.

Ainda mais atuando como segundo volante, que nunca foi sua posição.

A lateral-direita, que o consagrou no Barcelona e na seleção brasileira, ele não quer mais.

Para se poupar fisicamente e jogar o Mundial de 2022.

É um prêmio que resolveu se dar, depois de ter sido cortado por ter de operar o joelho, às vésperas da Copa de 2018.

A antiga diretoria, de Leco e Raí, aceitou essa exigência.

É como se o Corinthians tivesse contratado Cristiano Ronaldo e ele exigisse jogar como zagueiro.

Hernán Crespo não pôde fazer nada mais efetivo.

Como mandar o jogador cumprir a lógica, atuar onde rende mais, na lateral-direita.

Mesmo tendo um dos melhores do mundo na posição, o São Paulo já pagou quase R$ 11 milhões para ter o veterano Juanfran, entre agosto de 2019 e fevereiro de 2021.

Agora, gastou mais R$ 18 milhões só para ter 50% dos direitos de Orejuela.

São nada menos do que R$ 29 milhões.

Fora os salários de R$ 1,5 milhão que paga a Daniel Alves, a cada 30 dias, desde agosto de 2019.

A situação é escandalosa.

Mas foi amarrada assim por Leco.

Hernán Crespo não quer criar problemas, mexer com o insolúvel.

Mas não se sente prisioneiro de Daniel Alves, como parecia ser Fernando Diniz.

Primeiro, o recuou para primeiro volante.

Ele percebeu que o São Paulo precisa de segundos volantes com maior visão ofensiva do jogo. Mais força explosiva na recomposição.

O jogador teve atuação fraca no empate contra o Botafogo de Ribeirão, no Morumbi.

Contra a Inter, outro jogo ruim de Daniel Alves.

Daniel Alves tinha tratamento mais do que especial com Fernando Diniz

Daniel Alves tinha tratamento mais do que especial com Fernando Diniz

Rubens Chiri/São Paulo

Mesmo contra adversários fracos, ele foi batido facilmente, errou passes, burocrático.

Especialista em chuveirinhos, cruzamentos para a área, da intermediária.

Sem disposição, dribles para buscar a linha de fundo.

Um burocrata é tudo que Crespo não deseja no meio-campo do São Paulo.

O improvisado volante, que fará 38 anos, perdeu o status de 'intocável' no Morumbi.

Ele segue perdendo apoiadores no Conselho Deliberativo.

Crespo, discreto, se livrou de Juanfran. Agora lida, sem privilégio, com Daniel Alves

Crespo, discreto, se livrou de Juanfran. Agora lida, sem privilégio, com Daniel Alves

Rubens Chiri/São Paulo

Pessoas que sustentam politicamente o presidente Julio Casares.

O jogador que custa tanto ao São Paulo tem contrato até dezembro de 2022.

No clube desde agosto de 2019, foi incapaz de transformar o time.

O maior vencedor mundial de títulos, com 41 na carreira, se deixou contaminar pelo jejum do Sâo Paulo.

Não conseguiu sequer um.

E acabou a aura.

A cúpula do São Paulo sabe.

O veterano não é o jogador especial que parecia.

Só para os cofres do clube.

Crespo mostrou que o avaliará como os demais.

E a situação pode se complicar.

Porque a diretoria acreditou que venderia Luan.

Não negociou.

Ele é ótimo primeiro volante.

Pode até roubar a posição de Daniel Alves.

Acabou a vida privilegiada que tinha no Morumbi...

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