Tóquio 2020

Olimpíadas O que a medalha de Thiago Braz tem a ver com Neymar

O que a medalha de Thiago Braz tem a ver com Neymar

Bronze no salto com vara em Tóquio 2020 foi dispensado do Pinheiros em abril de 2020 e foi fazer intercâmbio na Europa

  • Olimpíadas | André Avelar, do R7, em Tóquio, no Japão

Thiago Braz se junta a nomes importantes do atletismo brasileiro em Olimpíadas

Thiago Braz se junta a nomes importantes do atletismo brasileiro em Olimpíadas

Gaspar Nóbrega/Divulgação/COB - 3/8/2021

Medalha de ouro na Rio 2016, de bronze em Tóquio 2020, recordista olímpico, mas sem um clube para treinar. Thiago Braz, terceiro colocado no salto com vara na última terça-feira (3), não teve uma preparação tranquila apesar dos resultados na carreira. Foi aí que o craque Neymar deu uma forcinha para o atleta.

Em abril do ano passado, o saltador foi demitido em meio a uma reformulação das estruturas do Esporte Clube Pinheiros. A pandemia foi a justificativa para a redução de investimentos em atletas de alto rendimento. O atleta se viu sem um lugar para treinar diariamente e decidiu arrumar as malas e partir para um intercâmbio na Europa.

Nessa altura, como desde depois da Rio 2016, ele já tinha a carreira agenciada pelo pai do jogador Neymar, o que garantiu estabilidade financeira e não o fez desistir. Além disso, o atleta também com patrocinadores pessoais e o programa Bolsa Pódio para continuar a carreira.

“Nenhum atleta vai chegar a lugar nenhum sem o apoio ou o suporte de alguém. Quem somos nós sozinhos? Sofri neste período, mas tive um suporte do Ney, o Neymar. Acredito que a medalha veio porque sem essas pessoas, talvez nem estivesse aqui”, disse Braz, após a medalha de bronze na capital japonesa. “Ao mesmo tempo em que o esporte está crescendo, ele está sendo prejudicado. Faço o convite para que as pessoas olhem para o esporte de forma diferente e possam ver um futuro melhor no esporte.”

Com a segunda medalha olímpica, Braz se juntou a nomes igualmente de respeito do atletismo brasileiro: Adhemar Ferreira da Silva (Helsinque 1952 e Melbourne 1956), Nelson Prudêncio (Cidade do México 1968 e Munique 1972), João do Pulo (Montreal 1976 e Moscou 1980) e Joaquim Cruz (Los Angeles 1984 e Seul 1988), Robson Caetano (Seul 1988 e Atlanta 1996), André Domingos e Edson Luciano (Atlanta 1996 e Sydney 2000) são os únicos oito atletas brasileiros com duas medalhas em Olimpíadas.

Apesar do rol de grandes nomes do atletismo em que está inserido, o saltador é o único da modalidade brasileira em Tóquio que não representa nenhum clube. Ao todo, são 53 atletas nas diferentes provas. Além de Braz, Alison dos Santos, dos 400 metros com barreiras, são as duas únicas medalhas até aqui.

“Não é fácil passar por situações ruins quando a gente está falando de competição olímpica, de grande interesse. Acredito que o Brasil quer continuar trazendo medalhas, o esporte quer continuar crescendo. A gente precisa desse fôlego a mais”, disse o atleta de 28 anos, que desde cedo foi lapido pela campeã mundial Fabiana Murer e pelo treinador Vitaly Petrov, tendo trabalhado também com Elson Miranda.

Braz venceu a Rio 2016 com o recorde olímpico de 6,03 metros. Na prova no Estádio Olímpico de Tóquio, o sueco Armand Duplantis falhou na tentativa de superar seu próprio recorde mundial (6,18 metros) quando já havia conquistado a medalha de ouro.

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