Coronavírus

Olimpíadas Veja qual é o balanço sanitário dos 'Jogos da pandemia'

Veja qual é o balanço sanitário dos 'Jogos da pandemia'

Coronavírus afetou os Jogos Olímpicos, mas Tóquio 2020 chega ao fim sem uma onda de infecções entre atletas 

  • Olimpíadas | Da AFP

Adeus a Tóquio: jogos foram realizados sem onda de infecções por coronavírus

Adeus a Tóquio: jogos foram realizados sem onda de infecções por coronavírus

Amr Abdallah Dalsh/REUTERS - 08/08/2021

A pandemia afetou todos os aspectos dos Jogos Olímpicos de Tóquio, desde seu adiamento histórico no ano passado até ser disputada praticamente a portas fechadas, sem torcedores, enterrando os sonhos de participação de todos os que tiveram resultado positivo para covid-19.

Contra todas as probabilidades, os Jogos de Tóquio-2020 foram realizados a partir de 23 de julho e terminaram neste domingo (8), sem uma onda de infecções alterando seu desenvolvimento.

Quantos casos nos Jogos?

De 1º de julho a este domingo, a organização contabilizou 430 casos de covid-19 entre as quase 52 mil pessoas credenciadas para os Jogos (atletas, dirigentes, jornalistas...), além de voluntários e agentes de segurança.

As infecções ocorreram principalmente entre os residentes do Japão, não entre os que chegaram do exterior, apontados pela opinião pública como o principal fator de risco.

Cerca de 85% dos moradores da Vila Olímpica foram vacinados, anunciou o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, pouco antes do início dos Jogos.

Quais as consequências esportivas?

Alguns atletas foram infectados antes de viajar para Tóquio, como Bryson DeChambeau e John Rahm, dois jogadores de golfe que aspiravam ao ouro, ou ainda a tenista americana Coco Gauff.

No Japão, 29 atletas olímpicos tiveram teste positivo desde 1º de julho, de acordo com a organização.

O americano Sam Kendricks, do salto com vara, foi baixa por covid-19 dois dias antes do início de sua prova de classificação. Toda a equipe grega de nado sincronizado também teve que renunciar aos Jogos por casos entre o time no início de agosto.

Alguns não viveram bem a condição de isolamento em seus hotéis em Tóquio. A skatista holandesa Candy Jacobs e sua colega do taekwondo Reshmie Oogink falaram de "prisão olímpica" nas redes sociais e reclamaram de não poderem ter acesso ao ar livre.

Mas o cenário catastrófico de um grande foco na Vila Olímpica não ocorreu e nenhuma prova teve que ser cancelada devido ao vírus.

Bolha olímpica funcionou?

Durante os Jogos, os casos de covid-19 aumentaram em Tóquio, assim como em todo o Japão, atingindo níveis sem precedentes no país. A barreira de 5.000 novos casos diários foi quebrada pela primeira vez esta semana em Tóquio e 15.000 em todo o país.

Quando os Jogos começaram, o número médio de novos casos por semana em Tóquio era de 1.400.

A variante Delta, mais contagiosa, se espalhou pelo Japão, um país que começou a campanha de vacinação muito tarde em comparação com outras potências (apenas um terço da população nacional está totalmente vacinada).

Mas não houve transmissão do vírus entre os participantes dos Jogos e a população japonesa, insistiu a organização.

A grande maioria dos residentes na Vila Olímpica respeitou as restrições, mesmo com alguns casos de atletas que saíram da 'bolha', como dois judocas georgianos ou membros da equipe masculina australiana de hóquei na grama.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, avaliou que os Jogos contribuíram para limitar os movimentos dos moradores, já que muitos ficaram em casa para acompanhar as competições pela televisão.

Especialistas japoneses em saúde estimaram que os Jogos tiveram um efeito "indireto" na curva de infecção de Tóquio, fazendo com que a população baixasse a guarda contra o vírus.

De fato, um número crescente de bares e restaurantes desafia os apelos do governo para fechar no início da noite e não servir álcool, de acordo com a mídia local.

Jogos Paralímpicos, novo desafio

Programados de 24 de agosto a 5 de setembro, os Jogos Paralímpicos terão as mesmas restrições dos Jogos Olímpicos, com testes diários para atletas e deslocamentos reduzidos ao mínimo.

A organização deve decidir após os Jogos se aceita ou não o público nas competições paralímpicas.

Pelo estado de urgência vigente em Tóquio, no máximo 5.000 pessoas estão autorizadas para eventos culturais ou esportivos não vinculados aos Jogos.

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