Cosme Rímoli Além da raiva de Sampaoli e Nunes. Santos desperdiça dois pontos

Além da raiva de Sampaoli e Nunes. Santos desperdiça dois pontos

Os reservas do Athletico Paranaense conseguiram travar a ansiedade santista. Com o passar do Brasileiro, fica clara a limitação do elenco de Sampaoli

Santos, Athletico, Sampaoli, Nunes, Neymar, Bolsonaro

A discussão séria entre Sampaoli e Tiago Nunes. Modernidade quase vira briga

A discussão séria entre Sampaoli e Tiago Nunes. Modernidade quase vira briga

Reprodução Twitter

São Paulo, Brasil

"São coisas do jogo. Foi uma partida muito tensa. Respeito muito o trabalho do treinador nessa equipe. A partida foi muito tensa, extremadamente paralisada.

"A responsabilidade também é dos que conduzem a partida.

"Dos nossos jogos foi a mais grosseira nesse aspecto. O time ( Athletico) toda hora paralisava o jogo. Foi grosseiro e isso gerou tensão.

"Mas não há rancor por nada."

Jorge Sampaoli

"É coisa do jogo, não aconteceu nada.

"É um teste mental entre as comissões para deixar o adversário fora de seu eixo. Acontece, faz parte e não teve nada de errado."

Tiago Nunes

Toda a admiração antes da partida acabou durante o jogo

Toda a admiração antes da partida acabou durante o jogo

Reprodução Twitter

A civilidade disfarça o que foi uma discussão ranhida, com direito a provocações, palavrões, irritação. 

E que provocou a raiva do preparador físico e auxiliar de Jorge Sampaoli, Pablo Fernández. Que queria de todas as maneiras agredir Tiago Nunes.

Vale destacar como Pablo se define na vida. 

Tem quatro personagens que o inspira. 

Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King e Nelson Mandela.

"São pessoas que para mim têm uma página mais que vitoriosa no livro mundial. Principalmente porque entregaram tudo em prol dos outros.

"Mandela entregou seus anos, Gandhi forma-se advogado pensando em seu povo, a Madre Teresa vivia entre os doentes e Luther King lutando pelos direitos da raça. Conseguiram através da não violência a repercussão mundial. 

"O triunfo dos ideais", disse à Folha de São Paulo.

Os ensinamentos de Gandhi, Madre Teresa, Luther King e Mandela juntos não conseguiram evitar que Pablo quisesse pegar Tiago Nunes pelo pescoço. 

A discussão entre os técnicos do Santos e do Athletico Paranaense roubou a cena na Vila Belmiro. E causou a correta expulsão de Pablo.

Tiago Nunes encarando a torcida santista com ironia. "No grito, não"

Tiago Nunes encarando a torcida santista com ironia. "No grito, não"

Reprodução Sportv

Sampaoli se revoltou com a cera que os reservas de Tiago fizeram e que ajudou a tirar dos nervos a equipe santista. E a fez desperdiçar mais dois pontos obrigatórios na sua casa.

Assim como havia acontecido diante do Fortaleza.

O empate em 1 a 1 não foi justo.

O goleiro Leo teve uma atuação espetacular.

Mas faltou tranquilidade, competência, talento dos jogadores santistas para vencer o jogo.

Estava claro que o elenco limitado santista iria perder o fôlego de líder do Brasileiro.

E deixou o Flamengo abrir dois importantes pontos, na primeira colocação.

O Santos tentou atacar durante todo o jogo, o que obrigou Leo a fazer pelo menos quatro grandes defesas.

Everson respondeu com duas intervenções seguidas que lembraram a inesquecível sequência de Rodolfo Rodriguez, excelente goleiro uruguaio que defendeu o Santos, contra o América de Rio Preto, em 1984.

Os reservas do Athletico não se dobraram.

Pelo contrário, mostraram que são muito bem treinados.

Eles jogaram porque os titulares foram reservados para a final da Copa do Brasil contra o Internacional. A decisão começa na quarta-feira.

Sampaoli teve dois motivos sérios para irritação. A falta de clareza, talento de seus jogadores do meio para a frente. Eles se deslocavam, abriam espaço, como o treinador desejava. Mas não tinham potencial para definir o jogo com a bola nos pés.

Sua coragem em montar o esquema 3-4-3 e marcar por pressão a saída de bola dos paranaenses foi algo notável.

Mas a tranquilidade, a firmeza, o sangue frio de uma equipe, mesmo reserva, saber o que fazia em campo fizeram o Athletico roubar ponto importante na Vila Belmiro.

A distribuição moderna, a recomposição, contragolpes em bloco, triangulações pelas laterais foram feitas. Sem a competência do time titular, mas com peso suficiente para não se dobrar à pressão do rival, desesperado pela vitória, e pela Vila Belmiro lotada de torcedores.

O Athletico saiu na frente. Brian Romero, livre, completou para a rede, chute cruzado de Thonny Anderson, aos 41 minutos do primeiro tempo.

O Santos seguiu atacando, desesperado, até o final da partida. Sampaoli não queria a derrota de jeito algum.

Criou ótimas chances, mas Leo defendeu.

A tensão dominava a Vila.

E o Athletico insistia com a cera.

Daí, a discussão forte entre Sampaoli e Tiago Nunes. Com direito a Pablo Fernández esquecer sua formação humanista e querer o pescoço do técnico athleticano.

Até que Marinho foi derrubado pelo mesmo Brian Romero, aos 42 minutos.

O VAR mostrou que foi dentro da área.

VAR. Cruel, mas apontou o pênalti legítimo contra o Athletico

VAR. Cruel, mas apontou o pênalti legítimo contra o Athletico

Site Athetico Paranaense

Cruel, doído, mas pênalti.

Sanchez bateu com cavadinha.

Empate aos 45 minutos do segundo tempo.

Os reservas do Athletico seguraram o empate.

E os santistas lamentaram.

A análise fria mostrava.

Mais dois pontos desperdiçados.

Ótimo para o líder Flamengo...