Tóquio 2020

Olimpíadas Tóquio trocaria vírus da covid por praga do cambismo por público

Tóquio trocaria vírus da covid por praga do cambismo por público

Cerca de 68 mil pessoas estariam presentes no Estádio Olímpico para festa de abertura se não fossem restrições do coronavírus

  • Olimpíadas | André Avelar, do R7, em Tóquio, no Japão

Estádio Olímpico em Tóquio é o palco da abertura, hoje, dos Jogos

Estádio Olímpico em Tóquio é o palco da abertura, hoje, dos Jogos

Franck Fife/AFP - 23.07.2021

Ruas vazias, nenhum lixo no chão, pessoas credenciadas caminhando em fila e barulho mesmo só do trem passando próximo ao Estádio Olímpico. Em troca de um pouco de público, impedido de ocupar as arquibancadas para a Cerimônia de Abertura por conta do vírus da covid-19, a impressão que fica é que Tóquio 2020 aceitaria nesta sexta-feira (23) até a praga do cambismo para dar mais vida ao evento.

O exagero, claro, se dá pela experiência da última edição dos Jogos Olímpicos. Em terras brasileiras, na Rio 2016, quando nem se falava em coronavírus, os estrangeiros puderam vivenciar um Carnaval fora de época. O que destoava da festa eram os inúmeros ingressos falsos apreendidos na porta do Maracanã. Na época, um só agente à paisana havia apreendido 12 ingressos falsos em uma hora só de trabalho.

Do outro lado do mundo, cinco anos depois, tentou-se bancar a presença dos torcedores até o último momento. O COI (Comitê Olímpico Internacional), no entanto, perdeu a queda de braço com as autoridades japonesas, pressionadas, e preocupadas, com a possível quinta onda da covid-19. Na semana da abertura oficial, a região metropolitana da capital japonesa chegou a registrar mais de 1.800 casos da doença, o maior número desde o final de janeiro deste ano.

A população cumpriu a determinação e ficou em casa. Apenas algumas centenas de curiosos, que em geral saiam do trabalho, faziam questão de se aglomerar na porta do Estádio Olímpico, mas sem nenhuma razão já que não tinham como comprar ingresso nem em mercados obscuros. Esse foi o maior momento de tumulto, que o policiamento tratou de resolver logo.

Diferentemente da Rio 2016, quando o pau de selfie havia acabado de virar febre mundial, o equipamento desta vez foi liberado. Os avisos nos telões do estádio salientavam a preocupação para que as pessoas batessem palmas ao invés de gritar nos momentos mais animados. Coisas do já nem tão novo, e batido, normal. A higiene das mãos também era frequentemente recomendada com totens de álcool em gel a cada 500 metros dos corredores do estádio.

Duas horas antes da abertura, as pessoas credenciadas e com ingressos para um evento de alta demanda desciam dos ônibus da organização e rapidamente passavam pelo rigoroso sistema de segurança e saúde — pessoas com mais de 37,5 C ou que relatavam algum dos sintomas da covid não poderiam entrar no evento.

Dentro do estádio, a vibração de encantados jornalistas, convidados VIP e pouquíssimos membros de estado, foi infinitamente fria apesar dos 31º C no início da noite de verão da capital japonesa. Nem mesmo o som alto do pop japonês e a comum ansiedade para a contagem regressiva para a abertura oficial justificaram a repetida alcunha de maior evento esportivo do planeta.

A cerimônia em si tratou de evitar a conhecida ostentação de outros tempos, em respeito às vítimas da covid-19. Para se ter uma ideia, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) decidiu enviar apenas os porta-bandeiras Ketleyn Quadros, do judô, e o Bruninho Resende, do vôlei, além de dois dirigentes, o mínimo possível, para a festa que quase ninguém viu ao vivo.

O Estádio Olímpico, usado em Tóquio 1964, foi demolido e reconstruído especialmente para Tóquio 2020. Além das cerimônias de abertura e encerramento, o local também receberá provas do atletismo e do futebol. Se não fosse o vírus da covid-19, 68 mil pessoas eram esperadas nas arquibancadas.

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