Maratona de Curitiba: de volta ao lar

Saiba como foi a Maratona de Curitiba pelo relato do jornalista João Beltrão

Maratona de Curitiba

A Maratona de Curitiba é uma das mais tradicionais do Brasil

A Maratona de Curitiba é uma das mais tradicionais do Brasil

Foto:Guilherme Dalla Barba/SMELJ

Por João Beltrão

Quinta maratona e na semana anterior à prova ainda fico com frio na barriga. E essa não poderia ser diferente. Pela primeira vez iria encarar as ruas de Curitiba, minha cidade natal. E o pior: esta corrida é conhecida como uma das mais difíceis do País. É claro que não é uma uphill, mas -das clássicas- é considerada uma das mais complicadas.

A Maratona Internacional de Curitiba é bem organizada e não muito cheia. Este ano, pouco mais de 8 mil atletas se inscreveram para enfrentar os 42 quilômetros 195 metros que cruzam 17 bairros da capital paranaense. 

E a vitória, como não poderia deixar de ser, foi para o Quênia. No masculino Nicolas Kiptoo Kosgei , terminou a prova em 2 horas e 25 minutos, e no feminino a vitória foi para Priscila Lorchima., com o tempo de 2 horas e 44 minutos.
Eu estava num pelotão um pouco atrás, na verdade, bem atrás.

A largada é num dos cartões postais da cidade, o Centro Cívico. Uma área que reúne o poder do Estado do Paraná. Com prédios imponentes como o Palácio Iguaçu – sede do governo do Estado, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o prédio mais acanhado da região a Prefeitura Municipal, organizadora do evento.

Às 7 horas partimos rumo ao desconhecido. Vivi em Curitiba por 33 anos e passei pela primeira vez em vários pontos da cidade. Aliás, o percurso é um dos pontos negativos desta prova. Não por conta da dificuldade ou da quantidade de sobe e desce –isso quem corre tem que se acostumar- mas porque passa por pouquíssimos pontos realmente bonitos da cidade. E olhe que Curitiba é uma capital bonita.

Além do Centro Cívico, logo no começo, a Maratona Internacional passa pelo Museu Oscar Niemeyer – conhecido como o Museu do Olho- pelo Teatro Paiol ( já no fim da prova) e ao lado dos estádios dos três times de futebol da capital. E eles não são propriamente locais de visitação turística. Nenhum parque, nenhuma praça, nada. É rua, rua e rua...

Mas enfim, viemos aqui pra correr.

Deixando o Centro Cívico e depois o Museu do Olho –que faz você voltar ao Centro Cívico- encaramos um trajeto margeando o centro da cidade até chegar ao requintado bairro do Batel, perto dos 10 km. De lá, sobe e desce até quase o limite da cidade. Este é um trecho desgastante e muito chato. A região é desinteressante e não tem nada de novo para o corredor, muitos começam a cansar e perder a cabeça.

Eu segurei meu pace bem e voltamos para mais próximo do centro da cidade perto do quilômetro 25. Neste trecho ainda estava com 5:45 por quilômetro e com a corrida bem controlada. Passamos ao lado do primeiro estádio – do Atlético e seguimos até uma grande avenida que corta a cidade, a Marechal Floriano.  De novo a prova fica cansativa. É um sobe-desce numa área novamente sem nenhum atrativo. O corredor tem que estar com a cabeça muito boa para não começar a perder ritmo. E eu perdi.

Na virada da Marechal Floriano –quilômetro 28, minha velocidade foi caindo. No quilômetro 30 caiu de vez. De 5:40 comecei a fazer 6:30/7:00, até o final da prova. Eu não estava cansado e tinha segurança de que poderia ter diminuído o ritmo, mas não dessa maneira. Mas bateu um desânimo e fui me arrastando.

E assim foi:  Teatro Paiol, estádio do Paraná Clube e até a linha de chegada, só rua, asfalto, sobe elevado, desce elevado e o pace indo pra cucuia.

O ponto favorável para encarar este martírio, são os organizadores e, principalmente, os moradores da cidade. Eles vão às ruas, aplaudem, batem na mão dos corredores, dão Coca-Cola e balas de goma. Uma energia que salva os mais caídos.

Já no final cruzamos o estádio do Coritiba e aí aumenta o ritmo pra chegar logo. Uma boa descida e de volta ao Centro Cívico. Placar final: 4 horas e 23 minutos.

O tempo não foi o que esperava, mas estava feliz. Corri minha quinta maratona na cidade onde nasci e estou pronto para as próximas. Desta vez, uma mais rápida: Porto Alegre e depois Berlim. Numa das duas emplaco meu primeiro sub quatro. Prometo.

Bons treinos a todos.

João Beltrão é jornalista em Brasília e maratonista. Já disputou cinco maratonas, duas no exterior, e dezenas de meias maratonas.

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