Conheci o 'Escritório Misterioso' do Rei Pelé

Um ano depois da morte de Pelé vou relembrar alguns momentos marcantes que tive com o Rei do Futebol e revelar um 'segredo'

Já inicio esta coluna avisando que teremos um vídeo no final do texto que representa uma relíquia do Rei do Futebol, Pelé!

Mas, antes, quero falar um pouco sobre a simplicidade do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Ainda estudante, em 1995, tive, como estagiário de jornalismo, a missão de manter plantão na Vila Belmiro e conseguir alguma entrevista que pudesse ser utilizada no programa esportivo da emissora regional em que trabalhava.

Era um momento delicado da vida do Santos Futebol Clube, claro, não como o de hoje.

O Peixe acabara de perder um Brasileirão para o Botafogo, do Rio de Janeiro, com arbitragem polêmica e muita confusão.

E eu precisava extrair algo de alguém.

Depois de horas na frente do portão 16, onde entram autoridades, dirigentes e imprensa, em uma tarde cinzenta e calorenta de dezembro, ouço meu repórter cinematográfico dizer "Tem gente vindo aí! Pega o microfone. Rápido, é o Pelé!".

Imaginem como fiquei! Minhas pernas bambearam, meu coração disparou, era apenas um estagiário, e Pelé, naquela altura, havia dado raríssimas entrevistas.

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Corado, acelerado e atrapalhado... cheguei próximo do Rei e perguntei se poderíamos conversar rapidamente. Ele, como sempre, disse, com um sorriso no rosto, sim!

Me apresentei e gaguejei muito na primeira pergunta...

Pelé percebeu e, mais uma vez, sorriu, me abraçou, me pediu calma, perguntou para qual time eu torcia, se eu jogava bola... e minutos depois, bem mais tranquilo, e, sem perceber, comecei a fazer as perguntas a ele.

Para vocês terem uma ideia... o que descrevi acima aconteceu na entrada da Vila Belmiro e terminou na sala da presidência, eu e Pelé, abraçados, em frente a uma câmera, registrando toda a indignação pela perda do título brasileiro, falando sobre novas gerações, sobre educação esportiva, tática, seleção....

Foram duas horas de papo, ou seja, para a época, quatro fitas VHS de 30 minutos cada uma... do início ao fim, todas preenchidas com boas histórias, ensinamentos e, claro, Santos Futebol Clube.

Depois desse dia nos encontramos diversas vezes, e Pelé me chamava pelo nome.

O Rei do Futebol lembrava sempre daquele momento e brincava sobre meu nervosismo por estar "cara a cara" com ele.

A última vez que entrevistei e vi Pelé foi em 2014. A convocação para a Copa do Mundo havia sido divulgada e Pelé lançava uma biografia autorizada escrita por um jornalista da Inglaterra. 

Me cadastrei para ser o terceiro da entrevista coletiva, pois na sequência estava escalado para ser repórter de um jogo do São Paulo, no Morumbi.

Assim que fiz minha pergunta, em uma sala lotada, aguardei a resposta de Pelé e ia saindo "de fininho" quando ouvi uma voz... "Fabiano, não vai não. Quero falar com você."

Sabe aquela sensação que descrevi no início da coluna? 

Foi a mesma quando uma sala lotada virou-se para mim após um pedido de Pelé.

Fiquei por lá mais uma hora, e após a coletiva Pelé se levantou, me chamou, pediu um abraço e disse: "Esse livro é para você. Um presente do Pelé. Mande um abraço para todos lá de Santos. Estou com saudades".

Nos abraçamos, agradeci... e ali vi, pela última vez, de perto, bem perto, o sorriso mais cativante, mais simples, mas que significa para quem ama o futebol o ápice de uma carreira.

Nunca mais nos falamos! Nunca mais nos vimos!

E eu, agora, tenho na memória todas essas lembranças.

No dia em que Pelé completaria 83 anos, fui até o Museu que leva o nome do Rei do Futebol, no centro histórico da cidade de Santos. Queria descobrir algo que ninguém havia descoberto sobre Pelé.

Queria reviver a emoção de quando estava em um evento em que Pelé era homenageado...

E descobri o que passei a chamar de "Escritório Misterioso do Rei"

Nunca, nenhuma pessoa "comum" havia entrado naquele local depois da morte de Pelé.

Abaixo está o registro onde o eterno Rei do Futebol despachava, trabalhava, recebia amigos e se divertia falando e assistindo a futebol quando ficava na Baixada Santista.

É uma emoção indescritível! Assista abaixo!

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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