Tóquio 2020

Olimpíadas Sul-africano realiza sonho da mãe e espera cumprir expectativa de Bolt

Sul-africano realiza sonho da mãe e espera cumprir expectativa de Bolt

Wayde van Niekerk, que bateu recorde mundial de Michael Johnson na Rio 2016, se recupera de lesão para dominar atletismo

  • Olimpíadas | Eugenio Goussinsky, do R7

Niekerk se recuperou de contusão no joelho

Niekerk se recuperou de contusão no joelho

Urs Flueeler/EFE/29-06-21

Na época em que Wayde van Niekerk nasceu, em 1993, o apartheid estava acabando na África do Sul. Ele se transformou em um símbolo dos novos tempos no país, já que sua mãe, Odessa Swarts, foi grande atleta nos anos 80 e 90, tendo sido recordista mundial dos 100 e dos 200 metros. Mas ela não pôde disputar uma Olimpíada porque a nação estava banida dos Jogos devido ao regime segregacionista.

Desde então, entre descobertas e quedas, Niekerk, 28 anos, foi percebendo sua aptidão para o atletismo, até chegar onde não imaginava durante a infância pobre na Cidade do Cabo: ser uma lenda no país, podendo representar a África do Sul, com orgulho de sua origem.

Sua maior especialidade é a prova dos 400 metros, na qual se tornou medalhista olímpico e recordista mundial nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Na vida, porém, ele sempre soube saltar obstáculos. O último deles foi uma séria contusão no joelho, ocorrida em 2017 quando, em uma partida beneficente, foi jogar rugby, o esporte que praticava no colégio no bairro de Kraaifontein.

Ele acabara de conquistar outra medalha de ouro nos 400 m no campeonato mundial de Londres, bem como a prata nos 200 m. A lesão foi intensa, tomando-lhe dois anos de sua preparação.

Antes, havia sido ouro no campeonato mundial de Pequim, nos 400 m, em 2015, e prata nos Jogos da Commonwealth, em Glasgow, em 2014, também nos 400 m.

Quando ia voltar a se preparar, no início de 2020, veio a pandemia. O objetivo de Niekerk agora, já refeito da lesão, é recuperar totalmente a forma, para fazer jus à previsão de Usain Bolt, que afirmou ser Niekerk seu mais provável substituto como lenda do esporte. Oito vezes campeão olímpico, nas provas dos 100 m e 200 m, o jamaicano Bolt deixou as pistas em 2017, aos 30 anos.

Ao se denominar "Dreamer" em seu Instagram, Niekerk é mais um destes atletas que venceram muito mais por causa de sua obstinação do que dos atributos físicos, inegáveis, é verdade. Mas quantos não são ótimos tecnicamente e ficam no meio do caminho?

Além disso, é necessário ter alguém que lhe dê suporte. Para Niekerk, foi uma senhora, hoje perto dos 80 anos, que foi sua treinadora na época em que ele venceu no Rio em 2016. Anna Botha, nascida na Namíbia e entrando na profissão por intuição, aprendeu a lidar com crianças e jovens em meio às dificuldades educacionais de seu país.

Radicada na África do Sul, passou a orientar Niekerk quando ele estava na University of Free State. Foi ela quem o colocou para correr nos 400 m, quando ele insistia nos 100 m e 200 m. Seus ensinamentos, baseados na paciência e confiança, estão sendo fundamentais para Niekerk, que teve dificuldades para se classificar para os Jogos em Tóquio.

Ele só conseguiu a vaga no último dia 19 de junho, quando atingiu a marca classificatória no Madrid Meeting World Athletics Continental Tour Silver na Espanha, terminando em segundo lugar, com 44,56 segundos. Para ele, neste momento, foi tão importante quanto bater o recorde de Michael Johnson, campeão olímpico em 1996 (200 m) e bicampeão olímpico em 1996 e 2000 (400 m).

Ele deixou de trabalhar com Botha, para se mudar para os Estados Unidos, no início deste ano, em busca de treinar ao lado dos melhores competidores, sob a orientação do técnico Lance Brauman, na Flórida. Ao site Olympics, ele explicou quais são seus planos.

“Por mais que tenha gostado da minha experiência com Tannie (titia, o apelido de Ann Botha) e seu grupo, espero quebrar meu recorde mundial e, para isso, preciso garantir que estou treinando ao lado dos melhores velocistas do mundo”, diz Niekerk, adaptando seus sonhos ao novo momento. Para novamente, tornar eterna a travessia de 400m. Com os pés no chão.

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