Tóquio 2020

Olimpíadas Velocista dos EUA pega no doping por maconha está fora dos Jogos

Velocista dos EUA pega no doping por maconha está fora dos Jogos

Favorita ao ouro nos 100 m rasos, Sha'Carri Richardson alegou que fumou cigarro de maconha após a morte da mãe

  • Olimpíadas | Do R7, com informações do Estadão Conteúdo

REUTERS/Kirby Lee-USA TODAY

A velocista Sha'Carri Richardson está fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A USA Track and Field (USATF), a federação de atletismo dos Estados Unidos, divulgou nesta terça-feira (7) a lista dos que estarão na Olimpíada sem o nome da corredora, que teve teste antidoping com resultado positivo para maconha na semana passada. Com isso, ela não disputará o revezamento 4x100 metros e os 100 metros, prova na qual tinha chance de ganhar o ouro.

O teste positivo de Richardson anulou sua vitória na seletiva olímpica no mês passado em Oregon e, consequentemente, a vaga que havia conquistado em Tóquio nos 100 metros.

Sua suspensão de 30 dias terminará antes do início dos revezamentos em 5 de agosto, o deixara em aberto a possibilidade de ganhar uma medalha como parte da equipe de revezamento nos 4x100m. No entanto, a federação de atletismo americana optou por deixar a velocista de 21 anos fora da equipe. Ela é considerada uma das promessas do atletismo do país e era apontada como uma das favoritas ao ouro nos 100 metros, prova que tem sido dominada pela Jamaica.

Em Tóquio, Richardson tentaria ser a primeira mulher americana a vencer os 100 metros em uma Olimpíada desde Gail Devers, em Atlanta-1996. Em abril, a texana atingiu a marca de 10s72.

A maconha é proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Porém, se os atletas provarem que a ingestão da substância não teve relação com sua performance esportiva, a punição é reduzida de quatro anos para três meses. Além disso, a suspensão pode cair para apenas um mês se o competidor em questão estiver disposto a passar por um programa de tratamento aprovado, junto com a organização nacional antidoping.

Morte da mãe afetou corredora

Richardson testou positivo para um produto químico encontrado na maconha depois de sua vitória em 19 de junho. Ela disse que o estresse gerado pela morte recente de sua mãe biológica, combinado com a pressão de preparação para as provas, a levou a usar a droga.

"Eu estava definitivamente desencadeada e cega pelas emoções, cega pela maldade, e machucada, e escondendo a dor", justificou ela em entrevista ao programa Today Show, da emissora americana NBC. "Eu sei que não posso me esconder, então de alguma forma, eu estava tentando esconder minha dor".

O tema começou a ser discutido nas redes sociais, com argumentos a favor e contra a atleta. Enquanto alguns pensam que a corredora deveria se submeter às regras internacionais, outros defenderam Richardson, dizendo que a maconha é aprovada em mais de 19 estados americanos, incluindo em Oregon, onde se deu o doping. Ainda não existem provas de que a cannabis aumenta a performance dos atletas, apesar de ser uma substância proibida pelos órgãos responsáveis.

Nos Estados Unidos, algumas ligas profissionais, como NFL, NHL e NBA, reduziram muito a aplicação das regras em relação ao uso de maconha, com o reconhecimento de que a droga não melhora o desempenho. Contudo, o mundo olímpico continua a testar e punir o uso em algumas circunstâncias. De acordo com agência americana antidoping, além de substâncias que estimulam a melhoria do desempenho, a lista de banidos pode incluir drogas que podem representar riscos para a saúde dos atletas ou violar o "espírito do esporte".

Na semana passada, o presidente Joe Biden disse que embora estivesse orgulhoso da maneira como Richardson lidou com sua proibição entende que "regras são as regras".

O que diz a Federação

Em um comunicado, a USATF disse que é "incrivelmente simpática às circunstâncias atenuantes de Sha'Carri Richardson" e "concorda plenamente" que as regras internacionais relativas à maconha devem ser reavaliadas. Mesmo assim, optou por selecionar outra atleta.

"Embora nosso mais profundo entendimento esteja com Sha'Carri, devemos também manter a justiça para com todos os atletas que tentaram realizar seus sonhos garantindo uma vaga na equipe olímpica de atletismo dos Estados Unidos", diz outro trecho do comunicado.

A USATF convocou seis velocistas para sua equipe feminina de revezamento 4x100m. As quatro primeiras colocadas dos 100m - Javianne Oliver, Teahna Daniels, Jenna Prandini e Gabby Thomas - automaticamente entraram para a equipe de revezamento. Além disso, foram selecionadas English Gardner e Aleia Hobbs, quinta e sexta colocadas na seletiva olímpica, para as duas últimas vagas.

Para tentar manter a sua vaga nos Jogos, a corredora pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que pode considera que a pena foi muito dura e reduzi-la ou até retirá-la.

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