Tóquio 2020

Olimpíadas Simone Biles busca novos recordes antes de decidir sobre despedida

Simone Biles busca novos recordes antes de decidir sobre despedida

Quando menina, foi acolhida pelos avós, após a mãe perder a tutela por uso de drogas, e encontrou na ginástica seu porto seguro

  • Olimpíadas | Eugenio Goussinsky, do R7

Simone Biles é dona de sorriso fácil

Simone Biles é dona de sorriso fácil

DANIEL KOPATSCH/EFE/13-10-19

Não são raros os casos de crianças que tiveram problemas na infância, se superaram e se tornaram esportistas vitoriosos. Mas, o que é raro, é irem tão longe quanto Simone Biles, que conquistou recordes jamais atingidos por uma ginasta e é projetada como o grande nome para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Nem Simone tinha a pretensão de ir tão longe. Tanto que, após a edição japonesa da Olimpíada, há uma boa possibilidade dela deixar de competir, depois de alguns anos de treinamentos duros, desde que ingressou no esporte, com apenas seis anos, em 2003.

Na ocasião, ela foi com sua classe da escola para um ginásio coberto, em um dia chuvoso que provocou o adiamento de uma excursão. E então se deparou com os aparelhos, vendo na barra, no cavalo, nas argolas, objetos tão acolhedores como brinquedos.

Criada pelos avós, Ronald e Nellie, em Columbus, Ohio, onde nasceu em 14 de março de 1997, Biles desde muito menina mostrava aptidão para movimentos como pulos e rodopios.

Nellie, portanto, não se surpreendeu quando, no fim daquele dia cheio de novidades, recebeu um bilhete da professora sugerindo que Biles fosse colocada na ginástica.

Simone Biles já conquistou quatro medalhas de ouro em Jogos Olímpicos

Simone Biles já conquistou quatro medalhas de ouro em Jogos Olímpicos

REUTERS/Wolfgang Rattay/File Photo/File Photo

O drama da infância de Biles decorre do fato de sua mãe ter sido viciada em drogas, o que a fez perder a tutela dos filhos que, além de Biles, incluem a irmã Adria e outros dois irmãos mais velhos, que foram morar com a tia-avó, Harriet. Ronald e Nellie acabaram adotando Biles. Já famosa, a ginasta continuou mantendo contato com a mãe biológica.

O fato é que a dureza da infância foi contrastada com o acolhimento de outras pessoas. Aos 8 anos, já dentro do esporte, Biles chamou a atenção da professora Aimeé Borman, que passou a ser sua treinadora. E a lhe ensinar várias técnicas.

Suficientes para, aliados com o biotipo propício (Biles, com 23 anos, tem 1,42 metros), a fazerem dar verdadeiros saltos na carreira. No piso e nos aparelhos. Mas também rumo à glória.

A primeira conquista de Biles, ainda com 16 anos, foi no Mundial de Antuérpia, em 2013, quando foi campeã no individual geral e no solo.

A partir de então, a americana conquistou mais quatro títulos no individual geral (2014, 2015, 2018 e 2019), o que a fez se tornar pentacampeã mundial na modalidade.

Também é pentacampeã mundial no solo. Além de 2013 ela ficou com o título em 2014, 2015, 2018 e 2019. Na trave, ela é tricampeã mundial (2014, 2015 e 2019), além de ser tetracampeã mundial por equipes com os Estados Unidos (2014, 2015, 2018 e 2019) e bicampeã mundial no salto (2018 e 2019).

Origens e recordes

Em Olimpíadas, Biles conquistou 5 medalhas. Nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, ela levou ouro por equipes, no individual geral, no solo e no salto. Na trave, ficou com o bronze.

A atleta dos Estados Unidos persegue o recorde estabelecido por Larisa Latynina, que representou a União Soviética em três Olimpíadas (1956, 1960 e 1964) e conquistou 18 medalhas (nove ouros, cinco pratas e quatro bronzes).

Em relação às medalhas de ouro, Biles tem boas chances de alcançar Latynina, ex-ginasta que nasceu na Ucrânia, se repetir a performance do Rio em 2016.

E de ultrapassar a romena Nada Comaneci que, em termos de nível de performance, é considerada a melhor ginasta de todos os tempos. Comaneci soma cinco medalhas de ouro (três em 1976 e duas em 1980), entre suas nove medalhas.

Em 1976, a romena se tornou a atleta mais jovem a vencer um all around (individual geral), com 14 anos.

Naquele evento, ela obteve a inédita façanha de conseguir três 10 perfeitos. Como nunca isso havia ocorrido antes, nem o placar tinha casas suficientes para completar o número 10,0.

Entre classificatórias e finais, Comaneci recebeu sete notas 10 naquela Olimpíada, realizada em Montreal, as primeiras da história das Olimpíadas, que lhe valeram três medalhas de ouro: na individual geral, na trave e nas barras assimétricas.

Repetir a façanha de Comaneci é impossível, em termos de perfeição (o dez perfeito foi dividido em notas D, para dificuldade, e E, para a execução). Biles, então, quer entrar para a história como criadora de saltos.

E como uma das mais cativantes da história, já que, uma de suas marcas é um sorriso gracioso, cheio de vida, mesmo durante os mais difíceis movimentos.

Em maio último, foi homologado em seu nome um espetacular salto duplo mortal carpado, anteriormente conhecido como Yurchenko Double Pike, no US Classic.

Ela estava havia 18 meses sem competir. O salto passou a ser chamado Biles II. Antes ela já tinha dado o nome a manobras no solo, salto e trave.

Após Tóquio 2020, ela já admitiu que pode encerrar a carreira, por causa dos treinos pesados. No máximo, prosseguirá até Paris 2024.

"O objetivo principal é a Olimpíada de 2021 primeiro, tour (nos EUA) e então teremos que ver", disse Biles.

Como na música Ohio, de Damien Jurado, Biles, no entanto, se mantém ligada às suas origens. Enquanto seu corpo saltava pelo mundo, uma parte dela continuava lá, em seu estado, onde conheceu a dor, o acolhimento e a glória.

É onde ela pode dar seus passos mais simples. E ter um porto seguro, quando encerrar a carreira. 

"Da minha janela, por favor, me ouça, Ohio. Sua filha quer voltar para casa", diz a música. De preferência, com mais recordes.

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